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Da advocacia à arte ancestral: Maria Helena Tanajura tece raízes e espiritualidade com fibras naturais

Por Nathalí Brasileiro

Foto: Peu Campos | Acervo Pessoal

Entre a textura da palha e o perfume terroso das sementes, o que se vê não é apenas artesanato. É arte que pulsa com memória, emoção e espiritualidade. No universo delicado e potente da artista baiana Maria Helena Tanajura, fibras naturais ganham forma com alma e propósito, transformando-se em obras únicas que celebram o sagrado, a natureza e as raízes ancestrais.

 

Advogada por formação, Maria Helena Tanajura conta que sempre foi artista por essência. “O que começou como hobby tornou-se um propósito: expressar emoções e sensações através das minhas criações”, compartilhou em conversa com o BN Hall. O que era passatempo virou caminho. E esse caminho ganhou luz nos últimos anos, com destaque na CasaCor Bahia 2024, onde seu trabalho chamou atenção no ambiente Estúdio Par, e também na sua primeira exposição na Vilarte Galeria.

 

A técnica escolhida por ela é o Fiber Emballage, um trabalho minucioso que envolve repetição e precisão manual. Utilizando materiais como cordas de algodão, sisal, taboa, raízes, sementes e linhas, a artista costura com cuidado símbolos e significados em cada criação. “O fio que conecta, a força da terra, a proteção ancestral, a leveza da água, a sabedoria do subterrâneo e a promessa do renascimento”, explicou.

 


Os cocares são o ponto alto de sua produção. Foto: Acervp Pessoal

 

Com forte ligação com a cultura baiana e a herança afro-brasileira, Maria Helena já atuou como gestora do Instituto Mauá e coordenadora do Programa do Artesanato Brasileiro, o que ampliou ainda mais sua conexão com as técnicas tradicionais e a diversidade do fazer manual. “Encontrei minha identidade artística unindo matérias, texturas e significados em peças que traduzem minha alma”, ressaltou.

 


Foto: Acervo Pessoal

Atualmente, os cocares são o ponto alto de sua produção. Inspirados nos orixás, as peças integram a coleção Orixás, que tem ganhado grande visibilidade. “Eles têm sido o meu maior sucesso. São peças que não apenas encantam pelo visual, mas que carregam força, simbolismo e respeito aos arquétipos e energias que representam. São obras que tocam, protegem e celebram o sagrado”, destacou.

 

A criação desses cocares, segundo ela, foi quase um processo ritualístico. Cada um foi pensado para carregar beleza, mas também axé, identidade e poder simbólico. “Foi um processo intuitivo, profundo. Estudei as cores, os símbolos e os domínios de cada orixá e fui criando com matérias naturais como palha da costa, taboa e sementes”, explicou.

 

Todas as peças são feitas sob encomenda, com intenção e propósito únicos. E os próximos passos da artista envolvem justamente expandir essa linguagem, criando cocares em escalas maiores e também obras decorativas com uma estética contemporânea. “Essa expansão é uma forma de dialogar com novos públicos, novos espaços e possibilidades estéticas, sem perder minha essência nem o vínculo com as raízes da minha arte”, afirmou.

 

Ao final, o que fica é a certeza de que suas criações vão além da estética. Elas tocam e conectam. “Defino meu trabalho como arte que nasce das mãos, mas vem do coração e das raízes. É um chamado da Terra, das tradições e dos elementos que nos cercam”, completou.

 

Quem quiser conhecer mais ou encomendar uma peça pode entrar em contato diretamente pelo WhatsApp (71) 99960-5446 ou pelo perfil profissional no Instagram.

 

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