Blog do Preto apresenta ensaio inédito e bate-papo com o arquiteto Luiz Purificação
A era dos clicks instantâneos e vida apressada arrastaram para um passado distante, o homem que se interessava por arte desde a sua infância. Hoje, desde a escolha da decoração do primeiro apartamento até as fotos viagens dos “trintões” modernos, vemos uma sucessão de imagens com referências “instagramáveis” e sem o apuramento artístico dos homens do passado, onde era preciso conhecer de Tarsila do Amaral até as diferenças dos traços de Picasso e Dali.

Look 1: Camisa e calça MB Conceito, blazer em linho Velmond, sandália BASKA
Esse fato me instigou até eu encontrar um arquiteto que, na contra-mão do efeito redes sociais, apostou na arte como novo respiro para o seu escritório de arquitetura. Sim, a exposição “Últimas Palavras”, que está nos seus últimos dias na Ativa Galeria de Arte, não é uma mudança de carreira, e sim, uma busca na arte de subsídios para que os seus projetos tenham, cada vez mais, propósitos de um escritório boutique de designer e arquitetura.

Look 2: Todas as peças Lacoste Shopping Barra
Aliás, essa relação do artista com a sua exposição, pautada na relação com a sua falecida avó me inspirou a montar looks de um homem baiano, com refinamento e bom gosto no vestir dos jovens adultos de cidades como Nova York e Roma. Um perfeito casamento entre entrevista, editorial de moda, arte e arquitetura que abrem as comemorações dos 10 anos do Blog do Preto!

Look 3: Calça e moletom Lacoste Shopping Barra
O resultado você confere nas fotos de Marcos Peixoto que não poderiam ter sido clicadas em outro lugar que não fosse a Ativa Galeria de Arte, no Rio Vermelho.

Look 4: Loja Alberto Torres - Shopping Itaigara Instagram: @Albertotorres_oficial
Perguntas:
Blog do Preto bate um papo com o arquiteto e artista plástico Luiz Purificação sobre o reencontro (ou falta dele) do homem moderno com a arte.
Perguntas:
MP: Você vive da arquitetura mas sempre conviveu com a arte. Como se deu esse contato com o visual e como ele influencia o seu trabalho desde sempre?
Trago este olhar para as artes visuais desde criança. Lembro de passar tardes no jardim de casa desenhando as plantas.
Fiz alguns cursos de pintura, ainda adolescente, mas até montar e fazer crescer meu escritório de arquitetura isso ficou em segundo plano.
As conversas com minha avó, que era escritora, sempre foram muito incentivadoras para desenvolver minhas habilidades artísticas.
Hoje uso esse olhar na curadoria das obras que seleciono para os meus projetos de arquitetura, muitas vezes pensando o projeto a partir desses espaços para a arte.
MP: Você considera a substituição das pinturas e esculturas por fotografias e objetos de design um retrocesso daqueles que a tecnologia trouxe para diversos setores, incluindo o da arquitetura?
Para mim é uma consequência da perda de espaço da arte dentro da formação e da vivências dos adolescentes e adultos. Muitos perdem totalmente o contato com o fazer e olhar artístico ainda na infância. Quando não se vive a arte é natural que a percepção da qualidade dela fique num lugar estético muito superficial. Não acho que seja um problema de formatos. Temos fotografias e objetos artísticos de qualidade excepcional. Mas entendo a reflexão quando notamos que o que está sendo consumido em maior quantidade tenha um conteúdo artístico bastante esvaziado. Espaços de arte mais acessíveis e que abram espaço para temáticas menos elitistas seriam alternativas para aproximar o público.
MP: Pintura, escultura, instalação, qual o atrai mais o olhar do homem e arquiteto Luiz?
O que atrai meu olhar é arte feita com alma. Tento não estar preso a formatos como artista porque acho que isso pode limitar o processo de criação. E levo essa conduta também quando consumo arte.
MP: O que você sugere como primeiro passo para o homem que se interessa por esse mercado mas não vivencia ou tem influências de famíliares ligados às artes visuais como você teve da sua avó?
Procurem artistas que dialoguem com seus valores, que trabalhem sobre temáticas que ecoem mas suas referências, suas origens, suas raizes. A identificação é essencial. Mas o primeiro passo é ir aos museus e começar a ver o que faz sentido para cada um. Cercar-se de pessoas que tenham essa visão pode facilitar muito o direcionamento.
MP: Investir numa mostra visual em pleno aquecimento do setor imobiliário e período de mostras de decoração foi uma tarefa que você considera benéfica como estratégia na sua carreira na arquitetura?
Estou surpreso como meus clientes mais próximos estão vibrando com este novo momento. De fato só tem agregado valor no processo e tenho certeza que abrirá portas para um formato de projeto com arte fora de um espaço meramente decorativo, o que me interessa muito.
MP: Quais os próximos passos do artista/arquiteto ou do arquiteto/artista depois da Mostra Últimas Palavras?
Continuar desenvolvendo esta exposição, que é bem maior do que o conjunto de obras que selecionamos para se adequar ao espaço da A Galeria. Farei mais uma visita guiada, porque foi muito interessante poder mostrar essa expansão da exposição e me aprofundar no processo de criação. Novos caminhos estão surgindo e estou analisando formatos para continuar compatibilizando as duas carreiras mantendo a força de ambas.

Look 5: Zara

Look 6: Camisa Acervo do arquiteto
Produção de moda: Marcos Preto
Fotos: Peixoto Imagem (@peixotofotografo)
Locação: Ativa Atelier Livre
Agradecimentos:
Lojas: Lacoste (@lacostebrasil) e Alberto Torres (@albertotorres_oficial)
Assistente de Produção: @hugo.costalima7
Ateliê Ativa: (@ativa_atelier_livre) e Lanusse Pasquale
