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Travelling

Davidson pelo Mundo: Mulheres e a jornada de viajar sozinhas – entre a liberdade e os desafios

Por Davidson Botelho

Fotos: Divulgação

Não poderia encerrar o mês de março sem escrever uma coluna para nossas guerreiras viajantes. Percebo, em minhas viagens, um número cada vez maior de mulheres viajando sozinhas ou com amigas. Mas o que me chama atenção são as viajantes solitárias (mas com elas mesmas), quebrando paradigmas e se lançando ao mundo.

 

Nasce um novo nicho importante, promissor e com suas particularidades, e já quero aqui deixar meus parabéns e me colocar à disposição dessas aventureiras para ajudar a montar roteiros adaptados e passar muitas dicas sobre os diversos destinos que conheço e nos quais posso contribuir para uma viagem segura e prazerosa, de acordo com as prioridades de cada uma.

 

Há algo de revolucionário em uma mulher e sua mochila. Não a revolução dos discursos inflamados, mas a que acontece em silêncio, no momento em que ela decide que o mundo também é seu.

 

 

Viajar sozinha ainda é, para muitas, um ato de coragem. Não porque seja mais perigoso (embora os riscos existam), mas porque contraria a ideia antiga de que uma mulher desacompanhada é uma mulher à espera — de um marido, de um grupo, de permissão. Mas eis que elas partem. Sozinhas. E, no caminho, descobrem que a solidão pode ser companhia, que o medo passa e que a liberdade tem gosto de café tomado em uma praça de cidade desconhecida, sem pressa de agradar a ninguém.

 

Claro, nem tudo são flores. Há os olhares curiosos no restaurante ("Uma mesa para um, por favor"), os conselhos não pedidos ("Você devia ter cuidado"), os hotéis que insistem em perguntar se não falta um nome na reserva. Há noites em que a saudade aperta, dias em que tudo dá errado, e aquele trem perdido em uma estação remota vira o vilão da história. Mas há também a surpresa de se descobrir capaz. De negociar com um taxista em outro idioma, de se perder e se achar, de perceber que a vulnerabilidade não é fraqueza, é humanidade.

 

E, no meio disso tudo, um segredo: mulheres que viajam sozinhas raramente estão realmente sós. Elas encontram outras mulheres pelo caminho: a argentina que divide o táxi, a tailandesa que ensina a amarrar o sarongue, a italiana que ri da sua pronúncia torta ao pedir um expresso. Existe uma irmandade invisível entre viajantes, um código de cumplicidade que diz: “Eu te entendo. Também vim sozinha”.

 

No final, não se trata apenas de ver o mundo, mas de se ver no mundo. De entender que a viagem é, no fundo, um espelho. E que, às vezes, para se encontrar, é preciso primeiro se perder numa rua de Lisboa, no meio de um mercado marroquino ou dentro de si mesma.

 

Por isso, que mais mulheres se permitam partir. Porque o mundo é grande, a vida é curta, e nenhuma história grande começa com: “Eu fiquei em casa com medo”.

 

Mulheres, O UNIVERSO pode ser uma palavra masculina, mas AUDÁCIA é uma atitude que pertence a vocês. Voem, ganhem o mundo, não esperem “alguém” para acompanhá-las. Vocês se completam.

 

Boa viagem, meninas!

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