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Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra
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Eduarda Moitinho
Graduanda em Comunicação Social pela UFBA. Ex repórter do site Notícias da UFBA. Participante da Liga de Cinema Lacine da universidade.
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O Dia dos Pais, data que compõe o calendário nacional desde 1953, acontece neste domingo (9). A ideia original teve fins comerciais e pertence a Sylvio Bhering, na época, diretor do jornal O Globo e da Rádio Globo no Rio, segundo informações do veículo. Hoje, milhões de brasileiros celebram a existência das figuras paternas, sejam elas biológicas ou não.
A Bahia é o 3° estado com maior número de crianças que possuem apenas o nome da mãe em suas certidões de nascimento. Por um lado, o dado denuncia a ausência paterna biológica, mas não apenas isso. Em muitos casos, simboliza recomeços: crianças, adolescentes e adultos podem registrar vínculo de filiação com seus “pais de consideração”.
O assistente social Marcílio Requião, residente do município de Miguel Calom, é parte desse grupo. Ele sempre teve vontade de ser pai, mas especificamente, pai adotivo. Após uma tentativa falhar, Marcílio foi apresentado a uma oportunidade que estava mais próxima do que imaginava. Uma prima teve um filho e, após alguns anos, foi abandonada pelo companheiro porque a criança não possuía o DNA dele.
Em entrevista para o Bahia Notícias, Marcílio relembra emocionado de como o vínculo com seu filho Saulo começou a ser criado. Em visitas, Saulo ainda estava na pré-adolescência quando esboçava a vontade de ser adotado.
“Ele me disse: ‘Por que você não é meu pai? Se você quer ter um filho e eu quero ter um pai', Daí nasceu o desejo de adotá-lo, e aparentemente, ele parece comigo, já que é da família, um primo segundo”, conta.
Em 2014, quando Marcílio tinha 37 anos e Saulo 14, o vínculo socioafetivo passou a ser criado. Em situações sociais, como aniversários e comemorações, ambos já eram vistos como pai e filho. Foi em 2025 que a paternidade do assistente social foi oficializada, com muita emoção.
“Quando saiu a sentença e o juiz concedeu a guarda, lembro da alegria dele. Ele chorava como se fosse uma criança naquele momento, como se ele tivesse nascido naquele momento”, relembra.
Como Marcílio, muitos outros pais de consideração representam um novo começo na história de crianças, adolescentes e até adultos. Acontece que, muitas vezes, o registro não é tido como prioridade e o vínculo se restringe à convivência social.
Em questões burocráticas, como acrescentar um filho socioafetivo em um plano de saúde ou até em casos de falecimento, quando é deixada uma pensão, o vínculo de filiação precisa obrigatoriamente existir. Essas estão entre as questões alertadas em mutirões como o “Meu Pai Tem Nome”, da Defensoria Pública, com atendimentos gratuitos voltados ao reconhecimento de paternidade.
O mês de agosto é marcado pelo Dia dos Pais e, embora a ocasião preencha a casa de muitos brasileiros com comemorações e presentes, existe outra faceta que revela uma questão alarmante no país: a ausência paterna.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, a “taxa de paternidade” baiana é maior do que a do Brasil — no estado, 64,6% dos homens de 15 anos ou mais são pais. No entanto, os elevados índices de paternidade não refletem necessariamente a presença desses homens na vida de seus filhos.
De acordo com dados extraídos da aba “pais ausentes” do portal da transparência da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), a Bahia ocupa o 3° lugar no ranking nacional que registra o número de crianças que possuem apenas o nome da mãe em suas certidões de nascimento. O estado fica atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.
Suellen Lordelo, coordenadora da Especializada de Família e Sucessões da Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA), avaliou, em entrevista ao Bahia Notícias, que a posição ocupada pelo estado se dá por uma série de fatores, mas o pilar central está na cultura do machismo.
“Muitos homens não acreditam na possibilidade de gerar um filho a partir de uma relação que não é fixa, ou seja, de algo casual. Então, muitos pais não registram porque têm dúvidas acerca da paternidade. (...) Além disso, os pais às vezes têm medo das consequências jurídicas da paternidade, porque ser pai não é só ser um nome em um documento”, explica.
Com um vínculo de filiação estabelecido entre pai e filho, homens passam a ter uma série de responsabilidades legais que envolvem a guarda da criança, o que intimida uma grande parcela deles. Isso, no olhar de Suellen, é uma das principais causas de ausência paterna no estado.
A coordenadora também pontua questões de logística que envolvem o registro: organização, deslocamento, diálogo com o cartório etc. Além disso, algumas cidades do interior não possuem essas questões facilitadas para os moradores. Por esse e outros motivos, a Defensoria realiza atendimentos durante o ano inteiro, cobrando apenas documentos e atendendo por ordem de chegada, a fim de facilitar burocracias do processo.
Só em 2026, foram 694 casos de pessoas que ingressaram com ações de investigação de paternidade, sendo 109 investigações post mortem — ou seja, o suposto pai já faleceu. Quanto aos exames de DNA, foram registrados 405 durante o primeiro semestre deste ano.
Ainda que os atendimentos aconteçam durante o restante do ano, a força-tarefa nacional da Defensoria Pública “Meu Pai Tem Nome” concentra esses serviços durante o mês de agosto, por conta da associação ao Dia dos Pais.
Durante evento realizado pela Fieb nesta terça-feira (4), o candidato ao Governo do Estado, Antonio Carlos Magalhães Neto (União Brasil), em entrevista coletiva, confirmou a intenção de criar duas novas secretarias caso eleito: a Secretaria da Pessoa com Deficiência e a Secretaria de Parcerias e Investimentos.
Pouco tempo antes, em seu discurso, ACM havia confirmado a existência de apenas uma delas, a de Parcerias e Investimentos. Ele detalha que esta tem o objetivo de executar o trabalho de articulação para a atração de empresas e capital.
A outra será responsável por cuidar das políticas para as pessoas com deficiência, estruturada em quatro vetores: saúde, educação/qualificação profissional,acessibilidade e cuidado das famílias.
ACM ainda detalhou os planos voltados para as secretarias já existentes.
“Nós vamos mostrar um novo modelo de governo que, ao fim, terá a redução de secretarias, de cargos e de funções, mas que essas duas terão peso e importância nesse novo governo”, conclui.
O candidato ao Governo do Estado, Jerônimo Rodrigues (PT), durante evento realizado pela Fieb nesta terça-feira (4), em entrevista coletiva, ao comentar a possibilidade de uma “dobradinha” entre o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União), reforçou a postura contrária de ACM ao presidente.
“No caso do meu opositor, ele não é só bolsonarista. O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, é anti-Lula(...) Quem vota em Lula tem que saber que ACM Neto já prometeu uma surra a ele”, declara.
Horas antes, o candidato ACM Neto, também presente no evento, ao ser questionado sobre a mesma possibilidade, declarou que “o eleitor é livre para fazer a sua escolha”.
“O eleitor é livre pra fazer a sua escolha. É livre para escolher o seu deputado estadual, federal, para escolher o seu governador, os seus senadores, o seu presidente. Só quem manda na vontade do eleitor é o próprio eleitor, é a sua consciência”, pontua.
O candidato reforça que espera do povo baiano uma avaliação sobre o futuro do estado no momento da escolha, e, com isso, votem no modelo de gestão que desejam para os próximos anos.
Presente em evento organizado pelos setores produtivos baianos nesta terça-feira (4), o candidato ao Governo do Estado, Antônio Carlos Magalhães Neto (União Brasil), ao ser questionado sobre planos de reestruturação da Secretaria de Agricultura e desenvolvimento do setor agropecuário, teceu duras críticas à atual gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), também presente, e prometeu mudanças.
ACM Neto afirmou que a Secretaria tem sido utilizada como "objeto de indicação política" e "negociação partidária", resultando no afastamento da Federação da Agricultura, sindicatos rurais e demais associações.
“Eu tenho que ser verdadeiro, e quem conhece a dinâmica da política e também quem milita na área da produção rural sabe que o que eu estou falando é verdade (...) É assim: ‘ó gente, resolveu todos os partidos, ficou faltando qual? Ah, arranja aí um nome para poder indicar como Secretário de Agricultura do Estado’(...) Foi o que aconteceu nos últimos anos”, pontua.
Ele descreveu o cenário atual como uma divisão de cargos entre partidos aliados, onde falta liderança, coordenação e o estabelecimento de metas claras por parte do governador. Prometeu que, caso eleito, não incluirá a Secretaria de Agricultura em “mesas de negociação política”.
“Nós vamos escolher o quadro mais qualificado e preparado que compreenda os desafios da política para a produção rural em nosso Estado, a fim de que esta figura seja o Secretário de Agricultura. A partir daí, nós vamos redesenhar toda a estrutura da Secretaria de Agricultura, e a nossa prioridade principal será a retomada do apoio técnico ao pequeno produtor”, conclui.
Em entrevista coletiva motivada pela retomada das atividades da Câmara nesta segunda-feira (3), o vereador André Fraga (PV) descreveu a tentativa de veto de sua candidatura a deputado estadual por parte do PT e PCdoB como "golpe" e um caso flagrante de "violência política".
“A gente está diante de uma situação que envolve vários elementos. Um elemento de perseguição política, arbitrariedade, um golpe em cima do Partido Verde, perpetrado por dois partidos que se colocam no campo da esquerda democrática e que, na prática, estão mais preocupados com o resultado eleitoral”, pontua.
Para Fraga, a tentativa desrespeita sua trajetória de 24 anos de filiação ao PV e a verdadeira motivação da perseguição não é sua figura pessoal, mas as pautas ambientais levantadas pelo Partido Verde.
“O que eu percebo é que há, na verdade, uma perseguição em função do que a gente vem apontando na nossa caminhada pela Bahia. A Bahia é o estado com o maior número de lixões no Brasil. A Bahia é o estado que mais desmata o Cerrado (...)", declara.
Apesar das pressões, o PV manteve a indicação de Fraga. O vereador confirmou a homologação de sua candidatura a deputado estadual na última sexta-feira (31).
Começa nesta segunda-feira (3) a sabatina dos candidatos ao Senado e ao governo da Bahia em 2026, como programação especial do podcast Projeto Prisma, do Bahia Notícias. O primeiro convidado e candidato ao Senado pelo PL, ex-ministro João Roma, externou seu otimismo no atual momento da campanha e concluiu que os cidadãos baianos estão decepcionados com a oposição.
Ao ser questionado sobre o rompimento das barreiras provocadas na perpetuação de nomes vinculados ao PL no interior do estado, Roma não demonstra preocupação e argumenta que está “muito animado”. Segundo ele, isso se dá graças à “decepção das pessoas” em relação ao atual governo.
“Você vê pessoas com muita esperança no coração de ter realmente uma Bahia restaurada. Os números estão falando por si, não só confirmando aí uma larga vantagem de ACM Neto para o governo do estado da Bahia, como também mostrando o crescimento muito grande, tanto do meu nome como do de Ângelo Coronel”, pontua.
Roma acredita que, embora seus oponentes tenham maior reconhecimento de nome por cargos ocupados anteriormente, esse "recall" não é suficiente para superar a insatisfação da população. O candidato ainda citou Jaques Wagner (PT), que disputa a reeleição ao Senado.
“No caso de Jacques Wagner, que nunca teve nenhum protagonismo, você o vê literalmente perdido, só aparecendo no noticiário com notícias que desapontam a nossa população (...) Nesse período em que ele estava no Senado da República, não trouxe alegria para o povo baiano. Pelo contrário, só notícias negativas, notícias que envergonham a Bahia”, conclui.
VEJA NO PRISMA:
Nesta segunda-feira (3), a Câmara Municipal de Salvador retoma os trabalhos legislativos do segundo semestre. Em entrevista ao Bahia Notícias, o líder da oposição, Randerson Leal, projeta as principais expectativas para essa fase, focado na revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e no debate sobre a precariedade do transporte público.
Randerson chama atenção para a urgência da atualização do PDDU, uma vez que a última revisão ocorreu em 2016, ultrapassando o prazo de oito anos exigido pela Lei Orgânica do Município, fato que ele classifica como “absurdo tremendo”.
“Sem o PDDU atualizado, nós temos aí uma cidade crescendo de forma desordenada,uma cidade que não cuida do meio ambiente, que não cuida da habitação, da mobilidade urbana”, declara.
Sobre o transporte público municipal, esse é visto pelo vereador como “caótico” e “defasado”. Randerson contestou a ação da prefeitura após o aumento da tarifa em janeiro deste ano, lembrando que a Câmara aprovou quase R$ 80 milhões em subsídios no final do ano anterior com o intuito de evitar o reajuste.
Ele ainda destacou os projetos que concentrarão o foco da Casa nesse segundo semestre. A prioridade é a aprovação do projeto "Kiss&Fly", que visa garantir o livre acesso ao Aeroporto de Salvador a partir da retirada da guarita de cobrança, sustentando que o cidadão não deve pagar para acessar um bem público.
“Acabar com aquela guarita, tirar aquela guarita, porque, para você ter acesso a um bem público, você não precisa pagar. A gente paga por tanta coisa, por tanto estacionamento, tanto imposto, tanta tarifa (...) Esperamos aprovar o mais breve possível e acabar com aquela guarita”, conclui.
Nesta sexta-feira (31), Salvador recebe a Cerimônia de Mobilização Nacional pelo Pacto Brasil contra o Feminicídio, que reúne a primeira-dama Janja Lula da Silva, o governador Jerônimo Rodrigues e ministros de Estado numa agenda federal realizada também em outros estados.
Presente na cerimônia, o secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Marcelo Werner, falou sobre medidas que visam fortalecer a proteção das mulheres baianas e comentou rapidamente sobre a legalização do uso do spray de pimenta, lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última sexta-feira (24).
Entre as principais medidas, Werner destacou a criação de um departamento específico na Polícia Civil e a expansão de unidades especializadas. Já foram entregues 35 novas estruturas, incluindo as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e os Núcleos Especializados (NEAMs), com inaugurações recentes em Bom Jesus da Lapa e Rio Real.
A ação do governo do estado durante os meses da Copa do Mundo também foi relembrada: “Houve uma campanha maciça, porque estatisticamente são os dias em que há mais violências domésticas de homens contra as mulheres”, comenta.
Outra medida citada foi a implementação da Sala Lilás, que oferece um ambiente de atendimento mais humanizado e acolhedor para as vítimas dentro das unidades policiais. A autuação da Polícia Militar também foi brevemente citada a partir do Batalhão Maria da Penha.
“O próprio Batalhão Maria da Penha na Polícia Militar, o aumento da expansão da Operação Maria da Penha, a Sala Lilás. Logicamente, em relação a esse pacto, é uma integração que se fortalece com as ações do Estado, com a União".
Em entrevista concedida nesta segunda-feira (27), ao Projeto Prisma do portal Bahia Notícias, o secretário estadual de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, rebate críticas sobre a falta de transparência em editais culturais e destaca que o poder público não existe para resolver problemas particulares.
Bruno compreende que seu trabalho "frustrou e frustra quem acredita que o poder público está ali para resolver problemas individuais." Em relatos, relembra desgastes que aconteceram desde que está na função.
"Eu tenho muitos amigos na área das artes,e eu perdi amigos ao longo desse tempo,porque as pessoas achavam que o fato de eu ser secretário significava que agora o financiamento de projetos e iniciativas estaria resolvido. E não funciona assim", diz.
Referente ao processo de democratização de editais, o secretário relembra a criação dos plantões presenciais como uma iniciativa direta dele e sua equipe, implementada inicialmente durante o primeiro edital da Lei Paulo Gustavo.
Ele compreende esses espaços como ferramentas de democratização e suporte técnico para quem enfrenta dificuldades com a burocracia cultural. Entretanto, relata que algumas pessoas o compreendem como um “facilitador de aprovações” e, quando isso não ocorre, saem frustradas: “Aconteceram casos em que a pessoa me acusava de perseguição”, relembra.
O secretário explica que o processo de seleção é técnico e "cego", visando romper com a antiga "política de balcão" que concentrava recursos em poucos grupos.
“No processo, é exibida uma planilha que fala de onde vem o projeto, se ele é cota, se ele não é cota e qual é a linha que ele está disputando. Não é um processo que eu vou olhar e dizer assim, ‘aqui é meu amigo, aqui não é’. Isso aí é coisa que já foi ultrapassada, de antes do edital, era a política do balcão”, afirma.
Veja no Prisma:
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Edson Fachin
"A moralização dos gatos públicos, a corrupção e a regulamentação do pagamento de juízes devem ser enfrentados com seriedade".
Disse o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) durante abertura do “Judiciário em Debate", seminário promovido pela Folha de S. Paulo para discutir integridade e eficiência da Justiça.