Grupo de torcedores do Bahia se manifesta contra a torcida única no Ba-Vi
A recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) de torcida única no clássico Ba-Vi segue dividindo opiniões no futebol baiano. Nesta quinta-feira (31), o grupo de torcedores do Bahia, da Frente Esquadrão Popular (FEP), manifestou-se contra a medida. Em nota oficial, os representantes chamam a decisão de “modelo segregacionista que reduz espaços de convivência e estimula a intolerância”.
Ainda de acordo com a nota, os torcedores afirmam que a decisão é “uma solução apressada, superficial e demagógica para um torcedor acuado, que hoje teme dividir com o rival a arquibancada”.
Além da decisão da torcida única, a FEP também se posicionou contra a cota mínima de 10% para as torcidas visitantes: “Estádio se faz com duas torcidas ladeadas e não com número mínimo para cumprir estatutos e garantir uma pretensa representatividade dispensável”.
Vale lembrar que o MP-BA confirmou a manutenção da medida na última segunda-feira (28) (veja aqui). O vereador de Salvador, Henrique Carballal, afirmou ao BN que entrará na Justiça contra a decisão (leia aqui).
O primeiro Ba-Vi da temporada está marcado para este domingo (3), e terá apenas torcedores do Bahia, já que acontecerá na Fonte Nova, às 17h. O confronto é válido pela Copa do Nordeste.
CONFIRA A NOTA
Nós, da Frente Esquadrão Popular (FEP), defendemos o fim das torcidas únicas nos clássicos Ba-Vi.
Muito embora a decisão do Ministério Público da Bahia, recomendada à Federação Bahiana de Futebol em 2017, aparentemente nos favoreça esportivamente, conforme retrospecto recente (seis triunfos do Bahia, quatro empates e apenas um revés), não nos furtamos da crítica ao modelo segregacionista que reduz espaços de convivência e estimula a intolerância por não admitir que pessoas comuns possam desfrutar do mesmo ambiente lúdico apenas por vestir cores diferentes.
A violência é uma chaga social e um dos reflexos imediatos é a fabricação do medo. Cidadãos optam pela clausura dos condomínios fechados, furtando-se de ocupar vias públicas, espaços comuns e áreas de lazer, temendo as consequências de uma súbita escalada criminosa.
Os condomínios fechados não são a solução para a violência. São, na verdade, o reflexo desastroso deste fenômeno torpe.
Entendemos que a opção pela torcida única opera nessa mesma lógica. É uma solução apressada, superficial e demagógica para um torcedor acuado, que hoje teme dividir com o rival a arquibancada.
Nos posicionamos também contra a cota mínima de 10%, meramente protocolar, para torcida visitante. Estádio se faz com duas torcidas ladeadas e não com número mínimo para cumprir estatutos e garantir uma pretensa representatividade dispensável.
A FEP se pauta por lutas que tenham como finalidade mais espaços de convivência, inclusão popular e tolerância social. O enclausuramento nunca foi (e nem será) uma saída. Em última instância, num círculo vicioso, acirra ainda mais a sensação de insegurança.
Nossa luta por dignidade põe em debate também a necessidade da direção do Vitória repensar as acomodações para receber a nós, torcedores do Bahia, no Barradão.
O famigerado "curral" de acesso, principal motivo de queixa entre os tricolores, está aquém das acomodações físicas possibilitadas pelo Vitória em seu estádio, ao passo que descumpre normas técnicas de segurança e evacuação.
A FEP se propõe ao diálogo com demais organizações progressistas, com os poderes públicos e as direções dos clubes no intuito de repensar modelos e saídas aos impasses historicamente levantandos no tocante à esta questão.
Defendemos ainda que o Vitória mande seus Ba-Vis no Barradão, patrimônio do clube (ou no estádio que desejar), mas também exigimos respeito, dignidade e segurança nas acomodações ofertadas.
O clássico Ba-Vi se forma por duas sílabas. Dois clubes. Duas histórias. E, principalmente, duas torcidas.
A FEP está nestas lutas, por nossas bandeiras.
Frente Esquadrão Popular
Salvador, 31 de Janeiro de 2019
