Livro escrito por baiana destaca histórias de catadoras e traz baiana entre protagonistas da reciclagem no Brasil
No mês em que é celebrado o Dia Mundial da Reciclagem, no próximo domingo (17), catadoras de materiais recicláveis ganham protagonismo no livro “ Mulheres que Reciclam o Futuro”, publicação que reúne histórias de 25 trabalhadoras de diferentes estados brasileiros. Entre elas está a baiana Elizabeth dos Santos Santana, conhecida como Chiquinha, que transformou a própria trajetória por meio da reciclagem e se tornou referência no setor na Bahia.
A obra será lançada no próximo dia 20 de maio, em Brasília, e propõe um olhar sensível sobre mulheres que atuam diariamente na base da cadeia da reciclagem no país. Segundo dados do Movimento Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (MNCR), as mulheres representam cerca de 70% da força de trabalho do setor no Brasil.
Realizado pela Rede Educare, com patrocínio da Novelis por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o livro aborda histórias marcadas por coragem, resistência e transformação social, mostrando como a reciclagem impacta não apenas o meio ambiente, mas também a vida de milhares de famílias brasileiras.
A publicação tem texto da escritora Viviane Mansi e fotografias de Magali Moraes. A proposta é desconstruir visões estigmatizadas sobre o trabalho das catadoras e ampliar o debate sobre dignidade, pertencimento e sustentabilidade.
“Muitas vezes, a gente está distante dessa realidade e tem menos empatia simplesmente por não conhecer. O livro tenta fazer essa conexão entre o que se imagina e o que é real”, afirma Viviane Mansi.
Uma das trajetórias retratadas é a de Chiquinha, que começou a trabalhar no antigo lixão de Jacobina, no interior da Bahia, em 2009, após interromper os estudos ainda no ensino fundamental. Mãe de três filhos, ela participou da fundação da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Jacobina, onde ocupou os cargos de tesoureira e presidente por duas vezes.
Outra personagem do livro é Dulce Vale, de Goiânia, que entrou para a reciclagem aos 40 anos após perder o emprego como secretária. Hoje, é presidente da Central e Forte e uma das principais lideranças do movimento no país.
De acordo com o Anuário da Reciclagem 2024, o Brasil possui mais de 3 mil organizações de catadores mapeadas, reunindo cerca de 70 mil trabalhadores formalizados em cooperativas. O número, no entanto, representa apenas parte da categoria, estimada em aproximadamente 800 mil pessoas em todo o país.
O livro “Mulheres que Reciclam o Futuro” poderá ser baixado gratuitamente no site da Rede Educare ou adquirido em versão física. O lançamento oficial acontece no dia 20 de maio, às 11h30, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília.
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