Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote

Coluna

HORA DA VERDADE

Por Edson Almeida
 Angustiado torcedor do Vitória me parou para reclamar que o que falta ao seu time é vergonha na cara, que tem apanhado do Bahia que nem mala velha e no outro dia fica cantando aquela música do Nelson Ned de “que tudo passa, passará”.
 - Você não acha que o nosso time é até melhor do que o deles e que a única coisa que falta é atitude de gente séria, que tem vergonha, brio, tenência, atitude?!!
 Não, não acho. Essa é uma grande desculpa para quem não gosta de enxergar a verdade. O melhor time do campeonato pegou o ex-melhor time do Estado e deu três irrepreensíveis surras, duas das quais dentro do seu Santuário, o Barradão. O melhor time do campeonato, se as disputas fossem por pontos corridos, já nem mais se lembrava de quantas taças de champanhe, vinho e cerveja andou tomando para comemorar.
  Muitas vezes, a verdade é dura, dói como quê, mas a verdade será sempre a verdade, não adianta se camuflar ou se inventar outras conversas de enxuga-lágrimas. O Bahia é o time mais preparado, de melhor estrutura em campo, que tem uma pegada de vencedor; o Vitória teve todos os ingredientes do mundo para continuar sendo a equipe competitiva como foi na Série B, mas andou se equivocando em contratações e métodos de reformulação. Não vou dizer que tudo que fez, foi errado, de propósito, porque todos lá sempre estiverem muito bem intencionados, mas não fizeram as coisas como pensaram e pronto. .
 Vou relembrar velhas histórias do próprio futebol baiano para amenizar essa verdade para a torcida rubro-negra. Em 1988, Bahia campeão brasileiro. Não tinha nem a melhor estrutura nem o melhor grupo de atletas, mas formou um time de melhor receita, principalmente nas fases finais do mata-mata, quando foi imbatível na Fonte Nova e arrancou preciosos empates fora de casa, como foi na final, em Porto Alegre, contra o Inter. Em 1993, o Vitória tinha apenas um time mediano, que veio de um Grupo de adversários sem grande expressão e todos apostavam que, no quadrangular semifinal, contra Flamengo, Santos e Corinthians, ia levar tanto pau que até poderia esquecer o rumo de casa e ficar zanzando em aeroporto do Sul do país, esperando SOS. O Vitória foi o campeão invicto da chave e ganhou o direito de decidir o título nacional com o Palmeiras, que acabou campeão por ser uma verdadeira academia e que ganhou a taça com dois triunfos, mas tendo que lutar muito.
 Então, gente, a vida tem dessas coisas. De repente, pessoas e grupos se levantam, encontram o caminho de sua sorte e conquistam fortunas extraordinárias. Uns materialmente, outros no sentido espiritual e da realização íntima. O futebol não é diferente. Lembram quando o campeonato começou? Petrônio, Aciolly e Maracajá, os principais gestores do Bahia, estavam sendo enxotados pela torcida. Eram superados, de mentalidade velha, jurássicos. Enfrentaram as críticas, formaram um time aparentemente modesto – e que a maioria dos entendidos, até mesmo da imprensa, não acreditava – e hoje debruçam sobre uma equipe competitiva, povoada de cinco a seis ótimos craques, que podem perfeitamente representar grandes dividendos técnicos e financeiros no mercado do futebol.
 Uma das maiores qualidades que o ser humano pode ter é o desprendimento de admitir verdades, mesmo que essas verdades lhe tragam grande dor. O que não pode é criar verdades que só lhe trazem maiores prejuízos.
 O Bahia pode até não ser o campeão, porque o Conquista ainda tem boas chances técnicas e matematicamente o próprio Vitória ainda pode chegar. Mas uma coisa tem ficado muito sólida a cada rodada: o melhor time do campeonato tem se superado em todos os jogos, e mesmo o mais ferrenho adversário, não lhe pode tirar a virtude de uma liderança consumada ao longo da competição.
 Uma liderança que me parece ter o endereço de merecida conquista.

Compartilhar