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Davidson pelo Mundo: Parques nacionais com um grande potencial turístico

Por Davidson Botelho

Fotos: Divulgação

O Brasil possui, atualmente, 74 parques nacionais, uma das categorias de unidades de conservação de proteção integral da natureza definidas na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. São administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), uma autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, criada em 2007. O objetivo básico é a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.

 

Os parques nacionais foram as primeiras unidades de conservação administradas pelo governo federal. O primeiro parque nacional, o de Itatiaia, entre Minas Gerais e Rio de Janeiro, foi criado por meio do Decreto Nº 1.713, emitido em 14 de junho de 1937 por Getúlio Vargas, a partir da Estação Biológica de Itatiaia. A criação desse parque foi seguida pelo Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, em 10 de janeiro de 1939, e pelo da Serra dos Órgãos, em 30 de novembro de 1939, também no Rio de Janeiro. Depois desse período, apenas na década de 1960 foram criados mais parques nacionais, alguns deles em decorrência da construção de Brasília e visando proteger o Cerrado, como foi o caso dos Parques Nacionais de Brasília, das Emas e da Chapada dos Veadeiros. Na década de 1970, com o aumento da ocupação da Amazônia e, consequentemente, a preocupação com sua preservação, começaram a ser criadas unidades de conservação de dimensões gigantescas nesse bioma, sendo a primeira delas o Parque Nacional da Amazônia, em 1974.

 

O número de parques nacionais no Brasil aumentou consideravelmente nas últimas duas décadas: em 1990 eram apenas 33, que passaram a ser 67 em 2010. Eles variam em área de forma extrema: o menor parque nacional brasileiro é o da Tijuca, com pouco menos de 40 km², enquanto o maior é o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, com mais de 38 mil km².

 

Todos os biomas brasileiros possuem parques nacionais, exceto os Pampas. Destes, 24 estão na Mata Atlântica, 20 na Amazônia, 15 no Cerrado, 8 na Caatinga, 3 no bioma marinho e 1 no Pantanal. Essa distribuição desigual mostra que alguns biomas carecem de unidades de conservação. Além disso, principalmente na Amazônia, muitos parques carecem de infraestrutura, tanto para visitação quanto para fiscalização, o que os torna vulneráveis ao desmatamento, caça furtiva e mineração. Existem problemas relacionados à situação fundiária de alguns parques, principalmente os criados na última década, havendo dificuldades em sua implementação. Apesar de a Amazônia e a Mata Atlântica terem a maior quantidade de parques nacionais, eles protegem apenas 5% e 1% da vegetação, respectivamente.

 

A visitação só é permitida em parques que possuem plano de manejo e de uso público. Em 2011, apenas 26 parques estavam oficialmente abertos ao público e possuíam dados sobre quantidade de visitantes. Desses, o Parque Nacional da Tijuca e o Parque Nacional de Jericoacoara foram os mais visitados, com cerca de 71% das visitas realizadas aos parques brasileiros. Os demais parques recebiam fluxo de visitantes, mas sem controle, normas ou planejamento. Os Parques Nacionais do Araguaia e do Pico da Neblina estão fechados por questões jurídicas devido à sobreposição com terras indígenas.

 

Entre tantos parques, vou aqui sugerir duas excelentes opções para visitação. Se você gosta de trilhas, natureza e turismo de aventura, prepare a mochila e aproveite estas dicas:

 

PARQUE NACIONAL DO CAPARAÓ
Localizado na Serra do Caparaó, na divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, o Parque Nacional do Caparaó é um dos ícones do montanhismo no Brasil e abriga o terceiro ponto mais alto do país, o Pico da Bandeira, que tem 2.892 metros de altitude. Além dele, estão na Unidade de Conservação cinco dos dez picos mais altos de todo o território nacional.

 

 

A unidade abrange um território de aproximadamente 31,8 mil hectares, sendo cerca de 80% do parque no estado do Espírito Santo. Os maiores picos ficam na divisa dos estados, destacando-se o Pico da Bandeira, com 2.892 metros, o Pico 2 ou Pico do Cruzeiro, com 2.852 metros, o Pico do Calçado, com 2.849 metros, e o Pico do Calçado Mirim, com 2.818 metros. O Pico do Cristal, com 2.770 metros, fica exclusivamente em território mineiro.

 

A Serra do Caparaó é uma das mais representativas áreas de preservação da Mata Atlântica em território capixaba. O parque protege nascentes de três importantes bacias hidrográficas (rios Itabapoana, Itapemirim e Doce) e diversas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção da fauna e flora.

 

O parque possui um amplo sistema de trilhas sinalizadas, permitindo diferentes níveis de dificuldade e tipos de visitantes, com atrativos como cachoeiras, vales e mirantes. Conta também com áreas de acampamento estruturadas para melhor receber os visitantes.

 

PARQUE NACIONAL DO MONTE RORAIMA
O Monte Roraima, localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, é um tepui delimitado por falésias de cerca de 1.000 metros de altura e com um ambiente único no topo, marcado por elevado endemismo de flora e fauna.

 

 

O turismo na região, desenvolvido a partir da década de 1980, tornou o monte um destino popular para trekking, devido ao ambiente singular e às condições de acesso relativamente fáceis. É uma experiência inesquecível para aventureiros e amantes da natureza.

 

 

Tem muitas outras opções, mas essas duas já oferecem uma noção real do potencial turístico que o Brasil possui com seus parques.

 

Boa viagem!

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