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Marca Bahia Notícias Holofote

Coluna

Teletransporte

Por Éder Ferrari

Engraçado como um gol, um bom jogo, alguns lançamentos, têm o dom de mudar tudo. O sujeito usa o teletransporte para ir do inferno ao céu em milésimos de segundos. Parece até coisa de Dragon Ball. E a torcida do Bahia, particularmente, é formada por um exército com milhões de Goku`s (protagonista do desenho animado japonês citado). Ídolos e peças fundamentais para o time são forjados acima da velocidade da luz. Um jogador transforma a descrença em esperança. E assim, a Juazeirense vira o Corinthians. Todo esse início confuso de texto é para pedir um pouco mais de calma aos torcedores. Paulo Rosales comprovou ter a qualidade técnica apresentada aos tricolores pelo Youtube, mas não quer dizer que o argentino seja decisivo e participativo com regularidade. Afinal de contas, se com todo esse potencial não conseguiu se firmar de fato aos 29 anos, uma boa dose de cautela é bem vinda.
 
Em outros tempos, Léo Medeiros seria o Gerson do Fazendão. Vi Hélton Luiz ser taxado de “o meia que o Bahia procura desde Robert”. Por sinal, já virou um clichê desgastante essa busca pelo camisa 10 para ser dono do time. O futebol atual não é dependente desse conceito. Foi provado por outro que deixou tricolores arrepiados nos primeiros jogos: o colombiano Tressor Moreno. Deixo claro que não estou comparando esses jogadores com Rosales e sim o pensamento da torcida. O “Rolocontressor” destruiu adversários praticamente amadores e deixou a falsa ilusão de ser ainda o grande jogador que foi nos anos áureos. A primeira impressão deixada por ele até hoje traz lamentos saudosistas a alguns torcedores. Realmente, poderia ser mais utilizado, porém o perfil de jogar parado não se encaixava na necessidade de operários daquele elenco. E, com aquele estilo de jogo, dificilmente conseguiria sequência até mesmo em uma equipe organizada da Série A.
 
Vamos deixar o passado para trás e visualizar presente e futuro. Rosales se movimenta bem, tem visão de jogo e passes com qualidade de assistências. Meu receio é que ele seja daqueles que se escondem do jogo. Com esse esquema tático atual, o argentino será muito exigido e terá de ser participativo os 90 minutos. É uma certeza que ele será sobrecarregado na armação, com os volantes e os laterais atuais. As coisas podem facilitar para Rosales, caso Jorginho mantenha a opção utilizada contra o Juazeirense. Com Marquinhos, Talisca (meu escolhido) e, por que não, futuramente Freddy Adu, o time deverá ganhar velocidade, habilidade e agilidade. Caso Jorginho abra mão do posicionamento absurdamente recuado dos zagueiros e volantes, jogo pode se desenvolver melhor. 
 
Tecnicamente o tricolor deixa muito a desejar, entretanto, caso consiga se organizar, recuperar o sistema de jogo do início do trabalho de Jorginho, o sofrimento e o desgosto não seriam tão grandes como atualmente. O treinador precisa acordar! É inaceitável ser dominado taticamente pelo Juazeirense após tanto tempo para trabalhar a equipe coletivamente. O ritmo de jogo não pode ser usado como desculpa. A escolha de ficar apenas treinando sem fazer amistosos foi do próprio Bahia. Hoje, o Tricolor não tem uma referência técnica, alguém que realmente faça falta em caso de ausência. O reserva sempre é a solução até virar titular. Para o Brasileiro, muita coisa precisa mudar para qualificar o elenco. Como não há mudanças à vista, por enquanto, fica a torcida para Rosales ser a referência de fato e não um novo Léo Medeiros, que foi apenas mais uma ilusão do Campeonato Baiano. 

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