Blog do Preto apresenta ensaio que exalta a moda ancestral pelo Mês da Consciência Negra
Usar a moda como ativismo e exaltação à ancestralidade tem sido uma prática recorrente entre os criadores que acreditam que roupa é muito mais que estilo. Segundo a Mestre em Psicologia da Saúde, Gaby Oliveira, “ancestralidade é fonte de vida, sabedoria, identidade, pertencimento e criatividade, é o fio que tece passado, presente e futuro, formando uma teia de relações que conecta humanidades”.

Isso ficou mais que provado na última edição do São Paulo Fashion Week, quando marcas baianas como Ateliê Mão de Mãe e Dendezeiro invadiram a passarela contando uma história sobre baianidade, artesanato manual e negócios familiares e peças que remetem ao cotidiano das vivências de filhos pretos que esperavam dias até uma peça ficar pronta para ter o que vestir.
Pesquisando muito sobre o tema, não só com relação a tendências, mas sobre a cadeia de moda e artesanato com fins de subsistência familiar, tenho tido gratas surpresas como a também baiana Aboye, marca que assina as peças artesanais desse editorial.
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A grife, que defende o sistema slow fashion, possui uma identidade marcada pela presença de técnicas manuais, como crochê, bordado e renda de bilro, em tecidos como linho, cambraia de linho, malha de algodão e couro ecológico.
As peças são coleção de estreia, intitulada DesataNó, que traz a simbologia de abertura de caminhos e foram produzidas em parceria com mulheres rendeiras de Candeias e outras do bairro de Tancredo Neves e honram a tradição de mulheres artesãs, que perpetuam técnicas e saberes ancestrais como o Richelieu dessa camisa que, para mim, é uma obra que deve ser usada e conservada como peça de alta costura.
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Para quem não sabe, o Rechelieu é produzido com uma trabalhosa técnica de bordados, conhecida como uma das mais antigas do mundo. Se assemelha a uma renda e pode variar nos detalhes: desenhos de folhas, flores e geométricos estão entre os mais utilizados.
Essas formas são contornadas por meio de um ponto chamado casear. Geralmente usam-se linhas brancas e tecidos claros e leves. É um trabalho manual que exige muita técnica e paciência, mas que tem um resultado bonito e é sinônimo de sofisticação.

O crochê também se faz presente no surpreendente punho artesanal da camisa social. Claro que essa é uma peça conceito e não cairia bem num almoço ou com terno, mas é perfeita para aquela produção de um evento especial onde o dress code seja a autenticidade.
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Pensar em todas as pessoas que vieram antes de você dessa forma é entender que há algo dentro de você muito maior, um caminho que já vinha sendo traçado de várias formas, inclusive culturalmente. E é, exatamente, nesse último aspecto que devemos focar quando se fala em representatividade na moda.
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Lembrar do meu avô e do meu pai, que amavam vestir linho, foi um dos motivos pelo qual escolhi pontuar com o linho da APPA Brands. A paleta de cores em tons terrosos e azuis conversam com as cores do histórico bairro do Carmo, meu novo local de moradia, que luta bravamente para conservar suas características históricas e, assim, manter firme o perfume charmoso dos antepassados que por lá viveram em casas que hoje são objeto de desejo.
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Os óculos são da marca baiana B.Kamikaze, a qual se inspira no estilo praiano dos baianos e sugere variação de peças com proteção solar e preço acessível, possibilitando, assim, a variação e democratização desse item do vestuário que são necessários, mas ainda contam com preços que impossibilitam a variação de combinações de acordo com diferentes estilo de quem os escolhe.
Shooting: Ancestralidade e raiz
Peças: Aboye, Zappala para APPA Brands, Óculos Kamikaze, Joias Carlos Rodeiro e acervo do blogueiro.
Styling: Marcos Preto
Foto: Peixoto Imagens
Produção: Wagner Trocoli
