9º Festival Internacional de Teatro da Caatinga reúne artistas do Brasil e do exterior no sertão baiano
O sertão baiano será novamente palco de um dos principais encontros das artes cênicas do país com a realização da 9ª edição do Festival Internacional de Teatro da Caatinga (FIT). Entre os dias 6 e 15 de agosto, o evento ocupará as cidades de Irecê, Ibititá e João Dourado com uma programação que reúne espetáculos nacionais e internacionais, atividades formativas, debates e ações de intercâmbio cultural.
Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Irecê, o festival consolida-se como uma das principais iniciativas de difusão das artes cênicas no interior da Bahia, promovendo a democratização do acesso à cultura e valorizando a identidade do semiárido brasileiro.
Criado em 2012 como um festival regional, o FIT ampliou seu alcance ao longo dos anos, tornando-se nacional e, desde 2015, internacional. Atualmente, reúne artistas de diferentes estados brasileiros e de outros países, transformando o território da Caatinga em um espaço de encontro entre diversas linguagens artísticas e manifestações culturais.
Além da programação artística, o festival propõe uma reflexão sobre o território onde está inserido. Realizado no único bioma exclusivamente brasileiro, o FIT apresenta a Caatinga como um espaço de diversidade, memória, criatividade e resistência, valorizando o patrimônio ambiental e cultural do sertão e desconstruindo estereótipos historicamente associados à região.
Durante dez dias, grupos teatrais, companhias de dança, performers e pesquisadores compartilham experiências em apresentações, oficinas, seminários e encontros que aproximam diferentes culturas sem perder de vista as tradições locais. Elementos como a literatura de cordel, o xaxado, o cancioneiro popular e as narrativas sertanejas dialogam com produções contemporâneas das artes cênicas brasileiras e internacionais.
Outro diferencial do festival é a ocupação de espaços públicos e ambientes naturais, transformando a própria paisagem da Caatinga em parte da cena. Formações rochosas, vegetação nativa e o pôr do sol integram diversas montagens, ampliando a experiência estética do público e reforçando a relação entre arte e território.
O evento também impulsiona a economia criativa da região, movimentando o turismo cultural, fortalecendo o comércio local e gerando oportunidades para artistas, técnicos, produtores e prestadores de serviços dos municípios participantes.
A direção artística é assinada pelo teatrólogo Paulo Atto, fundador da Cia Teatral Avatar e idealizador do festival. Com trajetória iniciada em 1984, Atto dirigiu mais de 30 espetáculos apresentados no Brasil, Europa, Estados Unidos e América Latina. Desde 2009, desenvolve projetos em Irecê, onde implantou o Núcleo Caatinga, voltado à formação artística e ao intercâmbio cultural. O diretor também integra redes internacionais de artes cênicas, como a Rede Cena Iberoamericana (REI), a Rede Ibero-americana de Animação Sociocultural (RIA) e a Sociedade Geral de Autores e Editores da Espanha (SGAE).
Ao chegar à nona edição, o Festival Internacional de Teatro da Caatinga reafirma sua proposta de fortalecer a produção artística no interior do país, ampliar o acesso à cultura e consolidar o sertão baiano como um importante polo de criação, inovação e intercâmbio internacional.
Entre os destaques da programação está o premiado monólogo "Nasci Pra Ser Dercy", estrelado por Grace Gianoukas, com texto e direção de Kiko Rieser e participação em off de Miguel Falabella. Inspirado na trajetória de Dercy Gonçalves, o espetáculo já foi assistido por mais de 40 mil pessoas e rendeu à atriz importantes reconhecimentos, como os prêmios Shell e APCA.
A programação internacional inclui ainda "O Teu Sorriso Rebelde", dirigido por Rui Frati, do Théâtre de l'Opprimé, de Paris. A montagem acompanha a trajetória de um imigrante que enfrenta o racismo, o abandono e a solidão, abordando temas como resistência e pertencimento.
Na dança, a Odun Companhia de Dança apresenta "Madágugu", espetáculo inspirado no universo artístico de Carlinhos Brown e desenvolvido a partir de referências à ancestralidade afro-brasileira, aos rituais e à cultura baiana, reunindo jovens bailarinos da Escola de Dança da Funceb.
Também integra a programação a performance "OMNI – A Voz do Meu Pai", do coreógrafo nigeriano Ochai Ogaba, que investiga memória, ancestralidade e espiritualidade africana por meio da relação entre pai e filho.
Outro destaque é "Boca a Boca: Um Solo para Gregório", protagonizado por Ricardo Bittencourt, que revisita a obra de Gregório de Matos em uma encenação que combina teatro, música e poesia.
A programação formativa inclui ainda o Seminário das Artes do Espetáculo, com palestras e debates sobre dramaturgias negras, ancestralidade, memória, circulação artística e novas linguagens cênicas. Entre os convidados estão Ochai Ogaba, Mônica Santana, Tatá Universo e Maria Marighella.
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