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Coluna

Antigas e primeiras impressões

Por Éder Ferrari

Início de temporada é sempre muito complicado tirar conclusões. Os jogadores estão ainda sem ritmo de jogo e desentrosados, apesar da base mantida no caso tricolor. No entanto, justamente por ter mantido quase todos os titulares da depressiva campanha do Brasileiro de 2012, as impressões chegam mais rápido. Não é tão difícil e nem covarde identificar os velhos erros e carências, enquanto os méritos demoram mais de voltar ou serem criados. Principalmente quando o elo ofensivo do esquema tático é quebrado. O posicionamento é o mesmo, mas falta Gabriel e Hélder. Sim, eu sei que Hélder jogou contra o ABC, mas foi o improdutivo de outros tempos e não o diferenciado do segundo turno do nacional. Espero que a máscara apresentada seja apenas um disfarce para a falta de tempo de bola. 
 
Quando Marcelo Lomba pegará um pênalti? É um grande goleiro, mas essa deficiência é irritante! Duas horas antes de o cobrador bater na bola, ele já pulou para o lado direito. Ricardo Palmeira (preparador de goleiros), vamos trabalhar forte isso aí! Veja na Copa São Paulo como um goleiro também bom em penalidades faz a diferença. Você conhece! O sistema defensivo não voltou com o entrosamento que eu imaginava. A recomposição está bem ruim e a cobertura também começou mal – já era bem mais ou menos -, porém, nisso aí, coloco a questão do início de temporada, mesmo tendo muitas restrições aos jogadores do setor individualmente. Fahel segue se destacando mais no ataque do que na marcação. Diones não deixou de ser um fantasminha camarada. Titi, como em 2011 e 2012, iniciou devagar a temporada. Falhou nos dois gols do Itabaiana e o pênalti do ABC, mesmo inexistente, foi em cima dele, que deu espaço demais para o adversário. Danny Morais é aquilo mesmo. 
 
Nas laterais, o endeusado Neto mostrou, mais uma vez, um futebol apenas cumpridor de função. Apesar dos méritos técnicos, dali nunca sairá o desafogamento necessário para o meio de campo pouco criativo. O posicionamento e o toque qualificado na bola contam a favor do lateral direito , entretanto é um jogador lento e sem recurso do drible. Do outro lado, infelizmente, Jussandro parece não ter recuperado as energias nas férias. Mesmo magrinho, segue com a perna pesada da reta final de 2012. Apesar de não contar com uma cobertura eficiente de Fahel e Titi, Jussandro deixa muitos espaços no setor. A bola parece que queima nos pés do jovem lateral. Essa é a hora de mostrar se será apenas útil ao elenco ou um titular incontestável. Num parâmetro entre 2012 e esses dois jogos de 2013, a tendência é Magal (?) ganhar a posição. 
 
Ofensivamente, o Bahia sofre a mesma deficiência do ano passado. Os três jogadores de frente ficam afastados. Talisca bem aberto pela direita, Magno pela esquerda e Souza centralizado e mais avançado. Esse posicionamento força a saída da área do atacante. Como os outros dois não são velozes, as ultrapassagens não ocorrem. Jorginho sabe disso e está sempre pedindo jogadores de velocidade a diretoria. Contudo, esse afastamento é culpa dele. É preciso deixar o trio ofensivo mais próximo, uma vez que os outros setores pouco chegam ao ataque. Entra na conta a falta de ritmo. Talisca vai demorar um pouquinho para encaixar na marcação e ritmo de jogo do profissional. Fora o entrosamento. Mas já mostrou que tem tudo para não ser apenas mais um. Espero que a lesão não tenha sido grave. Souza ainda está em ritmo de férias. Isolado, então, complica!
 
Magno é um caso a parte. Já cobrei muito esse jogador, por achar que tem qualidade técnica diferenciada. Por isso me irrita a omissão! Abraça o jogo, meu velho! Achei o pensamento de Jorginho de usá-lo um pouco mais avançado interessante, contudo o tiro saiu pela culatra. Se já sumia das partidas quando era forçado a participar de muitas jogadas, imagina nessa nova função, que o deixa isolado do resto do time? Só não digo que passou despercebido nos dois jogos, por não ter dado seguimento as jogadas e aos contra-ataques. Pelo visto, o empréstimo para o Ceará não ajudou a amadurecê-lo. Chegou à vez de dar uma chance a Ítalo Melo desde o início. Aliás, impressionante como ele e Anderson Melo deram outra movimentação ao time, apesar da desorganização tática e cansaço do momento. Com calma, paciência e orientação, os três guris vão dar o que falar. Para mim, é questão de tempo!
 
Douglas, Magal, Demerson, Brinner, Toró, Thuram, Obina e as possibilidades próximas de Paulo Rosales e Adriano “Michael Jackson”. Esses são os contratados do Bahia até aqui para a temporada. Soluções ou gorduras para o elenco? Gosto de falar caso a caso. Não conheço Douglas, Brinner (vi jogar poucas vezes), Thuram e Rosales e prefiro esperar a falar através dos outros. Magal foi bem no Americana (Guaratinguetá), mas foi mal no Flamengo. Acompanhei nos dois e é um jogador razoável. Sei que é pouco, porém se colocar a cabeça no lugar pode ajudar. Espero que a marra flamenguista tenha ficado por lá. Pensando bem, não contratava! Demerson tem velocidade e é bom jogo aéreo. É o chamado zagueiro/zagueiro. Teoricamente, foi um bom reforço! Toró tem apelido de chuva, mas gosta de outra água, se é que você me entende. Vamos ver se consegue, pelo menos, chegar ao peso ideal. Eu não traria! Já Adriano teve uma passagem épica pelo Bahia e fez um grande jogo pelo Palmeiras. O sucesso da carreira se resume a esses dois momentos, mas pelo histórico tricolor, vale a aposta, a depender do custo. Obina sempre foi uma incógnita para mim. Talvez o folclore criado em torno dele, tenha causado essa dúvida. Mas é inegável que já mostrou eficiência. Jorginho o conhece bem e, no frigir dos ovos, com certeza é uma sombra melhor à Souza que Júnior e Ciro. É suficiente? Não sei se contrataria...

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