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Dia Nacional do Cacau: Comandada por Cláudia Calmon de Sá, produção baiana entre as 50 melhores do mundo reforça tradição no sul da Bahia

Por Nathalí Brasileiro

Fotos: Divulgação

Chocolate é paixão quase unânime, mas é o cacau que sustenta essa história e, no sul da Bahia, ele segue cruzando fronteiras. Segundo maior produtor do país, atrás apenas do Pará, o estado viu um lote produzido na região conquistar medalha de ouro na 10ª edição do Cacao of Excellence, realizada em fevereiro, na Holanda, colocando o cacau baiano entre os 50 melhores do mundo.

 

A produção premiada vem da Fazenda Santa Cruz, em Itacaré, que integra a Agrícola Cantagalo, grupo que reúne 14 fazendas no sul do estado e hoje é liderado pela empresária Cláudia Calmon de Sá. No Dia Nacional do Cacau, celebrado nesta quarta-feira (26), o reconhecimento reforça a tradição da cultura na região.

 


Foto: Reprodução / Instagram / Agrícola Cantagalo

 

“Ter esse reconhecimento é uma alegria enorme. É o reconhecimento de um trabalho que não é fácil. Uma validação do trabalho da nossa equipe e, mais do que isso, da nossa região, porque esse prêmio é da Bahia. Estar entre os melhores do mundo e conquistar medalha de ouro é gigantesco, é uma felicidade que não cabe em mim. É o reconhecimento da qualidade do cacau do nosso estado, do nosso país”, celebrou Cláudia, em entrevista ao BN Hall.

 

Médica veterinária de formação, com especialização em animais de grande porte, Cláudia construiu primeiro uma trajetória na área corporativa da empresa familiar antes de assumir o comando dos negócios no campo, após um problema de saúde do pai, Angelo Calmon de Sá. Foi nesse processo que o vínculo com o cacau deixou de ser apenas parte da história da família para se tornar também uma escolha pessoal.

 

“Nenhum dos meus irmãos, inclusive eu, nos envolvemos com o cacau até a fase adulta. Para nós, era uma fazenda de férias. Quando me separei, entrei no mundo corporativo, mas sempre tive vontade de voltar para o campo. Depois de viajar com meu pai a Paris, para uma edição do Salon du Chocolat, me apaixonei”, contou. Segundo ela, a volta ao campo aconteceu de forma gradual, até assumir definitivamente o comando das produções em 2018. “Uma vez que você entra no cacau, é difícil sair, porque é uma cultura muito apaixonante e transformadora. É uma coisa mágica. Todo mundo que coloca um pé nesse negócio acaba querendo ficar”, completou.

 


Foto: Reprodução / Instagram / Agrícola Cantagalo

 

Parte essencial dessa relação está no modo como o cultivo é conduzido. A Agrícola Cantagalo mantém como base o sistema cabruca, modelo tradicional da Bahia em que o cacau é plantado sob a sombra de árvores nativas da Mata Atlântica. O método estabelece uma convivência entre produção e preservação, mantendo a biodiversidade e criando condições naturais para o desenvolvimento do cacaueiro.

 

Nesse ambiente, o fruto cresce protegido, em um microclima equilibrado, com solo rico em nutrientes e menor incidência de pragas. Ao mesmo tempo, a floresta se mantém de pé, em uma relação que também contribui para a conservação ambiental.

 

Cláudia destaca que o modelo está diretamente ligado à identidade do cacau baiano. “Costumo dizer que, na cabruca, onde há cacau, há mata. Por isso, digo sem medo que é o sistema mais sustentável de produção, porque a mata nativa segue ali, junto com os pés de cacau. Não só preserva a flora e a fauna, como também gera emprego e movimenta toda uma região. Isso diz muito sobre o cacau produzido na Bahia, é o nosso DNA”, afirmou.

 


Foto: Reprodução / Instagram / Agrícola Cantagalo

 

Se o cultivo carrega tradição e reconhecimento, os desafios seguem presentes no campo. Durante décadas, a principal dificuldade dos produtores foi a vassoura-de-bruxa, doença que afetou diretamente a produção baiana. Hoje, segundo Cláudia, o cenário mudou, mas segue delicado, com o preço pago pelo cacau entre os principais entraves para a atividade.

 

Segundo ela, a arroba do cacau, equivalente a 15 quilos, gira em torno de R$ 170, o que representa cerca de R$ 11 por quilo, enquanto o custo de produção no sistema cabruca ultrapassa os R$ 15. A conta, na prática, não fecha. “O produtor de cacau perde dinheiro há mais de 20 anos. Desde a vassoura-de-bruxa, que derrubou nossa produção em mais de 80%, o setor vem acumulando prejuízos. Muitas fazendas foram abandonadas ao longo dos anos. Alguns produtores voltaram quando o preço subiu em 2020, mas não foi suficiente para se reestruturarem, e os valores voltaram a cair. Hoje, o cacau não se sustenta”, afirmou.

 

Ainda assim, é no próprio cacau que está o motivo para seguir. Entre tradição, reconhecimento internacional e os desafios do presente, a produção no sul da Bahia continua sendo também uma forma de manter viva uma história construída ao longo do tempo. “Confio no diálogo entre as instituições e entre os produtores para que esse cenário mude. Sigo apaixonada pelo cacau, pelo campo e confiante de que vamos superar mais essa fase difícil”, concluiu Cláudia.

 


Foto: Reprodução / Instagram / Agrícola Cantagalo

 

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