Ricardo Ishmael lança livro infantojuvenil e reforça importância do antirracismo
O jornalista e escritor Ricardo Ishmael se prepara para lançar no próximo domingo (7) o livro infantojuvenil “Deu a Louca na Bicharada”, sua primeira fábula. O evento acontecerá a partir das 16h na Livraria LDM do Shopping Bela Vista, em Salvador.
Em entrevista ao BN Hall, Ricardo relatou que esse é o seu terceiro livro do gênero infantojuvenil e fecha um projeto de três livros da Mojuba? Editora que retrata crianças, todas elas negras, tendo como foco histórias que são antirracistas e ao mesmo tempo anti-hegemônica. “A proposta é trazer nesses três livros essa construção de novos modelos indentitários, novos modelos de protagonismos negros”, explicou.

Em 2020, o escritor lançou a obra “A Princesa do Olhinho Preguiçoso” e, em 2021, o livro “O Menino de Asas Invisíveis”(saiba mais). No terceiro e último livro da série de lançamentos pela Mojuba? Editora, Ricardo trata sobre o tema bullying, que foi trabalhado no primeiro livro, mas desta vez através de uma fábula.
“Eu volto ao tema bullying na perspectiva de uma fábula, ou seja, uma história infantojuvenil em que os animais assumem personalidades. Temos a história de Dudu, que é um menino preto, que tem cabelo black power super moderno, uma criança que é atravessada pelo bullying. Essa criança tem pernas finas e é apontada como esquisita, e vão dizendo coisas a respeito dela que vão provocando o adoecimento desse menino”, conta Ishmael.
Segundo o autor, diferente dos personagens dos outros dois livros, Dudu se cala, em uma espécie de voto de silêncio, tendo como objetivo ser esquecido e deixar de ser alvo de ofensas. Porém, o menino vai passar férias no sítio da Vovó Celina e acaba encontrando uma rede de apoio nos bichos que lá vivem e que começam a conversar com a criança.
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Mas além da bicharada que é importante para o acolhimento de Dudu, Ricardo ressalta também o papel necessário da Vovó Celina. “É essa avó quem vai conversar com o Dudu e dizer para ele que os animais estão apenas verbalizando que ele é um menino especial, que cada um é de um jeito. Por que eu trago também a figura da vovó? Porque é uma figura alegórica para tratar na perspectiva da família , do reconhecer situações de quem sobre bullying, não é atoa que ela aparece na história. è ela que ao lado dos animais vai fazer esse diagnóstico, porque o que eu quero com o livro é que famílias observem mais atentamente os sinais que as crianças dão", mencionou o autor.

De acordo com Ishmael, ele tem sido questionado sobre o seu local de fala em relação ao tema abordado nessas obras, que tratam sobre o antirracismo. Porém, conforme o escritor, esse é um tema o qual ele também tem o compromisso em tratar. “Tenho dito e repito que sou resultado dessa mestiçagem a moda brasileira, eu sou, embora muitas pessoas não reconheçam, um homem negro de pele clara num país em que o racismo é fortemente notado num fenótipo, [ou seja], quanto mais retinto, mais o racismo aparecerá”, declarou.
“Compreendo que esses privilégios os quais eu gozo por ser aceito socialmente como homem branco me impõe a responsabilidade de falar sobre o racismo. Tenho que usar esse privilégio para falar sobre racismo, e faço isso através da minha arte, por meio da literatura, e não posso abrir mão disso, esse é um compromisso que eu tenho. E mesmo que não me reconhecesse como negro eu falaria de racismo, falaria da importância do antirracismo, falaria da necessidade de enfrentar essa praga porque sou um cidadão do meu tempo”, afirmou.
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