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Coluna

CLÁSSICO DE NOVE PONTOS

É costume, toda vez que um jogo envolve dois candidatos a um título ou a uma classificação de vaga, dizer-se que o jogo vale seis pontos, porque quem conquista a vitória se distancia três pontos do adversário e este deixa de ganhar os três pontos que deram a vantagem ao rival.
No caso do clássico deste domingo, são nove pontos, porque, além da disputa entre os dois velhos rivais, há, também, o jogo decisivo de Conquista, em que, se o time local ganhar por uma diferença de dois gols, pode até terminar a rodada na liderança, caso o Ba-Vi do Barradão termine empatado. Porque a jornada começa com Vitória e Bahia somando quatro pontos e um saldo de apenas um gol (o Vitória só é líder porque fez mais gols). Mas o time do Sudoeste, que está com dois pontos e saldo de zero, caso vença por um bom placar, além de ir para os mesmos cinco pontos de tricolores e rubro-negros, fica com um saldo mais positivo. Isso se houve empate no clássico, que sempre começa sem um favorito concreto.
Acho até que, pela campanha mais equilibrada que faz – e pelo esquema mais assentado que tem -, o Bahia é o favorito, mesmo voltando a enfrentar as desvantagens estatísticas de jogar no campo adversário. Só que, há alguns clássicos o tricolor vai lá e tem aprontado suas artimanhas.
O Vitória, além de não ter ainda empolgado a sua torcida, joga debilitado da ausência de um atacante rompedor, após a expulsão de Rodrigão. Tenho comigo que o técnico Wagner Mancini faz um mistério desnecessário, pois o mais coerente seria dizer que o Diego Silva vai contar com o excelente Ramon Menezes mais adiantado e reforçar o seu time. O que tenho sentido é uma série de dúvidas, e esse é um aspecto que passa recibo de incerteza e desconfiança.
Paulo Comelli parece simplificar mais, praticamente definindo seu time antes do coletivo-apronto da sexta-feira, só dependendo mesmo do julgamento do meia Elias, de inquestionável talento técnico. Aliás, desde a primeira rodada, Comelli tem mostrado a sua eficiência no comando da equipe. Só não concordo com ele é quanto às suas reclamações contra a arbitragem após o jogo contra o Itabuna.
Esse negócio de dizer quem ganha o clássico é patacoada de cronista metido a madame Beatriz. Clássico é clássico e nunca teve um vencedor antecipado. Pode ter, sim, um favorito, um time que atravessa um melhor momento e que inspira mais segurança – e neste caso é o Bahia, cuja trajetória no campeonato tem sido a mais eficiente todos. Mas, repito: favoritismo nunca ganhou jogo, principalmente quando se trata de um clássico como este.
No jogo de Conquista, o time local, sim, é muito mais favorito, pode até ser apontado como um provável vencedor. Ainda assim, já vi surpresas acontecerem em situações semelhantes. Só que, se a gente faz uma análise isenta, o Vitória da Conquista é uma equipe quase imbatível em seus domínios, além de ser muito valente fora de casa, como provou no último jogo, domingo passado, contra o Vitória. O Itabuna tem suas chances, mas são as mínimas possíveis entre os quatro finalistas.
Uma coisa é certa: o domingo vai anoitecer com o campeonato tendo uma imagem mais concreta sobre os seus reais pretendentes.

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