Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Hall

Travelling

Davidson pelo Mundo: O turismo está dormindo mais cedo!

Por Davidson Botelho

Foto: Divulgação

Há uma mudança de hábito clara, perceptível no Brasil e no mundo, que começa a impactar diversos setores da economia, e o turismo é um deles. As pessoas estão cada vez mais preferindo a vida diurna à noturna. Restaurantes fecham mais cedo, baladas encurtam seus horários ou simplesmente deixam de existir, festas começam e terminam antes da madrugada. Não se trata de um fenômeno isolado, mas de uma tendência estrutural.

 

Os motivos são conhecidos: aumento da violência urbana, maior preocupação com segurança, elevação de custos operacionais, dificuldades de mobilidade, infraestrutura deficiente e também uma mudança de comportamento das pessoas, que passaram a valorizar mais qualidade de vida, bem-estar e experiências menos desgastantes.

 

Esse novo cenário levanta uma questão importante: como essa mudança impacta a economia do turismo em cidades que têm na cultura, na música e nas festas um de seus principais motores econômicos? Salvador, Porto Seguro e tantos outros destinos turísticos brasileiros estão diretamente inseridos nesse debate.

 

Do ponto de vista negativo, o impacto é imediato na chamada economia noturna. Bares, casas de show, eventos de madrugada e toda a cadeia que gira em torno desse modelo sofrem retração. Isso significa menos postos de trabalho, menor arrecadação e redução do ticket médio de um perfil de turista que historicamente gastava mais durante a noite.

 

Por outro lado, essa mesma mudança abre oportunidades relevantes, especialmente para destinos com forte vocação cultural e turística durante o dia. O que se observa não é o fim da festa, mas uma mudança de horário e de formato. Eventos mais cedo, experiências diurnas, festas ao ar livre, ocupação qualificada de espaços públicos, gastronomia, cultura, patrimônio histórico e natureza passam a ganhar protagonismo.

 

Cidades como Salvador possuem uma vantagem competitiva natural nesse novo contexto. O Centro Histórico, a música, a gastronomia, as manifestações culturais, as praias urbanas e as festas populares funcionam muito bem à luz do dia. Além disso, eventos que começam mais cedo tendem a ser mais democráticos, atraem públicos mais diversos, reduzem custos de segurança e aumentam a sensação de conforto e segurança para moradores e turistas.

 

 

Outro efeito importante é a redistribuição do gasto turístico. Parte do consumo que antes se concentrava na madrugada migra para restaurantes, passeios, compras, experiências culturais e serviços durante o dia. Isso ajuda a espalhar melhor a renda gerada pelo turismo e torna a atividade mais sustentável econômica e socialmente.

 

O maior risco, portanto, não está na mudança de hábito em si, mas na falta de adaptação. Destinos que insistirem em modelos caros, inseguros e pouco eficientes tendem a perder competitividade. Já aqueles que entenderem que o turista atual busca experiência, autenticidade, conforto e segurança, e não apenas exaustão, sairão na frente.

 

O turismo não está acabando mais cedo; ele está simplesmente mudando de ritmo. E quem ajustar o relógio à nova realidade terá mais chances de crescer de forma equilibrada, inteligente e sustentável.

 

Boa viagem!

Compartilhar