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Comandado por duas advogadas, Estúdio Olí quebra urbanismo com peças decorativas de cerâmica inspiradas na natureza

Por Maurício Reis

É na atual onda de maximalismo, onde cores pungentes e a exaltação exacerbada do urbano, em parte causada pelas grandes metrópoles, refletem a arte comumente vista em filmes, onde os prédios são os protagonistas do cenário e até mesmo lares imitam características de ambientes empresariais, que nos deparamos com o Estúdio Olí. A marca soteropolitana cria peças de decoração trabalhadas inteiramente com argila de forma artesanal, dando vida a obras de cerâmica que trazem o minimalismo orgânico que contrasta com o ambiente visualmente hiper estimulado da capital baiana.

 


Foto: Divulgação

 

A história da Olí começou antes do próprio nascimento do estúdio. No ano de 2020, em meio a pandemia, as advogadas Luana Barros e Caroline Maia iniciaram seus respectivos estudos em arte e design após a insatisfação profissional enfrentada por ambas no ano anterior. Dessa maneira, Caroline cursou Design de Interiores e, em busca de um hobby, deu vazão à sua paixão por trabalhos artesanais com cerâmica. Já Luana, dedicou-se a criação de um e-commerce de produtos de mesa posta e se aprofundou na pesquisa por matérias-primas naturais e atemporais.

 

Em 2023, as duas cruzaram-se profissionalmente, e do encontro, o desejo. E do desejo, o Olí. A marca combina a técnica e experiência da dupla, que gerou através dos anos um portifólio sinuoso preenchido com vasos decorativos, luminárias e esculturas, apresentadas em um design limpo. Com apenas quatro meses de nascida, o estúdio marcou presença em ambientes de escritórios de arquitetura como Laís Galvão Arquitetos, Tatiana Melo Arquitetura e Architects +Co, na Casa Cor Bahia, e GAM e Erla Ribeiro e Gabriela Giannotti, na Casas Conceito Salvador. 

 

A AUTODESCOBERTA E NASCIMENTO DAS ARTISTAS POR TRÁS DA ARTE
Antes da arte concreta, nasce ou se descobre um artista. Em conversa com o BN Hall, Luana Almeida, atualmente com 29 anos, afirmou que a autodescoberta como artista não emergiu na infância, manifestando-se apenas quando conquistou a liberdade para criar o próprio cenário de vida. “Encontrei na criação uma maneira de refletir meu lado contemplativo e minha paixão por escolhas que valorizam a conexão entre o ser humano e o ambiente. Hoje, vejo minha arte como um espelho da vida que desejo construir”, explicou a artista.

 

Já para Caroline, foi o oposto. Familiarizada com arte e trabalhos manuais desde criança, ela contou que ser artista foi algo presente desde o seu nascimento. “Eu sempre tive uma sensibilidade aguçada, uma forma de ver o mundo muito individual. Só na vida adulta eu consegui juntar essas duas características tão marcantes da minha personalidade e entender que elas convergem para a mesma coisa: o fazer artístico”, contou na entrevista.

 


Foto: Divulgação

 

Sendo a matéria-prima das peças, a argila tem um papel fundamental na identidade do trabalho das sócias. A cerâmica torna o imperfeito visto como completo, encaixando-se no estilo artístico almejado, que busca celebrar o desgaste natural do tempo e o encontro com a essência humana. “A nossa busca pela reconexão com o natural, onde nossas peças não são apenas decorativas, mas um convite para realinhar o ser humano com a natureza, valorizando o ato de contemplar e desacelerar”, explicou Luana, enfatizando que cada trabalho é um reflexo do coração e das próprias mãos.

 

Ser Olí é buscar a sinergia entre o ambiente e as emoções, por acreditar que os espaços externos podem refletir e despertar nossa alegria interior. Apostando no minimalismo, as criações buscam valorizar a simplicidade do dia-a-dia e os pequenos momentos, elementos que tornam a casa um local importante. As curvas presentes nos trabalhos, dão vida a formas que fogem do convencional, e criam peças que conversam entre si e agregam leveza e fluidez. 

 

A marca acredita que urbanizar o dia-a-dia é ir contra a natureza humana. “Cria um peso, um peso que podemos escolher carregar ou não. E todo dia a gente escolhe na Olí ir em desencontro a isso, e buscar leveza naquilo mais basilar, nos elementos naturais”, detalhou Luana.

 

O PROCESSO CRIATIVO ATÉ A CONCRETIZAÇÃO DE UMA PEÇA
A inspiração artística para a criação é buscada em formas orgânicas proporcionadas pela própria natureza. Em conversa, Carol explicou que busca sempre a fuga do convencional. “A gente pensa em duna, em mar, em onda, em nuvem, em céu, em vento, para buscar sempre um desenho de peça que fuja do tradicional [...] que traga essa sensação que a gente acredita que é importante estar dentro de um ambiente para a pessoa se sentir bem, que conversa com o que acreditamos na arquitetura de interiores”, revelou.

 

No processo de criação, Caroline considerou a argila como um material com vida própria, que mesmo estando diante de um projeto, o resultado nunca é a idealização concebida inicialmente. E é dessa maneira que as coleções da marca ganham vida, como o “Mural Sentido”, formado por diversas obras em uma vibrante tonalidade terracota, pensadas para se interligarem de forma fluida, gerando um jogo de sobreposições e sombras que transformam a parede onde está instalada. 

 


Foto: Divulgação

 

Ainda na conversa, Caroline explicou que a combinação do pensamento e da pesquisa prévia, integrada com a fluidez do momento, é a marca registrada do Estúdio Olí. “Quando a gente está de fato botando a mão na massa para criar o primeiro protótipo, é que a peça de fato se desenha. [...] é um pouco a gente, um pouco a nossa ideia, mas um pouco de fato o que a natureza nos permite fazer”, disse. 

 

RECONHECIMENTO ALCANÇADO EM 2024
Destacando-se em mostras de design e decoração, o Estúdio Olí esteve presente em eventos prestigiados, participando da última edição da Casas Conceito, em 2024, compondo os espaços das arquitetas Daniela Lopes, Aline Cangussu e Milena Saraiva. No mesmo ano, também exibiu seu trabalho na Casa Cor Sergipe e Bahia. Na Casa Cor Bahia, fez parte dos espaços de Caroline Gomes e Renan Saturnino, Nathalia Coelho, João Gabriel, Carol Barreto, Tatiana Melo e Marlon Gama.

 


Exibição das peças na Casa Cor 2024. Foto: Divulgação
 

 

 

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