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Exposição “Atlântico Sertão” é aberta no Museu de Arte da Bahia com obras de mais de 80 artistas

Por Isabella Venâncio

Foto: Isabella Venâncio / BN Hall

O Museu de Arte da Bahia (MAB) abre, nesta terça-feira (29), das 10h às 18h, a exposição “Atlântico Sertão”, que reúne trabalhos de mais de 80 artistas em torno de temas como memória, identidade, ancestralidade e direitos humanos. Na última segunda-feira (28), o BN Hall visitou a mostra e conversou com os responsáveis pela iniciativa sobre a proposta e os detalhes da montagem.
 

 

Idealizada por Marina Maciel, mestra e doutoranda em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), a mostra integra o Movimento Atlântico, iniciativa que utiliza a arte como instrumento de reflexão e defesa dos direitos humanos. Com entrada gratuita, a exposição fica em cartaz até 29 de janeiro de 2027. Segundo a idealizadora, a chegada a Salvador amplia uma trajetória que já passou por outras cidades e pela sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra.
 

“Na ideia de ampliar essa reflexão, acreditando que o sertão é do tamanho do mundo, queremos mostrar para o Brasil, para Salvador e para todas as pessoas esse sertão pulsante, colorido e vibrante de defesa dos direitos humanos pela arte, pelas poéticas decoloniais de resistência e de reexistência”, afirmou Marina.

Foto: Isabella Venâncio / BN Hall
 

A escolha da cidade também está relacionada à história da cidade e à sua importância no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Para a idealizadora, apresentar a exposição na capital baiana representa uma oportunidade de discutir a reparação histórica por meio da produção artística. “Salvador foi uma das cidades que mais recebeu o tráfico de pessoas escravizadas. A gente deseja e sonha que, a partir daqui, as pessoas percebam essas poéticas decoloniais e artísticas, nessa ideia da cor, da força do sertão e na reflexão sobre a importância da arte na defesa dos direitos humanos, especialmente na ideia da reparação histórica”, destacou.
 

Gerente-geral do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Júlio Paranaguá ressaltou a presença de artistas do Norte e do Nordeste na exposição e a oportunidade de aproximar o público da produção contemporânea. “É uma exposição de arte contemporânea, com muitos artistas, a grande maioria do Norte e do Nordeste, trazendo um pouco de denúncia desse espaço tão violentado como o Sertão”, explicou.
 

Júlio também destacou a possibilidade de identificação dos visitantes com as obras e a importância da gratuidade para ampliar o acesso à cultura. “Quem vier visitar a exposição vai se reconhecer e se ver em muito do que está aqui, em fotografias, imagens e instalações”, afirmou. Para ele, a proposta vai além de abrir as portas do espaço: “É importante que as pessoas se reconheçam e se sintam, vivenciem essa experiência”.

Foto: Isabella Venâncio / BN Hall
 

Curador-geral da exposição, Marcelo Campos explicou que a montagem parte do encontro entre os dois elementos que dão nome à mostra: o Atlântico e o sertão.
 

“A exposição começa com dois imaginários distintos, o Atlântico e o sertão. A partir disso, a gente vai se aproximando de artistas que tiveram ou têm essa experiência, que são sertanejas, sertanejos e ligados às terras e à compreensão de um Brasil interiorano”, afirmou.
 

A curadoria reúne obras produzidas especialmente para a exposição e trabalhos que já integram acervos e coleções, além de diferentes linguagens artísticas. Segundo Marcelo, a proposta é estabelecer diálogos entre essas produções e as tradições da história da arte.
 

Foto: Isabella Venâncio / BN Hall

 

“A gente vai desenhando núcleos que já têm tradições na própria construção de uma história da arte, como a ideia da terra e da própria travessia atlântica, e vai convidando artistas para produzirem obras inéditas, em alguns casos, e obras que já existem em acervos e coleções, com linguagens variadas que a gente junta pela primeira vez”, explicou.

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