A arte de ridicularizar
Eu poderia tranquilamente usar o Crtl C e o Crtl V nos últimos artigos. Bastaria pescar parágrafos e teria o mesmo resultado para esse “novo” texto. Por que, realmente, tem me faltado criatividade para escrever a respeito do Bahia. Nada de novo acontece. Nada melhora. A omissão e mediocridade permanecem encrostadas no clube e, consequentemente, no time. As críticas não conseguem ser construtivas. Virou chilique. Jorginho repete Paulo Roberto Falcão. Início promissor e, em pouco tempo, o mais do mesmo pareceu hipnotizar e mudar os conceitos dos dois treinadores. Hoje, no Fazendão, parece que existe uma premissa: só vale usar o comprovadamente errado.
Essa base formada por Marcelo Lomba (o mais regular e com maior qualidade), Danny Morais, Titi, Fahel, Diones e Hélder foi formada em 2011. Souza, não fosse o jeitão tô nem aí para evitar e recuperar as lesões, fecharia o grupo. Seriam sete jogadores titulares. Sim, com essa galera, o Bahia realizou boas partidas. Entretanto, as ruins dominam. Não dá, após tanto tempo, esperar solução em cima deles. Fui muito criticado em dezembro, quando disse que, desses nomes citados, os únicos que eu faria alguma força para manter eram Marcelo Lomba e Hélder. E olhe lá! Omar tem qualidade suficiente para assumir o gol. Faltava experiência e alguns fundamentos, mas evoluiu muito. No caso de Hélder, ingenuamente, eu acreditava na volta do nível anormal daquela meia dúzia de jogos que fez após a chegada de Jorginho. Acreditei que a exceção poderia virar regra. Poucos meses depois, algumas pessoas que discordaram chegam para se desculpar. Sem querer diminuir ninguém, mas estava na cara que o limite já havia sido atingido e ultrapassado. Era e é a hora de mudar! Ainda não é tarde demais.
Parece que existe uma doutrina no Fazendão. O presidente Marcelo Guimarães Filho me confidenciou certa vez em uma conversa pós-entrevista, que jogar com três volantes é fundamental. Será que ele obriga os treinadores a armarem o time dessa forma? Em alguns casos creio que sim, mas, com relação a Falcão e Jorginho, não coloco a mão no fogo, mas não acredito. Pelo sim, pelo não, o fato é que o caminho das pedras escorregadias sempre acaba escolhido. Não sou contra utilizar um trio de volantes, desde que tenham qualidade. Contudo, tem sido uma opção deixada de lado até no ultrapassado futebol brasileiro. Hoje em dia, quem joga assim? Só os pequenos e os covardes. Atualmente os melhores são Fluminense, São Paulo, Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional, Corinthians, Botafogo e Cruzeiro, e todos usam uma dupla na “volância” (palavra criada pelo amigo Luiz Mathias).
O Bahia é facilmente desvendado. Os espaços são vistos até por quem pouco entende. Os zagueiros não saem de dentro da área e atraem meias e atacantes rivais. Os volantes tricolores, que se posicionam como um triângulo, ficam distantes uns dos outros e a entrada da área é parque de diversões dos adversários. Da mesma maneira que Rômulo deitou em berço esplendido no primeiro gol do Bahia de Feira, vários outros aproveitaram a brecha para fazer o nome. Fahel não tira os zagueiros de perto de Marcelo Lomba e nem se junta a eles para tentar ao menos fechar os espaços. Bastava à marcação ser feita um pouco mais a frente por Danny Morais e Titi ou se quiser ser defensivo, compactar zagueiros, volantes e laterais. Sinceramente, parece que não há treino nem vontade de fazer! Por que é inadmissível um time que joga junto há dois anos, seja tão desorganizado. O entrosamento e a visão dos companheiros deveriam vir até por osmose!
O segundo gol do Bahia de Feira mostrou bem isso. Vejo quase todo mundo descendo a lenha em Danny Morais. De fato, ele foi de uma delicadeza no lance, que parecia haver uma rede no meio, como no vôlei, porém, observem o que Titi faz. Ou não faz. Perdido, deixa a marcação do jogador que cruzou. Típico de quem acompanha a bola e não o desenvolvimento da jogada. Se o ex-capitão fizesse o básico, o gol não sairia. O problema do Bahia não é esquema tático e sim técnico e de sistema de jogo. Não existe, como diria Tite (treinador do Corinthians), “funcionabilidade”. Recomposição, ultrapassagens, triangulações, coberturas, tabelas e bola parada ensaiada, quando milagrosamente acontecem, parecem ter sido obra do acaso e não do treinamento. É um conjunto de culpados por esse momento patético. Pela ordem: diretoria, diretoria, diretoria, diretoria, diretoria, diretoria, comissão técnica e por fim os jogadores. Eles não botam arma na cara de ninguém, para serem contratados, escalados e mantidos após darem errado. E assim se cria a arte de ridicularizar.
