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Coluna

Não concordo!

Por Felipe Santana

O Bahia, enfim, venceu. A sequência de sete rodadas sem comemorar um triunfo foi interrompida e, de quebra, o clube terá uma semana para trabalhar com os atletas fora da zona do rebaixamento. Para isso acontecer, caro leitor, foi um GRANDE sacrifício. Na entrevista coletiva, depois do jogo em Pernambuco, Cristóvão Borges falou sobre o desempenho do time e o que achou do triunfo sobre o Náutico. Mas, uma frase despertou minha atenção: ‘O jogo foi na raça, como a torcida gosta, sofrido, mas valeu a pena’.
 
Logicamente, neste espaço, não consigo representar o sentimento de grande parte dos torcedores do Bahia. Seria muita pretensão minha falar que, em poucas palavras, nem sempre aceitas por alguns, conseguiria ser uma figura capaz de simbolizar a nação tricolor. Contudo, diante do discurso do treinador, me fiz uma pergunta que gostaria de compartilhar: Quem informou a Cristóvão Borges que o torcedor do Bahia gosta de triunfos ‘na raça, sofrido’?
 
Infelizmente, por inúmeros fatores, o torcedor tricolor acostumou-se a viver situações semelhantes. Sabe por quê? Os times que nos representaram na Série A, inclusive aquele da virada histórica sobre o São Paulo, em 2011, eram ruins.  A situação financeira é desproporcional e por isso sofremos quando jogamos diante dos grandes. Ou, como foi contra o Náutico, o juiz nos prejudicou. Existem dezenas de razões que não caminham na mesma trilha da frase do comandante. Gosto de Cristóvão, apesar de ser contra a sua forma tática montar o time. Acredito que ele deve continuar para 2014, mas considerei a sua frase questionável. O torcedor do Bahia é como qualquer outro. Gosta de um bom futebol, um time organizado, que empolgue. O que não vem acontecendo faz muito tempo. E digo mais. Não é uma realidade tão distante assim porque, neste Brasileirão, vencemos Flamengo, Botafogo e Internacional de maneira superior e digna.
 
A torcida gosta de vencer, Cristóvão. Sem dúvidas. Mas, da forma que foi contra o Náutico, ela não aprova! A equipe do Bahia, mais uma vez, demonstrou que falta muita coisa para ser um bom time. Repito meu posicionamento quanto aos laterais: Madson e Raul. O primeiro não apareceu durante a partida e, ainda assim, fez mais que os outros jogos quando, ao ser solicitado, errou muito. Raul deu uma assistência, mas isso não apaga os erros defensivos. Podem observar que o Náutico, por três vezes, chegou ao ataque nas costas dele. O cruzamento não apaga os erros defensivos que, de novo, colocam em xeque o lado esquerdo. Por tabela, Titi, que não vive uma boa fase, é afetado.
 
E pode ter certeza, Cristóvão, a torcida do Bahia não gosta, como você disse, do que fizeram Hélder e Marquinhos, especialmente. O primeiro, ontem, deu uma demonstração de como não jogar ao encontrar-se brigando para não cair. Toques bonitos para trás, calcanhar na hora errada, uma postura de campeão brasileiro antecipado. O que está longe de ser. O outro, nosso camisa 10, há muito tempo não joga bem. Começou o jogo pelo lado direito, que não existiu na primeira etapa. Não foi à toa que William Barbio foi improvisado na lateral. No segundo tempo, mais centralizado, continuou igual e desapareceu na partida. A história de Marquinhos não surpreende e, pelos números, está próxima do desfecho que levou em Recife. Chegou bem no Sport, marcou gols, foi elogiado e depois sumiu. Nas últimas dez partidas lá, ele foi reserva em metade e substituído em outras três. Sem falar no jejum de gols.

Então, caro comandante, concordo que o torcedor do Bahia adora vencer. Mas, a parte do sofrido, na raça, pode deixar para outra agremiação. Os tricolores querem e merecem mais qualidade. Vencer o Náutico tirou o time da zona de rebaixamento, ótimo. Mas, na verdade, quem assistiu o jogo ficou ainda mais preocupado com o futuro da equipe. O futebol apresentado será capaz de vencer Portuguesa, Cruzeirou ou Fluminense? Torcemos que sim!

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