O DIREITO DA PREVISÃO
De repente, os gênios descobriram que nem a Matemática é uma ciência exata, imaginem só o futebol, que é uma atividade movida pela emoção, esforço físico, qualidade técnica e tantos outros pormenores, portanto instável, dinâmica, imprevisível. Nós, os críticos, é que temos o difícil dever de fazer previsões, dentro de estatísticas, de comportamento anterior, essas coisas que nem sempre dão certo, mas que a gente acaba encontrando um jeito de se sair de fininho e continuar levantando novas expectativas. Afinal, todos temos o sagrado direito de opinar e de fazer previsões.
É por isso que apoio alguns companheiros que, diante de uma situação difícil, solta as preciosidades de que tudo pode acontecer, vai ganhar o que aproveitar as melhores oportunidades, o que estiver em um melhor dia, se as oportunidades criadas forem dentro da meta acabam em gol, essas coisas que, se para muitos são hilárias ou recibo de quem gosta de ficar em cima do muro, acabam explicitando uma santa e definitiva verdade.
Ora bolas, outro dia, fiquei encucado ao ler artigo da Internet que um cabra fez sumir um real numa conta de três amigos que tomaram umas cervejas no barzinho da esquina, totalizando 30 paus. Resolveram que cada um deles pagaria 10 pilas e assim fizeram. O dono do bar, por reconhecê-los seus velhos amigos de peladas no campinho do bairro, mandou que o garçom devolvesse cinco reais, diminuindo a conta para 25. O diabo do garçon, que nada tinha de honesto, meteu dois reais no bolso, só devolvendo três. Aí, os beberrões fizeram as contas: se cada um deu 10 e recebeu um real de troco, a despesa individual foi de nove reais. Só que nove vezes três são 27, com dois do bolso do garçom, 29. E onde é que está o outro bendito real?...
Portanto, se houvesse também uma lógica imutável no futebol, não se tinha mais dúvidas de quem seria o campeão. Pela campanha, pelo confronto entre os classificados. Neste particular, olhem bem o que a Estatística apresenta: em primeiro, disparado, o Bahia, 14 pontos, 4 vitórias, 2 empates, 8 gols a favor, 3 contra, saldo de 5; em segundo, uma grande surpresa, o Itabuna, 6 pontos ganhos, 1 vitória, 3 empates, faltando jogar contra o Vitória da Conquista, 5 gols pró, 9 contra, saldo negativo de 4; em terceiro, o Vitória da Conquista, 5 pontos, 1 vitória, 2 empates, 2 derrotas, falta o jogo com o Itabuna, 7 gols pró, 8 contra, saldo negativo de 1; e no último, de forma até constrangedora, o Vitória da capital, com apenas 4 pontos, fruto de 1 vitória, 1 empate, quatro derrotas, 10 gols marcados, 9 sofridos, saldo de 1 gol.
Vamos recordar todos os resultados entre os quatro finalistas, faltando ainda o jogo Vitória da Conquista x Itabuna? Pois bem: Itabuna 1x1 Vitória da Conquista; Vitória da Conquista 2x1 Vitória; Itabuna 1x1 Bahia; Vitória da Conquista 1x2 Bahia; Vitória 0x2 Bahia; Itabuna 2x1 Vitória; Vitória 6x0 Itabuna; Bahia 1x0 Vitória; Bahia 2x1 Vitória da Conquista; Bahia 0x0 Itabuna e Vitória 2x2 Vitória da Conquista.
O bom do futebol é que esses números não são definitivos, embora entenda que tudo se encaminhe para o tricolor levantar a taça de 2008. Porque aí vai pesar aquela máxima de que contra fatos e números não há argumentação. Mas o campeonato, terminada a rodada deste domingo, será reiniciado para as quatro melhores equipes, todas zeradas, esperanças renovadas, uma nova história a escrever.
Como alguns amigos me exigem uma opinião sobre o novo técnico do Vitória, Wagner Mancini, respondo agora que vou esperar um pouco, pois não sou chegado a precipitações. Como tem os que já o criticam pelos seus comentários com o presidente Sampaio que o time é lento e tem muita coisa errada, prefiro dizer que essas verdades exigem dele muito trabalho e grande criatividade para encontrar o rumo do ex-favorito ao título estadual e nosso único representante na primeira divisão nacional.
