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Coluna

O pegador e o zero nega

Por Éder Ferrari

O Bahia estava como aquele cara que não pega ninguém. O sujeito que anda com uma galera massa, está em todas as festas, tem várias amigas, mas era completamente “zero nega”. Quando muito pegava a figura mais feia da balada – completamente embriagada – no fim da noite. De repente, no evento mais badalado do ano, o sujeito vai e me pega uma gata! E a figura curte ficar com ele. Pronto! Naquele ambiente ele se soltou. Saiu do zero para escolher a menina que queria. Se acostumou mal e aos amigos também. O problema é que em outros ambientes, o desprezo continuava. Afinal de contas, o maluco estava gordinho, com uma cicatriz no meio da cara, desempregado e ainda faltavam alguns dentes. É preciso acreditar, mas ter os pés no chão para a realidade. 
 
Cristóvão conseguiu dar um ótimo padrão de jogo defensivo ao time, mas o elenco continua extremamente limitado. Não houve conto de fadas técnico, apesar das surpreendentes atuações de Hélder (jogou como o velho Hélder contra o Atlético-PR) e Fernandão. Ocorreu que, com a equipe organizada taticamente e a fim de jogo, a apatia foi deixada para trás e jogadores em descredito cresceram e recuperaram a bola de outros tempos. Casos, principalmente, de Marcelo Lomba e Titi. Até Rafael Donato e Fahel, inferiores aos reservas imediatos Lucas Fonseca e Feijão, respectivamente, foram bem nas duas últimas partidas. Ofensivamente é que vem o problema. 
 
Contra o Atlético Paranaense, Cristóvão não foi bem nas substituições. Por sinal, aí está o calcanhar de Aquiles do treinador. Impressionante a maneira como se complica nas escolhas no momento de reverter uma situação adversa. Com a infantil expulsão de Madson – achei exagerada, mas entendo perfeitamente o cartão vermelho – para recompor, o treinador deveria ter tirado Wallyson ou Souza (minha escolha) e não Marquinhos Gabriel. Marquinhos passou o primeiro tempo todo escorregando, mas bastava trocar a chuteira e não ele. É um cara rápido, habilidoso e que ainda tem a bola parada. O time conseguiu marcar, mas ficou completamente lento e sem saída para os contra-ataques.
 
Explico por que eu tiraria Souza. O “Caveirão” parecia desconectado do jogo. Isolado, ele não arranja nada. E, nos contra-ataques, não consegue ser eficiente sem que, pelo menos, dois caras velozes deem opções. Virou apenas mais um a defender. Também seria uma oportunidade do treinador parar de sacrificar tanto Wallyson. Ele não é Éder Luís, Cristóvão. Wallyson não é o típico centroavante, mas está longe de ser o atacante de beirada quase um meia defensivo, como vem jogando. Precisa estar mais próximo da área. Do jeito que está jogando, chega sem pernas para finalizar e acaba se desgastando com a torcida. Simplesmente, não é a dele! Dessa maneira, melhor escalar Talisca. No jogo, seria mais interessante manter Marquinhos e Wallyson com mais liberdade para atacar após a expulsão de Madson. Marquinhos recompõe melhor e Wallyson tem velocidade e chute longo.
  
No primeiro tempo, o Bahia conseguia atacar, mas sofreu bem mais riscos que no segundo. Com um a menos, se fechou bem e evitou pressão. Não me lembro de nenhuma defesa de Marcelo Lomba ou bola perigosa passando perto. O gol foi em momento de distração, com Talisca perdendo a bola por displicência e Titi e Rafael Donato mal posicionados. O que se justifica por ser uma retomada de bola na intermediária defensiva. Tivesse com onze na segunda etapa, reorganizado no intervalo da maneira que foi, a possibilidade de triunfo seria grande.  
 
Pela posição na tabela e a excelente atuação contra o Flamengo, talvez alguns torcedores tenham perdido a perspectiva da realidade do elenco tricolor. É jogar para anular o adversário e buscar os gols nos contra-ataques ou nos momentos de marcação alta. Quando se enfrenta um adversário que consegue se impor, o trabalho dificulta. O Furacão empurrou o time de Cristóvão para o campo de defesa e, com o trio ofensivo em dia ruim, ofensivamente a produção foi “zero nega”. Wallyson ainda teve uma chance clara de se armar, mas gaguejou na hora e a "menina" saiu fora. Fica o aprendizado. 
 
 Intervenção
 
Completado um mês de intervenção e várias falcatruas foram comprovadas. As últimas foram o cabide de emprego e conselheiros sendo funcionários, o que o estatuto proíbe. Por si só, mais uma prova cabal da completa irregularidade do Conselho Deliberativo, a começar pelo “presidente”, o senhor Ruy Accioly. Depois disso, com qual argumento questionam a legitimidade da intervenção? Sem ter o que falar, inventam contatos, tentam ridicularizar o interventor nomeado pela justiça, Carlos Rátis, e culpam o processo judicial por problemas criados pela diretoria destituída. Vergonha alheia define. Que a auditória cumpra o dever e esclareça as questões obscuras do clube. As eleições se aproximam e o mais importante é o Bahia e não interesses de A ou B. Os torcedores (precisam se associar) e os sócios têm de ter isso em mente!

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