Ceni chama gramado da Fonte Nova de "vergonha", lamenta "erros tolos" do Bahia e explica escalação
Após o empate por 0 a 0 entre Bahia e Vasco, neste domingo (9), pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro, o técnico Rogério Ceni analisou o desempenho do Tricolor e voltou a fazer críticas ao gramado da Casa de Apostas Arena Fonte Nova.
Na avaliação do treinador, o confronto foi equilibrado, mas apresentou um nível técnico abaixo do esperado.
"Eu não acho que o Vasco dominou a gente em momento nenhum, acho que foi um jogo bem parelho e bem equilibrado. O Vasco eliminou o 4º colocado do Brasileirão nessa semana [o Fluminense na Copa do Brasil], a realidade é que o Vasco melhorou e tem muita força física", afirmou.
Ceni também explicou a opção por iniciar o confronto com Willian José e Alejo Véliz juntos no setor ofensivo. Segundo o treinador, as ausências de Erick Pulga, suspenso, e a condição física de Kike Olivera limitaram as alternativas para a formação inicial.
"Em relação ao Willian [dupla de ataque], eles encaixam muito a marcação no meio-campo, com subida de três, encaixando nos três, e o Willian funcionou muitas vezes. Logicamente você perde um pouco de velocidade porque não tem o Pulga. Depois perdemos o Ademir, mesmo que o Kauê tenha entrado, não tem a mesma velocidade. Essa foi a opção que nós tivemos; Kike ficou uma semana sem treinar. Pulga estava suspenso. Para fazer essa função, no dia de hoje, era a melhor opção que tínhamos", explicou.
Ao analisar a atuação da equipe, Rogério Ceni reconheceu erros técnicos do Bahia e voltou a apontar as condições do gramado como um fator que prejudicou a partida.
"Um jogo de baixo nível técnico; não jogamos tecnicamente bem. O gramado... Eu não vou mais falar, não sou eu que tenho que falar. Chega a dar vergonha, jogadores do Vasco que vieram falar que tem que dar três toques para dominar a bola. No demais, acho que foi tecnicamente um jogo abaixo. O gramado atrapalha, mas tecnicamente fizemos escolhas ruins. E, diferente do treino, em que o Sub-20 pressionou a gente da mesma forma que o Vasco, e não tivemos a mesma calma para encontrar solução. Muitos erros tolos de saída de jogo, de arremesso de goleiro e lateral, que fizeram a gente não ter o rendimento que esperava", disse.
O treinador voltou ao assunto em outro momento da entrevista e comparou as condições do estádio com as encontradas no CT Evaristo de Macedo.
“O campo do CT está bem melhor que esse campo. É uma vergonha jogar num gramado como esse. Um estádio tão bonito como esse ter um gramado como esse é uma vergonha. Mas é o que eu digo: o estádio não é da gente, então aí é uma questão de quem controla. Às vezes, você quer ficar em harmonia com quem comanda o estádio, o gramado... E aí você não consegue cobrar talvez o que seria necessário para ter o mínimo de qualidade para jogo.”
Ceni também explicou por que demorou a acionar Mateo Sanabria. O argentino entrou somente na reta final e chegou a balançar as redes, mas teve o gol anulado por impedimento.
“Se o Juba tivesse continuado no jogo, poderia ter trazido o Juba para dentro, tentar ganhar vantagem no meio e ter o Sanabria aberto. Eu acho que o Michel e o Nestor, fazendo essa função de 10 ou do Kauê depois que entrou fazendo essa função de primeiro, eu acho que eles teriam mais a contribuir para o time do que o Sanabria entrando. Botar atacante não significa que você vai ser ofensivo ou deixar de ser ofensivo. Então, seguramos ao máximo. Quando o Nestor cansou, colocamos o Sanabria para tentar vir um pouco mais por dentro, com o Zé passando pelo lado. E, mesmo assim, o Sanabria teve a oportunidade de fazer o gol, que foi anulado por meio corpo à frente, um corpo à frente.”
Questionado pelo Bahia Notícias sobre a diferença de desempenho como mandante e visitante, Ceni apontou a falta de eficiência nas oportunidades criadas.
O Bahia aparece apenas como o 12º melhor mandante do Campeonato Brasileiro, enquanto possui a quarta melhor campanha como visitante.
"Tem perdido muitos gols. Acho que, em vários jogos, no início, temos oportunidades de fazer gols, mas não conseguimos. Isso traz intranquilidade e aí você acaba o primeiro tempo empatado, desagrada o torcedor, o jogador perde um pouco de confiança, mas acho que, na maioria dos jogos, tivemos oportunidades de abrir o placar e de sair na frente. Infelizmente, diferente do ano passado, temos empatado muito [dentro de casa]; estamos tendo dificuldade e falta tranquilidade para definir", finalizou.
Com o empate diante do Vasco, o Bahia se encontra na 6ª posição da tabela de classificação do Brasileirão.
