Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Hall

Coluna

Davidson pelo Mundo: O turismo vai perder força no pós-pandemia?

Por Davidson Botelho - @davidsonpelomundo

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A pandemia sacudiu a humanidade. Foi um cruzado na ponta do queixo das pessoas, das empresas, dos governos… foi um total bate-cabeça. Uns demoraram mais pra entender e achar os caminhos, já outros conseguiram conviver com mais sabedoria e assim sofreram menos.


Como todo enterro tem gente chorando e gente vendendo lenço, alguns poucos segmentos conseguiram passar a tempestade sem maiores prejuízos e até saírem mais fortalecidos. Porém, isso se aplica a uma pequena minoria. A maioria sofreu muito e ainda sofre muito, a exemplo dos setores de eventos, cultura e turismo.


Falando da nossa área, que é o turismo, entendo eu que muitas mudanças comportamentais irão acontecer inevitavelmente. Pra começar, o segmento que sempre foi o carro-chefe da movimentação da cadeia produtiva do turismo irá sofrer alguns ajustes motivados por novas práticas pós-pandemia. Principalmente em relação àquelas viagens rápidas para reuniões de empresários, executivos ou até outras razões que sempre fomos aculturados a realizar presencialmente, a tendência é que aconteçam de forma virtual através das inúmeras ferramentas que surgiram ou foram intensificadas com a pandemia. 


Reuniões, treinamentos, cursos… Tudo aquilo que puder ser online sem prejuízo qualitativo será feito, e assim a movimentação do transporte aéreo, dos hotéis e também de outros serviços da cadeia turística irão sentir falta desse que sempre foi o melhor turista, pois viajava um CPF com as despesas pagas por um CNPJ.


Então o turismo tende a sofrer mais ainda? Particularmente, eu acho que não. Como dito acima, está na hora do turismo VENDER O LENÇO. Talvez tudo isso que aconteceu sirva para sacudir o setor, tirar as pessoas da zona de conforto e se reinventarem. Chegou a hora de investir no turismo de lazer, chegou a hora de mudar o foco das cidades, dos hotéis, dos restaurantes, dos táxis, das agências de viagens, do receptivo, das empresas aéreas e, principalmente, dos governos, governantes e parlamentares. Chegou a hora de tratar cada potencial turístico com mais carinho e cuidado, de profissionalizar esta atividade e de entender que o turismo e a cultura de viajar, além do cunho sócio-econômico, vai passar a ser uma questão de saúde.


Quem não tem um amigo ou um parente que quebrou na pandemia? Quem não tem uma pessoa próxima em pré-depressão ou já afundada no mal do século pós-pandemia? Vocês já perceberam a quantidade de pessoas que mudaram seu estilo de vida, muitas vezes balizadas em poder, bens materiais, conquistas pessoais, e agora entenderam que O MENOS É MAIS? Pois bem, eu conheço muita gente assim e, cada vez que abro minhas redes sociais, eu me deparo com mais casos e pessoas que resolveram parar de trabalhar, aposentaram, adaptaram sua rotina de trabalho com as possibilidades de viagens e estão se jogando no mundo.


Muitas profissões ou cargos passaram a serem executados remotamente, chamados de Home Office, e isso pode ser realizado em qualquer lugar deste planeta. Assim, qual será a desculpa para não viajar mais? Internet boa tem em qualquer esquina, equipamentos modernos estão acessíveis a quase todos e isso vai facilitar bastante a movimentação turística de profissionais que eram presos às rotinas presenciais. Conheço pessoas que resolveram rodar o mundo de moto, carro, caminhão e barco sem abrir mão do trabalho, e com uma contabilidade muito bem feita. O que comprova que algumas vezes é mais barato ou igual aos custos de manter uma estrutura física. Eu sempre digo que quanto mais eu gasto com viagens, mais rico eu fico.


Precisamos que todos entendam essas mudanças e tendência mundial, que as leis trabalhistas se adaptem à nova realidade do mercado e que os governos percebam essa grande oportunidade de movimentação da economia através do turismo de lazer.


O Trade turístico precisa se movimentar e mostrar ao mercado seus valores e despertar nas pessoas o desejo de consumo. A campanha do segmento agropecuário nas grandes redes de comunicação é um exemplo. Hoje as pessoas sabem da importância do açaí, do algodão e da indústria de tratores, sabem quantos empregos geram e quantos bilhões movimentam.


Não se surpreendam se os números do turismo forem mais robustos, só precisa se organizar e mostrar. O TURISMO É TUDO: É POP, É TOP, É TERAPIA, É ECONOMIA!

Compartilhar