Didática neles!
Eu acho muito triste quando vejo não se criticar a torcida, só porque ela é grande ou muito representativa na audiência da mídia. Claro que a grande maioria da torcida do Bahia está isenta, não pode ser integralmente culpada de alguns episódios lamentáveis que já ocorreram, mas, por ser justamente a maior, tem um contingente também maior de torcedores intolerantemente fanáticos e que pensam tudo poder. Portanto, a crítica é pertinente.
O Sábado de Aleluia chegou e foi como se nada tivesse acontecido na Sexta-Feira Santa, quando muitos tricolores, vários deles inocentes, foram surrados pela Polícia, com cassetetes e bombas de efeito moral, pontapés nas nádegas e nas costas, muitos já caídos no chão, sem a mínima possibilidade de defesa. Os mais concorridos programas esportivos da TV local sequer repetiram as cenas já divulgadas em todo o país. Teria sido didático, teria sido uma ajuda para se evitar repetições...
Já disse – e até houve companheiros que debocharam -, que é preciso se divulgar “cartilhas” com normas de comportamento condizentes com a nova realidade da Arena Fonte Nova. Uma espécie de “didática” de massa, mostrando às torcidas o que se pode ou não pode fazer a partir de agora. Que uma arena impõe limites, porque deixa de ser um estádio a céu aberto para ser uma casa de espetáculo tipo recinto fechado, que não se delimita aos vastos anéis de concretos das praças esportivas mais rudimentares, mas um local de eventos confortável e que estabelece restrições.
A venda de ingressos, por exemplo, passou a ter outra sistemática. A maior parte da carga é pela Internet e o restante, em alguns postos, de forma organizada, sem disputa desenfreada e descabida, na tora como se diz na gíria. Quando se esgotam as entradas para qualquer espetáculo o correto é que o cidadão volte para sua casa e se planeje melhor para o próximo evento.
Os próprios clubes, especialmente Bahia e Vitória, detentores das duas maiores torcidas do Estado, têm que orientar exaustivamente os seus torcedores. O Bahia, principalmente, porque tem sido vítima da incúria e da intolerância. Lembram-se quando teve que jogar toda uma divisão de Brasileiro em estádios do interior, fora de Salvador? Porque não podemos simplesmente dizer que a PM foi violenta ou desproporcional com suas atitudes de repressão.
O que realmente está carecendo urgência é uma campanha educativa direcionada aos nossos torcedores. Mostrando que o esporte tem o seu lado competitivo, mas, acima de tudo, servirá sempre como instrumento de exercício de cidadania, respeito às instituições, aos adversários e aos regulamentos de convivência social.
Portanto, didática neles, tricolores e rubro-negros ou torcedores de todas as cores!
