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Coluna

Mentalidade e Visão: Gestão do Tempo

Por André Cardoso

Foto: Divulgação

A gestão do tempo é um desafio comum a muitas pessoas, especialmente quando se trata de equilibrar tantas responsabilidades e papéis. A pergunta que fica é: como alguém consegue?


Podemos começar com alguns pontos de partida para orientar essa jornada que, à primeira vista, parece impossível, mas que na verdade não é. No entanto, essa jornada exigirá disciplina, compromisso, a habilidade de dizer “não”, renúncias e uma série de outras atitudes para que possa ser vivida com êxito.


Um primeiro ponto a exaltar é o senso de prioridade, pois muitas pessoas confundem o que é urgente com o que é importante. Urgente são aquelas situações que demandam atenção imediata, que têm prazos curtos e, em geral, provocam muito estresse, nos deixando sempre no modo reativo. Já o importante refere-se às atividades que realmente movem o ponteiro da vida, que estão alinhadas com o macro, com o longo prazo, com seus objetivos e realizações.


Muitas pessoas tendem a classificar tudo como urgente, mesmo o que não seja, o que as leva a viver constantemente estressadas, sempre correndo atrás das coisas, sem parar, pensar ou avaliar. Em contrapartida, como o importante está mais conectado com o longo prazo, com projetos e realizações, essas atividades tendem a ser adiadas, proteladas e procrastinadas, pois suas consequências não são percebidas de imediato como as dos urgentes.


É fundamental aprender a diferenciar essas duas categorias:


    • Urgente, mas não importante: Essas tarefas podem consumir muito tempo e energia, mas não agregam valor real a longo prazo. São interrupções ou crises que surgem e precisam de atenção, mas que não contribuem para seus objetivos maiores.
    • Importante, mas não urgente: Essas são as tarefas que realmente fazem a diferença em sua vida e carreira, mas que, por não terem prazos imediatos, muitas vezes são procrastinadas.
    • Urgente e importante: Essas tarefas têm um impacto significativo e precisam ser realizadas imediatamente. Elas combinam a pressão do tempo com a importância de sua realização.


Para uma gestão de tempo eficiente, o ideal é focar mais no que é importante, especialmente no que é importante, mas não urgente, pois é aqui que você constrói um progresso consistente e sustentável. Ao gerenciar bem as tarefas urgentes, mas não importantes, você evita que elas sufoquem seu tempo e energia, permitindo que você dedique mais atenção ao que realmente importa a longo prazo.


Outro ponto crucial na gestão do tempo é aprender a separar o tempo para cada atividade. Essa competência trará equilíbrio e saúde emocional para lidar com as diversas frentes dos seus papéis. Para isso, primeiro, é essencial levantar quais são as suas atividades diárias que consomem tempo. Com esse levantamento em mãos, comece a pensar sobre o que realmente importa, criando uma escala de valor sobre o impacto de cada atividade nos principais campos da vida, como família, trabalho, saúde e desenvolvimento pessoal.
Uma ferramenta útil para isso é a Matriz de Eisenhower, onde você classifica suas atividades em quatro categorias:

 

 

  •  Importante e urgente: Priorize essas tarefas e lide com elas imediatamente.
  •  Importante, mas não urgente: Agende um tempo específico para essas tarefas, garantindo que não sejam adiadas indefinidamente.
  •  Urgente, mas não importante: Delegue essas tarefas, se possível, ou trate delas rapidamente para que não ocupem muito do seu tempo.
  • Nem urgente nem importante: Elimine ou minimize essas tarefas, pois elas apenas consomem seu tempo sem trazer benefícios reais.

 

Após essa classificação, separe o tempo para cada coisa e viva cada momento ao seu tempo, sem desvios. Seja fiel ao seu plano, pois ele foi feito com racionalidade e objetivos claros. Alterar o plano constantemente por conta das suas emoções só resultará em bagunça e perda de foco. Lembre-se de que boa parte da culpa pela vida que você leva vem da falta de capacidade de separar o tempo para cada coisa e de não saber dizer não, tentando viver tudo ao mesmo tempo e, na prática, não vivendo nada de forma satisfatória, especialmente o que realmente importa e move o ponteiro da vida.


Evite a multitarefa. Embora pareça algo positivo, na prática ela leva à perda de produtividade e qualidade em tudo que fizer. Foque em uma tarefa por vez, na tarefa da vez. De tempos em tempos, de forma racional, revise seu plano e sua agenda para ver se há necessidade de ajustes para melhorar sua performance e desempenho. Só não faça isso todos os dias, pois isso indicaria falta de compromisso em cumprir o que você mesmo estabeleceu.
Lembre-se sempre: tanto quem produz quanto quem não produz tem as mesmas 24 horas no dia. Portanto, o problema não está no tempo em si, mas nas prioridades de cada um.