Muita calma nessa hora
Quase quatro anos depois de vencer a Inglaterra, no final de 2009, a Seleção Brasileira finalmente conseguiu acabar com o jejum de não vencer os grandes do futebol mundial. Mas nem tudo foram flores na vitória por 3 a 0 diante da França. O placar pode até esconder isso, mas o time de Felipão ainda está longe do ideal. Houve evolução? Sim, mas ainda assim vi melhores momentos (não só na seleção, como no jogo em si) no empate em 2 a 2 com a Inglaterra.
Primeiro ponto a ser elogiado/destacado: Filipe Luis saiu do time titular. Felipão enxergou o que todos (nesse caso, vou generalizar, baseada no fato de não ter visto ninguém defender a titularidade do lateral do Atlético de Madrid) já haviam enxergado. Marcelo é melhor e ponto. Eu ainda não sou 100% feliz com os 11 titulares até aqui. Não sou fã de Hulk. Bato palmas e gosto da vontade, da força física dele, mas não seria titular no meu time.
Escalações à parte, alguns comentários sobre os dois jogos: o primeiro tempo contra a Inglaterra, para mim, dos jogos que assisti da seleção no comando de Felipão, foi o melhor até agora. Não teve gols, mas teve mais cara de futebol brasileiro do que os 3 a 0 contra a França, por exemplo. Aqui abro um parêntese para falar rapidinho de um dos porquês de eu amar o futebol. É um dos poucos esportes que nem sempre o melhor ganha e que, muitas vezes, a lógica vai para o espaço. Quando o Brasil caiu de produção no segundo tempo, o gol apareceu. Já na primeira etapa, a seleção, com Neymar fazendo uma das suas melhores apresentações com a camisa verde e amarela, exigiu bastante do goleiro inglês, mas saiu com um odiado 0 a 0.
O 3 a 0 contra França foi meio que o inverso. Um primeiro tempo sem muito brilho e uma segunda etapa com evolução. Mesmo nos 45 minutos iniciais, o domínio foi brasileiro. Mas faltou Oscar aparecer para armar as jogadas. O Brasil depende dele. Isso ficou claro para mim nesse jogo. Já no segundo tempo, considero que o meia foi o melhor do time. E, ao contrário do jogo contra a Inglaterra, Neymar sumiu. Decepcionou mais uma vez. Já comentei como sou fã dele e espero, até pelo bem da seleção, que isso não se repita.
Eu gostei, mais uma vez, de Hernanes. É outro jogador que quase sempre estaria em minha lista. Já achei que entrou bem contra a Inglaterra e repetiu a boa atuação contra a França. Só que não o imagino como titular. Não na cabeça de Felipão. Botar dois volantes que chegam tanto como Hernanes e Paulinho e abrir mão de Luiz Gustavo é demais para ele.
Apesar das evoluções, dos elogios, ainda me permito colocar o título desta coluna “Muita calma nessa hora”. Muita calma ao achar que chegamos ao nosso ideal. A seleção ainda não é aquela que o brasileiro, mesmo desinteressado, quer. O 3 a 0 contra a França mascara isso. Mas se a tendência é melhorar, ótimo. Acabou a “desculpa” de não ter tempo para treinar. O grupo está há duas semanas junto e continuará junto na Copa das Confederações. Agora é para valer e vencer, grande ou não grande, é essencial.
