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Coluna

QUEM PLANTA, COLHE?

Há uma sentença filosófico-cristã estabelecendo que a semeadura seja livre e a colheita obrigatória. Claro que este princípio não se restringe apenas à vida presente, aqui na terra, mas dentro dos conceitos de que isso aqui é apenas uma estação passageira, nunca um fim de tudo. Porque, do contrário, esse ensinamento seria em vão, porque o que há de gente corrupta, principalmente políticos, sem qualquer tipo de punição, não dá nem para enumerar.
Alguns desses políticos, aliás, têm a maior cara de pau de fazer críticas aos seus adversários, jurando fidelidade ao povo que os elegeu, gritando honra pessoal e familiar, verdadeiras fábricas de otários. O sentimento que fica é que, enquanto houver impunidade, essas mazelas vão continuar grassando na sociedade, porque até os que se valem de votos de religiosos, desrespeitam frontalmente pudor, moralidade e justiça.
O futebol também anda cheio desse tipo de pessoas. Até que, neste início de semana, chegou ao meu correio eletrônico uma notícia interessante: o ex-preparador físico do Vitória, um tal de Wellingtom (é com m mesmo) Vero, que aqui esteve com Givanildo Oliveira, foi preso no Pará, porque, durante jogo em que sua equipe, o Paysandu, perdeu em Castanhal, por 2x1, xingou o gandula, chamando de “negro safado”.
Este cara foi um dos motivos da desdita de Givanildo no rubro-negro. Além de estourar os músculos de vários atletas, com um método estranho de preparação física, era prepotente, presunçoso e deu vários espetáculos de preconceito. Um dia, quando uma torcedora do Vitória foi ao aeroporto reclamar de melhores resultados, mandou que ela fosse lavar pratos e pilotar fogão “porque essa era a verdadeira função de uma mulher”. Para completar, insatisfeito com as críticas ao seu trabalho, que o tempo veio provar ser pífio, gritou no campo de treinamentos, para Deus e o mundo, com palavras de palavras chulas e grosseiras para qualificar os que fazemos o jornalismo esportivo de Salvador. 
É pena que a justiça paraense não tenha sido mais rigorosa, consentindo que o Paysandu, com o pagamento de uma fiança, evitasse que este sujeito ainda estivesse vendo o Sol nascer quadrado. E como ele o futebol anda cheio de pessoas violentas, mal educadas, sem a mínima condição de conviver em grupo.
Sem se falar nos que, como os maus políticos, metem a mão no dinheiro das entidades de prática desportiva, cada vez mais pobres, dirigidas por ex-esfarrapados que, de repente, se tornam pessoas importantes e pedantes, cada vez mais ricas e donas da verdade e do mundo.

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