Cadu Santoro explica venda de Mingo, projeta movimentações de 2027 e comenta cenário do Sub-20
O diretor de futebol do Bahia, Cadu Santoro, concedeu entrevista coletiva na manhã deste sábado (12), no CT Evaristo de Macedo, um dia após o encerramento da janela de transferências do futebol brasileiro. Entre os principais assuntos abordados pelo dirigente esteve a saída do zagueiro Ramos Mingo, negociado com o América, do México, por cerca de R$ 51 milhões.
O Bahia havia contratado o argentino por aproximadamente R$ 25 milhões, em janeiro de 2025, e manteve 20% dos direitos econômicos do jogador após a negociação. Cadu Santoro admitiu que preferia a permanência do defensor, mas explicou que a proposta mexicana atingiu um patamar considerado aceitável dentro dos critérios adotados pelo Grupo City.
“Na operação de Ramos Mingo o meu sentimento é de que não queria perder o atleta, o Rogério (Ceni) é quem ficou mais chateado com a saída, porque ao tirar um atleta titular nenhum treinador fica feliz. Infelizmente temos que tomar decisões que muitas vezes não nos deixam felizes, mas precisamos pensar na saúde financeira do clube”, definiu.
Apesar da saída de um dos titulares da equipe, o Bahia decidiu não buscar uma reposição de emergência. Segundo o dirigente, o entendimento interno é de que o elenco possui alternativas suficientes para completar a temporada, deixando uma eventual contratação para o planejamento de 2027.
“Estávamos seguros de que não faríamos uma reposição de urgência por termos qualidade no elenco atual, jogadores que podem suprir até o final do ano e fazer uma nova avaliação. Por esses motivos, tomamos a decisão de aceitar essa oferta que mostra mais uma vez a valorização de um ativo que compramos por um valor e vendemos por um valor maior”, comentou.
Ao analisar a política de contratações do Bahia desde a chegada do Grupo City, Cadu Santoro afirmou que o clube passou por diferentes momentos dentro do projeto. O dirigente lembrou que 2023 foi tratado internamente como o “ano zero”, com prioridade para a permanência na Série A, enquanto 2024 marcou uma janela de investimentos mais significativa na montagem do elenco.
“Quando chegamos (Grupo City) aqui em 2023, que chamávamos de “ano zero” do projeto, era um ano de manutenção de Série A. Sempre falamos isso de uma forma muito clara. Depois conseguimos alcançar esse objetivo, não foi como o esperado, mas conseguimos. Em 2024 fizemos uma janela bem agressiva no sentido de trazer atletas para que a gente pudesse dar um salto, e depois, naturalmente, você vai fazendo movimentos de tentativa de melhora de elenco”, relatou.
Na sequência, o diretor contestou a ideia de que o Bahia tenha recursos ilimitados para contratar e afirmou que o clube precisa manter uma relação entre investimentos, receitas e desempenho esportivo. Segundo Cadu, os números de 2025 colocam o Tricolor com a 14ª maior receita e a 12ª folha salarial da Série A.
“Tem algumas informações que eu enxergo como importantes, porque, infelizmente, se comunica algumas vezes que o dinheiro é infinito ou que a gente vai sair contratando independente do custo para poder atingir o objetivo em curtíssimo prazo. Hoje o Bahia possui a 14ª receita e a 12ª folha da Série A, considerando os números de 2025, e estamos há 59 rodadas no G-8. Acho que isso mostra que estamos performando acima da receita e da folha do clube, isso é importante de falar”, iniciou.
“Existe um salto grande para que a gente esteja em um outro bloco do campeonato, que é o grupo de quem briga no primeiro e segundo lugar de forma regular. Precisamos continuar crescendo o clube em termos de receita para que a gente chegue ali, e se estamos na situação atual, também é porque o CFG investe bastante. Caso contrário, seguramente estaríamos abaixo na tabela. Isso mostra que, apesar de algumas críticas, existem acertos nas contratações e muito trabalho de uma comissão técnica competente que foi muito questionada em momentos de oscilação”, completou.
A janela de transferências do meio do ano teve o atacante Alejo Véliz como principal investimento do Bahia. O argentino foi contratado em definitivo junto ao Tottenham e assinou vínculo até 2031. O clube também trouxe o zagueiro Marco Moreno, o goleiro Guido Herrera e, já próximo do fechamento da janela, acertou o empréstimo do volante argentino Lautaro López. Entre as saídas, estiveram nomes como Gilberto, Marcos Felipe, Iago Borduchi, Gabriel Xavier e, por fim, Ramos Mingo.
“É muito relativo o que é ser agressivo. Hoje nós temos a contratação do Alejo Véliz como a segunda ou terceira maior compra da janela do meio do ano. Acho que se olhar de forma regular, a gente vem fazendo movimentos. A gente vem investindo mais do que vendendo e isso vai continuar até que em algum momento se equilibre naturalmente. O que posso dizer é que a gente vai continuar tentando sempre melhorar a equipe. No momento em que atletas saírem com uma certa idade, nosso foco vai ser sempre em tentar rejuvenescer o elenco e manter a equipe competitiva. Se tivermos saídas desses atletas em fim de contrato ou mesmo vendas, vamos estar atentos em tentar melhorar o time sempre”, afirmou.
CENÁRIO DO SUB-20
Cadu Santoro também explicou a contratação do jovem zagueiro Luiz Gustavo. O defensor chegou ao Bahia com idade de sub-20 e experiência no futebol profissional, mas ainda dentro de um processo de formação.
“Assim como Kauê Furquim ou David Martins, o Luiz Gustavo foi um jogador que contratamos não pensando exclusivamente no presente. Se olhar as categorias de base do Bahia, na geração sub-20, hoje não tem nenhum zagueiro canhoto. O Luiz é um atleta com idade de sub-20 que chega com jogos no profissional, elogiado pelo Fernando Diniz, com boas referências que trabalharam com ele, mas um atleta ainda em final de formação. Eu sei que quando se especula o valor do atleta, se tem uma expectativa de que todos os atletas vão chegar, performar e entregar resultado. A minha função é pensar no presente e no futuro”, explicou.
O diretor também foi questionado sobre a situação de jovens jogadores que estão em diferentes estágios de desenvolvimento dentro do clube. No caso de Dell, Cadu explicou que o atacante teve participação no início do Campeonato Baiano, mas passou por uma oscilação natural durante a transição para o futebol profissional. Nesse período, Caio Suassuna ganhou espaço após se destacar na categoria.
“O Dell é um atleta de apenas 18 anos e que fez essa primeira parte do Campeonato Baiano, jogou alguns minutos, e depois, como qualquer jovem da idade, passou pela oscilação. No momento em que ele oscila, o Caio Suassuna se tornou o artilheiro da Seleção sub-20, passou a vir para o profissional e jogar. Por sorte, temos dois jogadores da mesma posição, com idades similares e com futuros brilhantes. A nossa forma de trabalhar é de muita calma no desenvolvimento do atleta e não queimar etapas, porque a fase mais difícil para qualquer jogador é a transição da base para o profissional”, disse.
Por fim, Cadu Santoro explicou os critérios utilizados pelo Bahia para definir a permanência de atletas que estão próximos do fim da idade de formação. O dirigente afirmou que a intenção é evitar a manutenção de muitos jogadores sub-20 que não tenham perspectiva de integração ao elenco profissional, enquanto atletas considerados promissores podem renovar ou ser emprestados para ganhar experiência.
“Quando estoura uma idade, no caso de alguns atletas, o contrato termina junto com a idade de sub-20. A gente faz isso justamente para não termos risco alto de muitos atletas com idade de sub-20 estourada e com salários que você precisa continuar pagando para realocar. Os atletas que acreditarmos que tem o potencial de jogar no Bahia naturalmente renovaremos. Podem continuar aqui ou até ser emprestados para desenvolver. Sidney e Roger Gabriel são dois casos diferentes. Pela idade, o Roger, apesar de ter sido muito promissor e ter pisado no profissional aos 16 anos, ele ainda tem mais um ano de sub-20. Então queremos manter ele no clube, caso ele tenha interesse e as condições sejam adequadas. No caso do Sidney, a maior prova de que acreditamos nele é que renovamos o contrato dele. Já conversamos com os empresários do Sidney para entender como continuaremos desenvolvendo o Sidney. Se será no Bahia ou fora”, detalhou.
