Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote

Coluna

Prioridades e suco de maracujá

Por Éder Ferrari

Em entrevista ao jornal A Tarde, o presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho descreveu os critérios para a escolha do novo comandante. “Dentre as opções que tínhamos no mercado, e dentro das nossas possibilidades, escolhemos Joel. Por quê? Ele tem a aceitação do grupo... e contratar um treinador agora não é a mesma coisa de trazer um pro Brasileiro. O Estadual termina daqui a um mês e Joel não vai precisar de tempo pra se entrosar com jogadores, diretoria e funcionários. Ele vai chegar, empurrar porta e sentar na cadeira. Conhece todos os funcionários e 18 jogadores do atual elenco”. Então, o critério é o treinador conhecer o grupo, não interessa à qualidade ruim e os conceitos ultrapassados apresentados na última passagem, há pouco mais de um ano? De lá pra cá, a situação de Joel Santana só piorou. E a do tricolor também! Isso mostra como o planejamento tem prioridades menores e até irresponsáveis. 
 
Já admirei muito Joel Santana. Quando eu tinha 12 anos, era um ídolo! Naquele ano de 1994, o treinador, com os conceitos divertidos, ganhou um Baiano perdido e terminou o Brasileiro em sétimo, sendo eliminado em mata mata acirrado (na medida do possível) com a máquina do Palmeiras – Edmundo, Evair, Rivaldo, Cesar Sampaio, Roberto Carlos, etc. - que conquistaria o bicampeonato nacional na sequência. Pelo que lembro, Joel escalava o tricolor com Jean; Odemílson, Ronald, Samuel (Missinho) e Lima (Nilmar); Israel (Lima), Souza, Paulo Emílio e Uéslei; Raudinei (Rivelino) e Marcelo Ramos. Bons tempos eram esses, na moral! Hoje em dia, infelizmente, Joel é apenas uma caricatura mal feita do treinador que era. Restou apenas o folclore e a fanfarronice. E bem forçados, por sinal.
 
A contratação de Joel Santana apresenta algumas características da diretoria tricolor. Primeiro é ter alguém de peso e que polariza as atenções, para, de alguma maneira, tirar o foco da direção. Se der certo, méritos de quem trouxe o treinador. Do contrário, a culpa é toda de Joel. Segundo é a completa falta de memória. O “Papai” saiu do Fazendão para o Flamengo com todo mundo agradecendo. Inclusive boa parte dos dirigentes. Não falava nada com nada sobre o time, o escalava e mudava mal e ainda diminuiu e transformou o clube em chacota. Quem não lembra as polêmicas da “sardinha” e da “se BBC te chama”?  Terceiro é a completa falta de projeção do futuro a médio e longo prazo. A gestão “futurista” só pensa no próximo jogo. A explicação dada pelo presidente no primeiro parágrafo comprova isso. O retorno do técnico foi um tapa na cara do torcedor e um passo largo rumo a Segunda Divisão. Espero que a certeza do “vai dar merda” de hoje vire a piada de alívio amanhã. Afinal de contas, apesar da eterna aposta no comprovadamente errado, futebol é mais imprevisível que mulher ciumenta de TPM. 
 
Maranhão 0x2 Bahia foi uma coisa medonha! Fiquei com vergonha alheia daquele arremedo de futebol apresentado. E já era algo esperado pelas escolhas. Eduardo Barroca colocou um piano nas costas de uma tartaruga. Tenho Barroca como conhecedor de futebol, mas vítima do sistema (uma pena não ter o Capitão Nascimento). Por que não é possível que ele ache funcional o time escalado. Só por amizade mesmo para, com outras opções disponíveis, mandar aquela formação a campo. Não tem como jogar com Obina e Souza. Também não da com Fahel, Diones, Hélder e Rosales. O que Neto ainda faz no time titular? É muita “parceiragem”! Só essa palavra inexistente para justificar, com um jogador a mais, colocar Toró no lugar de Rosales. Qual era a intenção técnica e tática? O argentino estava no melhor momento em campo! 
 
E Barroca, na entrevista pós-jogo, ainda disse que sentiu falta da velocidade. Ela cai do céu, meu brother? Não existe mágica! Não se faz feijoada sem feijão! No final, não fosse à ajuda do árbitro em um show de horrores do sistema defensivo e Omar, o Maranhão tinha garantido a partida de volta. Por sinal, Marcelo Lomba merece respeito e gratidão, mas Omar parece ter atingido o nível que prometia. É muito mais completo! Como não tenho nenhuma expectativa positiva quanto a esse time e a Joel Santana, o que vier é lucro. Com muito suco de maracujá! 

Compartilhar