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Coluna

QUEM TEM, TEM

A segunda rodada decisiva serviu para realçar qualidades e defeitos, dentro do que realmente cada um dos quatro times tem na busca do título. O Bahia voltou a explicitar a sua fase de futebol compacto, de busca incessante pela vitória, de superação de momentos difíceis; o Vitória, outra vez, deixou bem claro que é uma equipe desequilibrada, de ataque realizador, mas de defesa extremamente oscilante; o Conquista, que é uma equipe forte, dentro e fora de casa, pode até definir o título nos quatro jogos restantes onde, pelo menos em três, é favorito absoluto; e o Itabuna, com duas derrotas, já deu adeus a qualquer possibilidade de chegar a primeiro, passando a ser agora um mero coadjuvante, só deve mesmo ser o fiel da balança.
A vitória tricolor por 2x1 sobre o Itabuna, em Camaçari, foi construída graças ao seu poder de reação no segundo tempo, naturalmente aliado a uma melhor preparação física. No primeiro, perdeu por 1x0, fruto de muita desarrumação, em que a sua única virtude foi tentar chegar com a vibração que tem sido sua maior arma no campeonato. Mas o Itabuna, sempre tocando com melhor qualidade, mereceu o 1x0, até que, no segundo tempo, Paulo Comelli consertou alguns erros e o Bahia voltou a jogar pelas laterais. melhorando muito seu rendimento, merecendo até uma virada maior do que a de 2x1. O lateral Avine, os meio-campistas Fausto, Ananias e Elias e os zagueiros Rogério e Alisson voltaram a ser os destaques do time, além de Darci, que defendeu alguns lances de real perigo.
O empate do Barradão, em 5x5, mostrou, apesar dos aplausos de alguns companheiros pela excelente movimentação de placar, que o Vitória continua sendo uma equipe pouco confiável. Jogando em seu estádio, levando um primeiro gol e, depois, não tendo a competência de se sustentar no triunfo, pois em quatro vezes teve o resultado em suas mãos (2x1, 3x2, 4x3 e 5x4). E por mais que a gente tente explicar que o time do interior faz bela campanha, é mais do que certo que o Leão parece haver sido afetado pelo mosquito da dengue. Debilitado e sem firmeza de atitudes defensivas. Na tv o jogo foi emocionante, mas nos detalhes o Vitória repetiu velhos problemas.
Não se pode tirar o valor dos conquistenses, até porque sempre foram, ao longo do campeonato, a mais grata surpresa – e até se pode dizer que não será o fim do mundo se, quando tudo acabar, o título esteja em suas merecidas mãos. Tem ótimos jogadores, como Rafael e Tatu, e joga com personalidade um futebol de ótima qualidade.
Então, o que fica estabelecido é o seguinte: as duas próximas rodadas, com dois clássicos e dois jogos entre os clubes do interior, poderão deixar bem desenhada a cara do campeão. Como Vitória e Bahia estão com quatro pontos, Conquista com dois e Itabuna ainda não pontuou, há um exemplo marcante: se houver empates nos dois Ba-Vis e o Conquista ganhar os dois jogos contra o Itabuna, quem passa a líder é o time de Elias Borges, com oito pontos e duas vitórias, contra seis e uma vitória dos dois grandes da capital. 
Assim, a decisão continua em aberto, embora entenda que o Bahia volta a ser o maior favorito, o Vitória precisa acertar muitos desencontros para chegar ao bicampeonato e o Conquista, com menor responsabilidade e um time de grande valor, tem os seus predicados inquestionáveis para levantar a taça. Acho até que esta decisão só fica mesmo muito clara na penúltima ou última rodada quando, outra vez, Bahia e Vitória se revezam em jogos contra os interioranos.
O domingo teve, como em toda decisão que se preze, muita confusão, com técnicos e jogadores expulsos, reclamações de toda ordem, mas, na verdade, não se pode dizer que os dois árbitros tenham influenciado nos resultados.
Queixas e descontentamentos muito inerentes do calor de uma decisão que tem três times dividindo as chances de campeão.

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