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Coluna

40 ou quatro dias?

Por Éder Ferrari

Sou otimista, mas não esperava muita evolução desse período parado do Bahia - por pura incapacidade. Afinal de contas, é quase impossível imaginar que Neto, Brinner, Titi, Jussandro, Fahel, Diones e Hélder evoluiriam tecnicamente em 40 dias de treinos. O elenco continuou sendo muito ruim, independente dos poucos reforços significativos. Rosales, Adriano Michael Jackson e Obina estavam parados por, pelo menos, três meses e meio e eram reservas nos antigos clubes. Obviamente faltou ritmo de jogo, tempo de bola e entrosamento. O que entra outro ponto injustificável desse período de desleixo. Como você monta uma nova linha de frente e sequer a treina em amistosos? Sabe aquela máxima de que treino é treino jogo é jogo? Faz diferença! 
 
Todo o covarde e medíocre sistema de jogo tricolor é voltado para que os três da frente resolvam. Mesmo que não fossem novatos no elenco, ainda procuro sentido em fazer um único jogo treino – contra uma equipe amadora – em todo esse tempo de ostracismo. Foi uma farra do boi e não um teste verdadeiro. Em todas as rodadas do Baianinho, um clube folgava. A meu ver, os dirigentes devem ter pensado em economia de palito e/ou medo de perder para times nanicos do estado. Ou será que a própria comissão técnica preferiu ficar nessa pasmaceira de preparação? Pelo sim, pelo não, foram 40 dias que caberiam em quatro. Fico impressionado com a capacidade de quase sempre ir pelo pior caminho do pessoal do Fazendão.
 
Nesses 40 dias não tive a oportunidade de observar os treinamentos no Fazendão, mas acompanhava diariamente as informações e conversava com alguns amigos setoristas. E a impressão que eu tinha foi confirmada no injusto empate – para os donos da casa - contra o Conquista. Em nenhum momento Jorginho buscou alternativas para o precário e defasado esquema tático tricolor. O máximo que ele fez foi testar opções de substituições para o decorrer das partidas. Se tecnicamente a criação é praticamente inexistente, o treinador tinha a obrigação de criar variações de sistema. Nada é mais comprovado nesse elenco que a ineficácia desse triângulo de volantes. Será que a reta final do Brasileiro e o fracasso na Copa do Nordeste não serviram de nada para diretoria e comissão técnica? Continuar com essa parcimônia só levará os torcedores a sofrimentos maiores. Sinceramente, isso não é confiança no planejamento e sim teimosia! 
 
Fahel não consegue fechar a entrada da área e tem uma saída de bola digna de pé de chumbo. Compensa com raça, liderança e gols. Para a função dele é pouco. Hélder teve um período iluminado de uns seis jogos, contudo já voltou à ferradura normal. E ainda deu chilique por tomar um drible e agrediu o adversário. Deveria ter sido expulso! Quando ele aplica chapéu nos caras, não o vejo reclamar. O fantasminha camarada, Diones, só foi visto quando substituído. Não dá mais pra jogar com os três. Não dá! A situação fica ainda pior quando se olha as laterais. Jussandro, em péssimo momento, é deixado às traças na esquerda. Não há cobertura e nem um/dois quando apoia ao ataque. Por vezes, ele é quem sai para cobrir Hélder no meio de campo. Deveria ser o contrário. Mapa da mina dos adversários. Pela direita, Neto, o ilusionista, não faz ultrapassagens, marca mal, só sai para o jogo se livrando da bola e é lento. Faz uma pose retada para cobrar as bolas paradas e a torcida fica boba. Prefiro Madson!
 
Se Danny Morais não empolga e por vezes irrita, ainda consegue ser mais eficiente e consistente que Brinner. Não entendi essa troca feita por Jorginho. Vejo mais como uma tentativa de dar uma resposta do que pela busca de solução. Do sistema defensivo, gostei apenas da faixa de capitão ter ido para Fahel. O trio ofensivo, desentrosado e isolado do resto do time, não deu para ser tão bem avaliado e cobrado. Rosales mostrou ter visão de jogo e qualidade no passe, apesar de ter sido tímido e até lento. Adriano foi fominha e desconectado do resto da equipe. Deu chutes completamente sem sentido e direção. Obina é esforçado e prende bem a zaga, mas não pode sair tanto da área. Isso sem falar que ainda tem alguns bons quilos para perder, porém, como Souza parece não estar mais interessado, Obina deve ter sequência para entrar em forma. 
 
E olha que eu estou falando tudo isso pensando apenas em Campeonato Baiano. Para o Brasileiro, meu Deus! Como o elenco não vai mudar para esses menos de dois meses de estadual, vejo algumas soluções simples para tentar arrumar e melhorar a qualidade técnica do time. Obviamente, falarei em cima do que Jorginho apresenta e não da minha vontade. Pela minha, seria quase tudo diferente, a começar por esses desperdiçados 40 dias. E não me entendam mal. É apenas uma observação crítica e não tentativa de ser dono da verdade ou treinador. Poderia dar errado do mesmo jeito, mas chegou a hora de mudar, nem que seja minimamente. 
 
Como acho praticamente impossível Neto perder a posição, pelo menos levaria sempre Madson no banco. Danny no lugar de Brinner. A principal seria no meio de campo. A depender do jogo e do melhor encaixe, entraria com Anderson Talisca ou Marquinhos no lugar de Diones. Com o primeiro, manteria o padrão tático atual, mas melhoria o poder de fogo e a qualidade técnica. Talisca às vezes peca pelo excesso, enquanto Diones pela omissão. Prefiro errar a não tentar! Já com Marquinhos, no ataque pela direita, o time mudaria a postura e seria, teoricamente, mais agressivo pelos lados, podendo variar o posicionamento com Adriano. Também passaria a observar Anderson Melo de verdade. Conhece melhor a função de segundo volante que todos os experientes. E ainda é mais técnico, habilidoso e marca mais. Só precisaria saber se realmente está pronto física e psicologicamente para ser, de fato, utilizado. Ainda é muito novo. Parece fácil e com todo esse tempo jogado fora para manter os erros de sempre, deve ser mesmo.

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