Empresária Luísa Alves leva design baiano a Milano Jewelry Week, na Itália
Após representar a Bahia na Milano Jewelry Week, realizada em Milão, na Itália, a designer e empresária Luísa Alves, criadora da Palma Joias, vive uma fase marcada por reconhecimento e amadurecimento criativo. O evento, que reuniu nomes da joalheria contemporânea de diferentes países, representou mais um passo na trajetória da marca — e rendeu à baiana o Artistar Jewelry Network Award, concedido pela galeria The Sense of Beauty, por suas criações autorais que ultrapassam as fronteiras da joalheria tradicional.

Em conversa com o BN Hall, Luísa avaliou que o mercado internacional ainda está descobrindo a diversidade da joalheria brasileira. Ela explicou que o evento serviu como uma vitrine de diferentes linguagens criativas do país e que a regionalidade continua sendo um dos pilares do seu trabalho.
“A joalheria brasileira tem lutado pelo seu espaço, e, nessa Milano Jewelry Week, o Brasil apresentou propostas e estéticas muito distintas. A regionalidade é um aspecto importante no meu trabalho, mas não posso dizer que o público geral já construiu uma expectativa sobre o que vem do Nordeste ou do Brasil”, observou.
A experiência em Milão também reforçou a convicção que ela já tinha sobre a potência cultural da Bahia. Ver a reação do público estrangeiro despertou ainda mais orgulho do trabalho local e do “jeito baiano” de fazer design.
“Um evento como esse evidencia a beleza da nossa produção e a autenticidade das diferenças. É inspirador e me instiga a trazer ainda mais da nossa identidade para as próximas criações”, afirmou.
Com a Palma, a designer tem apostado em um caminho de colaboração e troca constante. Ela acredita que o pensamento coletivo é essencial para o fortalecimento do setor criativo e destacou que essa mentalidade se reflete em todas as etapas do negócio — da produção com o time às parcerias com outras marcas.
Esse olhar colaborativo também se expressa na forma como ela entende o processo criativo. Para Luísa, mais do que o tema em si, o que importa é o modo de olhar e traduzir o cotidiano em joalheria. Fugir do óbvio é uma meta constante.
“Existem muitas joias que já estão na Bahia, e seria presunçoso querer traduzir todas elas em peças. O que me interessa é o ‘como’ e o ‘porquê’, sempre com um olhar diferente sobre o que vemos todos os dias”, disse.
Durante o evento em Milão, a Palma apresentou duas coleções que dialogam com o mar e com o território baiano. A primeira, Sargaço, explorou elementos inusitados da Baía de Todos-os-Santos. Já a Abissal, criada a partir de vidros marinhos e pedras brasileiras, foi a responsável pelo prêmio internacional recebido pela marca.
Para a designer, ver o design autoral baiano ser reconhecido fora do país foi um sinal de que a joalheria feita com poesia e provocação tem conquistado novos públicos. “Foi um orgulho imenso perceber que o nosso trabalho tocou pessoas de lugares tão diferentes. Essa, pra mim, é a maior vitória”, salientou.
Siga o @bnhall_ no Instagram e fique de olho nas principais notícias.
