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Elias Santos retorna ao circuito expositivo com mostra inédita na Rua Chile

Por Redação

Fotos: Divulgação

A Galatea Salvador apresenta a exposição “Elias Santos: Alegorias ancestrais”, do artista baiano com curadoria de Alana Silveira. Em cartaz no espaço Cofre, na Rua Chile, a mostra reúne cerca de 50 desenhos e 12 esculturas produzidas em diferentes períodos da trajetória do artista, colocando em diálogo obras separadas por mais de duas décadas.

 

O ponto de partida da curadoria foi uma descoberta recorrente: imagens e símbolos presentes nos desenhos produzidos por Elias no início dos anos 1990 reaparecem, em novas configurações, em esculturas realizadas entre 2013 e 2026. A exposição evidencia justamente essas continuidades e deslocamentos, revelando como certas formas permanecem em transformação ao longo do tempo.

 


Foto: Divulgação

 

Os desenhos, produzidos entre 1995 e 2004, ocupam o núcleo central da mostra. Criados ainda durante a formação do artista na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), eles surgem como parte de um processo contínuo de experimentação, em que o desenho se desenvolve quase como um fluxo diário. Em vez de peças isoladas, o conjunto revela séries de imagens que se desdobram e se acumulam ao longo dos anos.

 

Nesse universo aparecem figuras híbridas, corpos atravessados por tensões e referências que oscilam entre o material e o ancestral. Parte desse repertório visual dialoga com memórias do Baixo Sul da Bahia, região natal do artista, e com manifestações culturais como os Abiacungas, ligados aos cultos aos ancestrais e marcados pela presença de figuras mascaradas.

 

Ao revisitar esse conjunto, a curadora percebeu que determinadas estruturas formais retornavam anos depois nas esculturas do artista — como pontas, volumes e construções geométricas que reaparecem em novas leituras. A mostra nasce desse encontro entre tempos distintos da produção.

 


Foto: Divulgação

 

As esculturas reunidas foram produzidas entre 2013 e 2026 e revelam outra dimensão da pesquisa de Elias Santos. Construídas com materiais como papelão, tecido e isopor, muitas vezes transformados por processos de revestimento e acabamento, as obras transitam entre arquitetura, corpo e simbolismo religioso. Algumas ocupam as paredes do espaço expositivo; outras se organizam como volumes no ambiente, ampliando a relação entre obra e espaço.

 

Natural de Cairu e radicado em Salvador, Elias Santos desenvolveu uma produção marcada pela experimentação de materiais e pela circulação entre diferentes linguagens. Gesso, madeira, vidro, ferro, LEDs, dispositivos ópticos e componentes eletrônicos aparecem em esculturas, instalações e assemblages que deslocam objetos de seus usos originais e os reorganizam em novas estruturas visuais.

 

Graduado em Artes Plásticas pela UFBA, o artista participou de exposições no Brasil e no exterior e recebeu premiações em eventos como a Bienal do Recôncavo e o Salão Regional de Artes da Bahia. Ao longo da carreira, seu trabalho passou por instituições como o Museu de Arte da Bahia e o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, além de mostras no Brasil e na Europa.

 

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