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Coluna

E agora?

Por Éder Ferrari

Depois de oito anos nefastos na prefeitura de Salvador, João Henrique foi condenado a devolver R$ 15 milhões aos cofres soteropolitanos. Achei a medida linda, mas não consigo entender como algo desse tipo não leva o sujeito para a cadeia. Espero não ter esse sentimento com relação à diretoria destituída do Esporte Clube Bahia. Em matéria divulgada no jornal A Tarde desta quinta-feira (12), escrita pelo brother André Uzêda, comprovou muitas desconfianças e deu ânsia de vômito ao lembrar antigos discursos “futuristas”. Um pequeno resumo do relatório da auditoria imposta pela justiça (o documento oficial tem 77 páginas) escancarou toda falta de caráter e escrúpulos dos antigos dirigentes. O desespero para não largarem o osso finalmente foi explicado com provas.
 
Imposto de renda de aspone (o senhor Sérgio Beserra, alcunhado de Kabrocha) pago pelo clube; adiantamentos de cotas de TV e patrocínios sem que a utilização dos recursos seja comprovada na contabilidade; cheques e mais cheques ao portador também sem o devido registro; nenhum registro de contrapartida da Cálcio pelos direitos de jogadores da base; nepotismo; cabide de empregos; presença da empresa de segurança do pai do ex-presidente em movimentações financeiras do clube; aumento da dívida em R$ 20 milhões só no primeiro semestre de 2013, sendo que não houve investimentos no elenco, os salários atrasavam seguidamente e ainda receberam todo o dinheiro da infeliz venda de Gabriel, etc. E isso foi um resumo apenas do período de janeiro de 2012 a junho de 2013. Imaginem o que não tem dos outros anos? 
 
A primeira medida é protocolar a expulsão do quadro de sócios do clube, de todos que tiveram participação nesses atos afundativos (Dias Gomes) do clube. E de maneira que seja um caminho sem volta! A parte criminal, o Ministério Público vai entrar em ação. Espero que aprofundem todas as denúncias e não deixem pedra sobre pedra. Torço para que também exijam a devolução dos valores comprovadamente surrupiados das sangrentas contas do Bahia. Também espero que Fernando Schimidt amplie a auditoria para os outros anos da gestão de Marcelo Guimarães Filho. Esse relatório de janeiro de 2012 a junho de 2013 praticamente obriga isso. E não se trata de revanchismo e sim de recuperar os bolsos, a credibilidade e a responsabilidade. Tudo será consequência disso!
 
Torço muito para o Bahia ser punido pelo STJD com a perda de mandos de campo devido à retardada briga das facções “organizadas” Bamor e Terror Tricolor. Talvez assim, esse quadro atual de violência, omissão e medo, comece a mudar. O futebol precisa sair desse patamar intocável. As punições precisam acorrer da mesma forma que aconteceriam a um cidadão “comum”. Ninguém suporta mais esses comandos e os argumentos pífios, na tentativa de justificar a barbárie. Assim como ninguém aguenta mais a desorganização e a elitização da Arena Fonte Nova. Na maneira que vai, daqui a pouco o Bahia será obrigado pela torcida a voltar à Pituaçu. Eu mesmo não tenho ido a Fonte...
 
O que eu temia aconteceu. O Bahia entrou de vez na briga contra o rebaixamento, assim como ocorreu em 2011 e 2012. Mais um legado de Marcelo Guimarães Filho. A nova diretoria terá de agir com urgência e critério para conseguir aparar as várias arestas do elenco. Meu receio é a falta de experiência para lidar com os melindres do futebol. Por isso que até entendo a permanência de Anderson Barros, apesar de não gostar do trabalho dele e de algumas atitudes. Preferia que trouxessem outro, mas, repito, entendo. O time perdeu a liga. Como disse no artigo anterior, a recuperação dela passa por reforços. Cristóvão tem um desafio imenso pela frente. Pode até definir que treinador ele será daqui pra frente. 
 
Uma reflexão é necessária na comissão técnica. Precisam rever coisas dos treinamentos. Por exemplo, o time falha demais nas jogadas aéreas ofensivas e defensivas. Isso precisa ser mais trabalhado. Os treinos táticos precisam ser frequentes, independente de calendário apertado. Posicionar, orientar e movimentar por uns 30, 40 minutos em todas as atividades, não vai machucar ninguém. Alternativas são necessárias e Cristóvão já provou que pode criá-las, mesmo com esse elenco reduzido e limitado. A diretoria tem prometido reforços. Acredito que só o próprio Cristóvão Borges está mais ansioso por isso que a torcida. Que venham bons nomes! #oremos 

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