Bahia tem nove estrangeiros e cinco contratos que atravessam redução prevista pela CBF; veja levantamento
A redução gradual do limite de jogadores estrangeiros relacionados por partida no Campeonato Brasileiro pode atingir diretamente o planejamento de elenco do Bahia nos próximos anos. Com a mudança aprovada pela maioria dos clubes, o teto cairá dos atuais nove atletas até chegar a cinco em 2030.
Diante do novo cenário, o Bahia Notícias realizou um levantamento sobre a presença e a utilização dos estrangeiros no atual elenco tricolor.
O Bahia foi um dos três clubes que votaram contra a mudança, ao lado de Londrina e Flamengo. Representante do Esquadrão na reunião, o diretor de Operações e Relações Institucionais, Vitor Ferraz, explicou que o posicionamento está relacionado à estratégia esportiva e de mercado adotada pelo clube.
“O posicionamento do Bahia é por entender que a estratégia do clube passa pela oportunidade de trazer atletas estrangeiros quando entender que é o caso.”
Atualmente, nove dos 29 jogadores que compõem o plantel profissional do Bahia nasceram fora do Brasil. O número corresponde a 31,03% do elenco.
A maioria é sul-americana. O Uruguai aparece representado por Nicolás Acevedo, Kike Olivera e Michel Araújo. Da Argentina estão Alejo Véliz, Guido Herrera, Román Gómez, Mateo Sanabria e Lautaro López. O espanhol Marco Moreno completa a lista.

Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia
ESTRANGEIROS TÊM PAPEL IMPORTANTE NO TIME
A presença internacional no elenco não se resume ao número de jogadores. Parte significativa dos estrangeiros ocupa funções importantes dentro da equipe de Rogério Ceni.
Entre os titulares aparecem Nicolás Acevedo, capitão da equipe e líder de desarmes do Bahia no Campeonato Brasileiro; Alejo Véliz, que chegou ao clube e rapidamente assumiu a referência do ataque; e Kike Olivera, novamente consolidado como peça recorrente no time.
Román Gómez também teve utilização elevada desde que chegou ao clube. O lateral-direito disputou 20 partidas, sendo titular em 19.
Michel Araújo e Mateo Sanabria aparecem entre as principais alternativas utilizadas por Rogério Ceni durante os jogos. Michel soma 17 partidas saindo do banco de reservas, enquanto Sanabria foi acionado como suplente em 12 oportunidades.
Desta forma, seis dos nove estrangeiros do atual elenco possuem participação frequente nas escalações e substituições do treinador: Acevedo, Alejo, Kike, Román, Michel e Sanabria.

Foto: Letícia Martins/EC Bahia.
TRÊS AINDA AGUARDAM ESTREIA
Na outra ponta estão três jogadores que ainda não entraram em campo pelo Bahia. Curiosamente, todos chegaram durante a segunda janela de transferências de 2026: Guido Herrera, Lautaro López e Marco Moreno.
Após a derrota para o Athletico-PR, Rogério Ceni comentou sobre a adaptação dos dois últimos e indicou que ambos poderão receber oportunidades na sequência da temporada.
“Lautaro está há pouquíssimo tempo com a gente. Muita qualidade técnica, precisa trabalhar a parte física. Para mim é um 5, não um 8. Para primeiro volante temos Nico e Caio, ele vai trabalhar e vamos colocar ele para jogar em uma hora ou outra. Marco [Moreno] é um jogador interessante, vamos ter jogos seguidos, vai ser uma boa oportunidade para ter ele descansado. Acho que pode ter uma oportunidade nessa próxima janela de dois jogos”, afirmou o treinador.

Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia.
CINCO CONTRATOS CHEGAM A 2030
Outro ponto que chama atenção está na duração dos contratos. Acevedo e Alejo Véliz possuem vínculo com o Bahia até dezembro de 2031. Marco Moreno também tem contrato longo, válido até julho de 2031.
Román Gómez e Mateo Sanabria, por sua vez, têm vínculos até o fim de 2030. Ou seja, cinco estrangeiros do atual elenco possuem contratos que alcançam 2030 ou ultrapassam esse período, justamente o ano em que, pelo cronograma aprovado, o limite de estrangeiros relacionados deverá chegar a cinco.
Isso não significa que os cinco necessariamente permanecerão no elenco até lá, mas evidencia como a redução poderá precisar ser considerada pelo Bahia nas decisões futuras de mercado.
Michel Araújo possui contrato até dezembro de 2028, enquanto Guido Herrera tem vínculo até o fim de 2027. Kike Olivera e Lautaro López estão emprestados ao Bahia somente até dezembro de 2026.

Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia.
VEJA OS ESTRANGEIROS DO BAHIA:
Nicolás Acevedo
Contrato: 31/12/2031
Jogos como titular: 108
Minutos em campo desde a chegada: 10.007
Alejo Véliz
Contrato: 31/12/2031
Jogos como titular: 9
Minutos em campo desde a chegada: 773
Román Gómez
Contrato: 31/12/2030
Jogos como titular: 19
Minutos em campo desde a chegada: 1.619
Michel Araújo
Contrato: 31/12/2028
Jogos como titular: 23
Minutos em campo desde a chegada: 2.336
Kike Olivera
Contrato: empréstimo até 31/12/2026
Jogos como titular: 20
Minutos em campo desde a chegada: 1.693
Mateo Sanabria
Contrato: 31/12/2030
Jogos como titular: 11
Minutos em campo desde a chegada: 1.126
Marco Moreno
Contrato: 31/07/2031
Jogos como titular: ainda não estreou
Minutos em campo: 0
Guido Herrera
Contrato: 31/12/2027
Jogos como titular: ainda não estreou
Minutos em campo: 0
Lautaro López
Contrato: empréstimo até 31/12/2026
Jogos como titular: ainda não estreou
Minutos em campo: 0
A NATURALIZAÇÃO É UM CAMINHO?
Paralelamente à mudança aprovada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nesta semana, dois dos atletas que atualmente ocupam vagas destinadas a estrangeiros reúnem condições previstas pela legislação brasileira para solicitar a naturalização.
Para efeito da norma, um atleta nascido fora do país deixa de ocupar uma dessas vagas caso obtenha a nacionalidade brasileira e tenha a nova condição registrada.
Pela legislação brasileira, a naturalização ordinária exige, em regra, quatro anos de residência no país, além de capacidade civil, comunicação em língua portuguesa e ausência de condenação penal, ressalvados os casos de reabilitação. O Ministério da Justiça exige ainda documentação que comprove o período de residência considerado no processo.
Existem situações em que o prazo pode ser reduzido. O período cai para um ano para quem possui filho brasileiro, mantém casamento ou união estável com brasileiro ou é originário de país de língua portuguesa.
Também há previsão de redução para dois anos em situações como prestação de serviço relevante ao Brasil ou recomendação por capacidade profissional, científica ou artística. Nesses casos, a avaliação cabe ao Departamento de Migrações da Secretaria Nacional de Justiça.
O tempo de atuação no futebol brasileiro, contudo, não comprova sozinho que o jogador atende ao requisito de residência exigido no processo. A situação depende do histórico migratório e da documentação individual de cada atleta.
