Coleção privada sobre a Bahia ganha publicação histórica no Instituto Flávia Abubakir
Em dezembro deste ano, o público terá acesso a um dos maiores e mais importantes acervos iconográficos do Brasil, reunido ao longo de mais de 20 anos pelo Instituto Flávia Abubakir. A coleção, que cobre mais de dois séculos de história, traz uma seleção de imagens sobre a Bahia, entre os séculos XVII e XIX, e acaba de ser publicada em um volume organizado por Pedro Corrêa do Lago e lançado pela Capivara.
A coleção apresenta raras obras como óleos, aquarelas, sketchbooks, gravuras, livros ilustrados e alguns dos primeiros mapas do Brasil. Muitas dessas peças são exemplares únicos ou de edição limitada. A publicação destaca a riqueza da iconografia baiana, com ênfase nas representações feitas por artistas estrangeiros que visitaram Salvador, cidade que, durante o período, foi a primeira capital da colônia portuguesa.
A presença de navegadores e exploradores, especialmente os holandeses, é um dos focos do livro. A partir de 1808, com a chegada da família real portuguesa e a abertura dos portos, o interesse por Salvador e suas paisagens cresceu ainda mais, ampliando a produção artística sobre a cidade.
A obra ainda reúne textos de sete historiadores, professores e arquitetos especializados. Entre os colaboradores está Daniel Rebouças, mestre e doutor em História pela Universidade Federal da Bahia, que assina os textos introdutórios de cada seção. Segundo Rebouças, a publicação representa um "marco para a iconografia da Bahia e do Brasil", reunindo documentos essenciais para o estudo da arte, da história e da cultura da região.
Preservando mais de 50 mil itens em seu acervo, o Instituto Flávia Abubakir desempenha um papel fundamental na democratização do conhecimento sobre a arte baiana. Muitas dessas peças estão disponíveis para consulta digital no site do instituto, permitindo que pesquisadores e interessados acessem esse importante patrimônio.
Entre os itens raros estão obras bibliográficas como Jornada dos Vassalos, de Bartolomeu Guerrero, que narra a reconquista de Salvador dos holandeses em 1625; o clássico Rerum per Octennium in Brasilia, de Caspar Barlaeus, e a primeira edição inglesa do livro sobre piratas Exquemelin, que inclui um retrato de Rocky Brasiliano, um pirata que atuou na Bahia no século XVII.
Dentre as cartografias, destaca-se o mapa de Salvador elaborado por Joos Coecke, um engenheiro holandês, durante a ocupação da cidade em 1624. Outro destaque é o grande mapa de Georg Marcgraf de 1647, que mostra o Nordeste brasileiro, com ilustrações de Frans Post.
O lançamento do livro é patrocinado pela Unipar, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal, e tem o apoio de diversas instituições que reconhecem a importância da preservação do patrimônio histórico e cultural da Bahia.
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