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Coluna

Triste realidade

Por Éder Ferrari

Nós, torcedores baianos, sempre nos orgulhamos de ter o “maior clássico do norte/nordeste”, da força do nosso futebol. “Caiu na Fonte, é pau!”. O Barradão era o “Barraquistão”. Os dois títulos nacionais do Bahia representavam um balde de água frio nos grandes do sul e sudeste do país. Era como um recado: “olhem, se derem mole, a gente chega chegando!”. Éramos fortes, ousados, mas não soubemos aproveitar as chances. O trem passou várias vezes para Bahia e Vitória, mas preferiram abraçar o metrô de Salvador. Parados no tempo, enferrujando, com o percurso limitado a meia dúzia de estações. As grandes distâncias, cada vez mais, viraram coisa do passado. As conquistas do Bahia hoje, nacionalmente, representam praticamente o mesmo que os títulos do Botafogo no Campeonato Baiano. Um simpático grande do passado.
 
Bahia e Vitória, os dois únicos representantes do Nordeste na Primeira Divisão na disputa do regional – o Náutico não conseguiu a vaga – foram eliminados de maneira humilhante. A parte tricolor já estava resignada. A diretoria, para justificar contratos longos com jogadores claramente em fim de carreira, usou o argumento de manter a base. É mais fácil apostar em uma improvável reviravolta, do que assumir os erros e pagar rescisões faraônicas. A criatividade no mercado, que a diretoria tanto adora dizer que está, é quase zero! Os reforços, que seriam quatro ou cinco pontuais, viraram dez, sendo que no máximo 1/3 tem perspectiva de, talvez, virarem titulares. Todos eles, ou eram reservas, estavam desempregados ou encostados. Não precisa ser nenhum estudioso do mundo boleiro, para saber que o caro elenco é baseado em apostas de recuperação. A vida, na maioria das vezes, não permite clichês de filmes hollywoldianos. Esperar que uns dez jogadores voltassem a ser o que eram de, pelo menos, três anos para trás, é arriscar demais e pedir para ser eliminado por ABC, Ceará e Itabaiana. A Série B é bem ali! Que Jorginho ou um bem provável substituto, vire um Steven Spielberg.
 
No lado rubro-negro o que mais vi foi oba oba pelas contratações. Parecia que estavam montando uma máquina, cheia de craques. Longe disso! Com boa vontade, as exceções de Luiz Alberto, Escudero e, talvez, Renato Cajá e Cáceres, foram todas contratações de Série B. Quando se soma a isso o fato de ter perdido vários jogadores importantes de 2012, como Uelinton, Elton, William e Pedro Ken a coisa fica rasteira. Como disse a meu pai e meu irmão, rubro-negros ferrenhos, “não se deixem levar por essa euforia. O elenco montado é ruim!”.  A cereja do bolo tinha chegado antes. Caio Júnior, de passagem horrível pelo Bahia apenas uns poucos meses antes, foi empurrado goela abaixo como um grande mago. Foi à prova cabal, para mim, que não acompanham futebol: preferem acreditar em indicações. E nessa toada vamos nos satisfazendo com sobras, pegando e pagando por brita achando ser ouro. 
 
Quais as últimas alegrias próprias de tricolores e rubro-negros? Voltar para a Primeira Divisão, sem dúvidas! O Bahia pode falar do título Baiano após 200 anos sem ganhar, mas Colo Colo e Bahia de Feira também o venceram recentemente. Foi mais uma obrigação, um alívio, do que alegria legítima. Nossos finais de semana são sempre salvos pela desgraça do outro. Viramos medíocres espíritos de porco! Não que sacanear o rival seja errado, mas viver basicamente disso é triste. Temos torcida, dinheiro (sim, temos!) e histórico na formação de atletas. Os dirigentes precisam mostrar competência, ousadia, conhecimento e ambição ou dar vez a outros. Por que essa atitude de posse e ego pelo poder? Potencial para crescer os clubes têm! Temos de viver mais do mérito próprio do que de o demérito do rival! E olhe que nem falei sobre o Feirense e a utópica terceira força. Nossa realidade é triste!

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