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Coluna

Resignado

Por Éder Ferrari

Costumo ser um otimista inveterado. Pode ser a carniça que for, mas sempre acredito na possibilidade de dar certo. Sou daqueles que se o time estiver perdendo de 2x0 aos 45 do segundo tempo, fica na expectativa do empate. São poucas as coisas que me fazem perder o otimismo como vem acontecendo com o Bahia. Mesmo que não seja por completo, estou resignado com o time e o clube. Para ser sincero, tenho assistido aos jogos mais por obrigação do que prazer. E isso vem desde o ano passado. Aliás, desde muito tempo! Foram poucas as vezes que deu gosto de ver esse grupo jogar. Como falei uns artigos atrás, não por mérito, esse time vai vencer algumas partidas e provavelmente chegar às cabeças no Nordestão e no Baiano, mas pela completa falta de qualidade dos adversários. Ainda assim, consegue se complicar com o Itabaiana e ABC e perder para o Ceará, em Pituaçu. Equipes, hoje, de nível Série D e C.
 
Ao final do Brasileiro de 2012, escrevi um artigo analisando o elenco. Fiz uma projeção de quem eu manteria para 2013. Continuo sem mudar uma vírgula daquelas análises! Gosto de observar os debates dos torcedores nas redes sociais. De certa forma, me serve de parâmetro para saber como anda o pensamento da galera. Tem horas que, na moral, dá vontade de jogar pra cima e deixar de lado. Desculpem a generalização, mas boa parte dos tricolores abraçou a mediocridade instaurada no clube. Só o resultado importa, independente do adversário, das falhas apresentadas, da areia movediça a frente e do motor sem força para sair do pé da ladeira. Vejo pessoas colocarem Fahel, Titi, Souza, Neto e Hélder em patamares de ídolos, praticamente. Acho que muitos desses torcedores têm a mesma visão do mascote tricolor (Super Homem), por que enxergam coisas inacreditáveis! 
 
E não estou me precipitando. Tenho consciência de ser apenas o início da temporada e esse mesmo grupo vai conseguir render melhor, mas o histórico desses atletas me leva ao desgosto na projeção da hora do vamos ver (competições nacionais). Não é por ter apenas isso disponível, que vou superestimar! A diretoria e os jogadores estão Bahia e não são o Bahia. Não se ofendam se alguém julgar pior do que os outros. Naturalmente, torcedores tendem a ser paternalistas, no entanto é preciso acordar para não pensar que o ruim é bom, só por que poderia estar pior. Esse grupo já provou que não vai brigar por nada além de um Campeonato Baiano, que conquistou sem vencer ao menos uma vez o maior rival em quatro jogos! 
 
A culpa não é dos jogadores e sim de quem os contratou e os mantêm. A diretoria é que conservou esse grupo ruim e ainda o reforçou com jogadores de histórico de médio e curto prazo desanimador. Problemas financeiros não podem ser usados como desculpa! Além de já ter folha salarial suficiente para trazer jogadores mais qualificados e ambiciosos, se limitam aos atuais recursos por que querem! Pela milésima vez falo: cadê o marketing e um plano de associação com bom senso? O Internacional fatura R$ 5 milhões/mês com os sócios. O Inter não é, como diz o presidente Marcelo Guimarães Filho, o espelho para essas coisas de estatuto? No mínimo uma incoerência, né? Não sabemos de nada! 
 
Para não deixar passar, como disse meu amigo Luiz Mathias, não dá para entender Jorginho. Ele reclama da falta de velocidade do time ofensivamente, mas escala Neto, Fahel, Diones, Kléberson e Jéferson ao mesmo tempo. Não existem alternativas e variações. O time é amarrado, pesado e nem mesmo a experiência desses caras parece contar. Troca de passes na transição defesa, meio de campo e ataque inexiste. Tem de haver aproximação dos setores. Coisa que não ocorre desde o ano passado. O treinador precisa saber dosar as características, mesmo com o rodízio, que acho correto. Se o meio é pesado, é preciso jogadas pelos lados. Com Neto e Jussandro as ultrapassagens são sempre lentas e as jogadas saem da intermediária. Sem falar no momento ruim que passa o lateral esquerdo. O direito é quase sempre com o freio de mão puxado. Convencionou-se que ele é diferenciado. Não é! Nas entrevistas, Jorginho já se mostra resignado, buscando argumentos para justificar o que todos sabem. O treinador parece de cansado. Eu também! 

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