Desafio Ambiental: Produção sustentável de cacau valoriza e protege a Mata Atlântica
O chocolate brasileiro conquista consumidores mundo afora não só pelo sabor e qualidade, mas também por pertencer a uma cadeia de valor comprometida com o desenvolvimento sustentável e responsável. O processo produtivo do chocolate nacional inclui cuidados com a preservação ambiental, melhoria das condições sociais dos agricultores e a mais elevada qualidade do produto final.
Essas práticas atraem a atenção do mercado internacional, como demonstram dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Houve crescimento, nos últimos anos, das exportações de chocolate e outros preparos alimentícios contendo cacau.

Foto: Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia

Foto: Embrapa
Em 2022, o valor das exportações alcançou US$ 142 milhões, o mais alto patamar em uma década. A expansão foi expressiva também no volume: 36,1 mil toneladas foram exportadas somente no ano passado. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias da Bahia (FIEB), o setor deve se preparar para expandir muito mais.
Como forma de incentivo à produção nacional do cacau com denominação de origem, ambas as instituições, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), mobilizam lideranças do setor para a Rodada de Negócios Origem Brasil, entre os dias 20 e 23 de julho, no Centro de Convenções de Ilhéus (BA), durante o maior evento de chocolate e cacau da América Latina, o Chocolat Festival.
A CNI aposta no Projeto Indústria Verde, que atrai destaques da indústria brasileira para a sustentabilidade e implementa compromissos climáticos com a participação de vários segmentos industriais, responsáveis por agendas ambientais com enorme potencial para liderar o processo de implantação de uma economia de baixo carbono.

Foto: Wenderson Araujo/CNA
PRESERVAÇÃO AMBIENTAL
O Brasil foi mais uma vez aplaudido como exportador de cacau com 100% de qualidade e mérito reconhecido em Madagascar, na África, durante painel do Conselho Internacional de Cacau, em 13 de junho último.
Os especialistas enfatizaram principalmente o manejo do sistema de plantio denominado Cabruca que promove combinação única de cultivo de cacau com árvores de grande porte, nativas da Mata Atlântica. Esse modelo valoriza a qualidade das amêndoas, o formato de produção e a preservação da floresta. O cultivo à sombra das árvores é sinônimo de um microclima perfeito que protege o cacau da luz solar direta.

Foto: Fernando Vivas/GovBA
A Bahia tem destaque nessa produção, valorizada na obra literária do escritor Jorge Amado, que projetou a região cacaueira para o mundo, contribuindo para consolidar o Estado como um dos maiores exportadores de cacau do País: hoje são mais de 100 marcas de chocolate de origem.
A área plantada de cacau, no Sul da Bahia, é estimada em 439 mil hectares pela Secretaria Estadual da Agricultura. Cerca de 60% desta área é operada no sistema Cabruca. São 263 mil hectares que se apresentam como solução às mudanças climáticas, com práticas agrícolas sustentáveis e valorização da Mata Atlântica. O plantio do cacau que fortalece a economia regional, desde sempre foi reconhecido por sua importância cultural e histórica. Agora, ganha relevância como fator de equilíbrio climático e conservação da biodiversidade.

Foto: Ana Lee/Divulgação
