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O governador reeleito, Jerônimo Rodrigues (PT), reagiu ao apoio do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, a Flávio Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira (7). A declaração foi realizada por meio de suas redes sociais logo após o seu opositor anunciar para a imprensa apoio ao candidato do PL no segundo turno, que ocorre no dia 25 de outubro.
Na publicação no X (antigo Twitter), o chefe do Executivo disse: "Como sempre soubemos e dissemos, a neutralidade era oportunismo eleitoral e propaganda enganosa. O candidato dele sempre foi Flávio Bolsonaro. Perdeu para mim e vai perder novamente", dispara o petista.
Confira postagem:
Como sempre soubemos e dissemos, a neutralidade era oportunismo eleitoral e propaganda enganosa. O candidato dele sempre foi Flávio Bolsonaro. Perdeu pra mim e vai perder novamente, pois a Bahia dará uma votação histórica a Lula.
— Jerônimo Rodrigues (@Jeronimoba13) October 7, 2026
O Bahia Notícias já havia apurado que o apoio viria a partir de uma reunião marcada, um dia após uma conversa entre os líderes Ciro Nogueira, do PP, Antonio Rueda e ACM Neto, do União Brasil, no Congresso Nacional, em uma reunião a portas fechadas, conforme confirmaram os bastidores do apoio para Flávio.
Relembre o momento em que Neto declara apoio:
O PT da Bahia ganhou motivos para celebrar a vitória acachapante sobre a oposição. Jerônimo Rodrigues venceu com folga ACM Neto, ampliando os números que obteve há quatro anos, e Rui Costa e Jaques Wagner ganharam dos demais adversários com mais de um milhão de votos de frente. No entanto, o resultado do pleito federal, com Luiz Inácio Lula da Silva 2% atrás de Flávio Bolsonaro, pesou o clima da comemoração. Ou seja, foi um triunfo com certo grau de amargor.
Nem mesmo as pesquisas mais otimistas pró-governo mostravam um percentual tão expressivo para Jerônimo. O PT, mais uma vez, provou ser um partido de chegada, muito mais do que de largada. O governador era favorito por ter as mãos sobre a máquina, por ter dois ex-governadores como candidatos ao Senado e por ter um grande eleitor, Lula, a seu favor. A soma de fatores contribuiu para uma derrota que vai exigir que a oposição reorganize as rotas.
Para além das eleições majoritárias, as formações das bancadas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) sinalizam que a hegemonia do PT e dos partidos aliados e/ou satélites não apenas foi mantida, como acabou ampliada. Jerônimo ganha mais um mandato sem enfrentar dificuldades no parlamento, com gordura de sobra para garantir votações favoráveis – especialmente na Assembleia. Saiu fortalecido e maior que há quatro anos.
No primeiro turno de 2022, o senador Otto Alencar (PSD) teve mais votos que o candidato a governador. Em 2026, mesmo com prognósticos que apontavam a força de Rui Costa, Jerônimo teve mais votos que seu antecessor e Jaques Wagner, mostrando ser um personagem maior do que era avaliado até então. A criatura se tornou maior que o criador, em um cenário em que, mesmo internamente, não era considerado possível. Lembremo-nos que, até meses antes da campanha começar, o burburinho de uma substituição do governador candidato à reeleição circulava com frequência.
Agora, com a força concedida pelas urnas, resta saber se o governo vai continuar “particionado” com Rui e Wagner ou se, efetivamente, Jerônimo vai conseguir imprimir a própria marca, algo pelo qual foi alvo de críticas ao longo dos últimos quatro anos. O governador saiu extremamente forte do pleito e isso precisa ser assimilado pela oposição e pelos aliados que, eventualmente, subestimem o potencial dele.
E A OPOSIÇÃO?
Em 2022, ACM Neto tinha o argumento que perdeu a disputa para Lula. Em 2026, a derrota do ex-prefeito de Salvador foi para Jerônimo. Isso o coloca em uma condição bem delicada junto à própria oposição. Com a emergência de lideranças como o próprio João Roma (PL), também derrotado na disputa ao Senado, e o prefeito da capital baiana Bruno Reis (União), ACM Neto pode ver a própria liderança ser minada internamente.
Sem mandato, as chances de sobrevida política dele dependem também da articulação nacional dele, o que inclui declaração pública de voto em Flávio Bolsonaro. A provável adesão da federação União Progressista à candidatura do herdeiro de Jair é crucial para tentar exercer algum tipo de ascendência sobre o grupo político local. E há um risco de longo prazo de ser taxado como bolsonarista, algo que ele sempre tentou rechaçar.
Sem dúvidas, ACM Neto sai menor do que saiu no segundo turno quatro anos atrás. Caso algum insurgente resolva bradar ser líder da oposição, ou ele age de maneira célere ou pode perder inteiramente o controle que, por enquanto, ainda detém. É cedo para falar em sepultar a política dele. E é cedo para pisotear sobre um nome que foi opção para quase 44% dos baianos.
O cantor O Kanalha comanda, neste domingo (4), a festa da vitória do governador Jerônimo Rodrigues (PT), no Rio Vermelho, em Salvador. Reeleito no primeiro turno das Eleições Gerais, Jerônimo conquistou 55,74% dos votos na Bahia, com 99,61% das urnas apuradas, o equivalente a 4.603.641 votos.
Durante a comemoração, O Kanalha adaptou a música “O Baiano Tem o Molho” para celebrar o resultado. Ao cantar “Jero e Lula têm o molho”, o cantor animou os eleitores que participam da festa no bairro.
?? O Kanalha comanda festa da vitória de Jerônimo Rodrigues no Rio Vermelho ???? Luiza Barbosa e André Carvalho | Bahia Notícias Confira?? https://t.co/At6Y0K8hc7
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) October 5, 2026
A concentração de eleitores no Rio Vermelho começou após o fechamento das urnas e ganhou força ao longo da apuração.
CONFIRA FOTOS DA CONCENTRAÇÃO:


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Fotos: André Carvalho / Bahia Notícias
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito neste domingo (4) para comandar o Estado da Bahia por mais quatro anos. Com 55,19% dos votos válidos, o petista derrotou o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), que alcançou 44,27% no primeiro turno. Até o momento, 94,71% das urnas foram apuradas.
A vitória garante ao Partido dos Trabalhadores a continuidade de um ciclo político que governa o estado ininterruptamente desde 2007, quando Jaques Wagner (PT) venceu Paulo Souto e quebrou o domínio carlista - grupo ligado ao antigo senador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007).
A reeleição de Jerônimo referenda a avaliação de seu primeiro mandato (2023-2026) e sua forte vinculação com o governo federal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na reta final da campanha, pesquisas já indicavam um cenário de forte acirramento e crescimento do petista, impulsionado por uma aprovação de governo que orbitava a casa dos 53% às vésperas do pleito.
MARCAS DO PRIMEIRO MANDATO (2023-2026)
O primeiro mandato de Jerônimo Rodrigues foi caracterizado pela tentativa de consolidar políticas de assistência social e pelo estreitamento de laços com os 417 municípios baianos, priorizando a governança através de consórcios intermunicipais.
Logo em seu primeiro ano de gestão, o governador promoveu uma reforma administrativa que desmembrou secretarias para espelhar a esplanada dos ministérios em Brasília e adequar a execução de verbas federais. A antiga Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJHDS) deu lugar a duas novas pastas. A principal vitrine social da gestão foi a criação do programa Bahia Sem Fome, desenhado para combater a insegurança alimentar no estado.
GARGALOS, OBRAS E CRISE NA SEGURANÇA PÚBLICA
Apesar das entregas na área social e na educação, o primeiro mandato do petista forneceu munição constante para a oposição, com desgastes concentrados em três eixos principais: a crise na segurança pública, os impasses nos megaempreendimentos de infraestrutura e a fila da regulação nos hospitais.
A segurança pública se consolidou como o principal calcanhar de Aquiles de Jerônimo. Durante o quadriênio, o estado figurou repetidamente no topo dos índices nacionais de violência letal e de letalidade policial. O avanço de facções criminosas armadas, refletido em episódios de confrontos intensos na capital e no interior (como a crise em Jequié e bairros de Salvador), gerou um clima de insegurança. O alto número de mortes decorrentes de intervenções policiais atraiu críticas severas de entidades de direitos humanos e exigiu do governo a criação de forças-tarefas e o anúncio de reestruturações na Secretaria de Segurança Pública (SSP).
Na mobilidade, o VLT do Subúrbio tornou-se um símbolo de frustração. O governo precisou romper unilateralmente o contrato com o consórcio chinês Skyrail em 2023, após a empresa não conseguir tirar o antigo projeto de monotrilho do papel. A gestão Jerônimo foi forçada a relicitar a obra do zero, adotando o modelo de Veículo Leve sobre Trilhos tradicional. O atraso prolongou drasticamente o déficit de transporte para a população do Subúrbio Ferroviário, que perdeu os antigos trens em 2021.
A novela da Ponte Salvador-Itaparica também se arrastou. Promessa histórica das gestões petistas anteriores, o projeto bilionário sofreu com sucessivos adiamentos em seus cronogramas de sondagem e dragagem. Impasses financeiros com o consórcio construtor — impulsionados pela inflação global pós-pandemia — forçaram o governo a renegociar aportes, fazendo com que a oposição explorasse a obra como um "elefante branco" midiático durante toda a campanha de 2026.
DE AIQUARA AO PALÁCIO DE ONDINA
Primeiro governador autodeclarado indígena da história do Brasil, Jerônimo Rodrigues Souza tem 61 anos e uma trajetória que mescla a vida acadêmica com a gestão pública. Natural do povoado de Palmeirinha, no município de Aiquara, no sudoeste baiano, teve uma infância humilde. Filho de um vaqueiro e de uma costureira, deixou sua cidade natal aos 9 anos para estudar em Jequié e, posteriormente, em Salvador. Formou-se em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Cruz das Almas, e concluiu o mestrado em Ciências Agrárias. Desde 1995, é professor licenciado da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).
Sua entrada na política institucional ocorreu nos bastidores. Filiado ao PT desde os anos 1990, Jerônimo atuou em movimentos sociais e ocupou cargos no Ministério do Desenvolvimento Agrário durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (2011-2016). Na Bahia, ganhou projeção como um dos principais articuladores das gestões petistas. Durante os mandatos de Rui Costa (PT), foi titular de duas pastas estratégicas: a Secretaria de Desenvolvimento Rural (2015-2019) e a Secretaria da Educação (2019-2022).
Em 2022, venceu ACM Neto no segundo turno com 52,79% dos votos. Agora, ao garantir um segundo mandato, consolida seu próprio capital político frente ao eleitorado.
A RUPTURA COM O CARLISMO E A NOVA HEGEMONIA
Ao derrotar novamente ACM Neto, o PT assegura uma hegemonia que completará vinte e quatro anos no poder estadual, consolidando uma vitória significativa contra o "Carlismo" — a robusta máquina política liderada pelo ex-governador e ex-senador Antônio Carlos Magalhães, que governou a Bahia por quase meio século.
A guinada histórica teve início em 2006, com a vitória de Jaques Wagner no primeiro turno. Desde então, o grupo liderado pelo PT superou sucessivas investidas da oposição, elegendo e reelegendo Rui Costa e, agora, referendando Jerônimo, reconfigurando as bases de poder nos municípios do interior e impondo duras derrotas aos herdeiros políticos do antigo grupo carlista.
DESAFIOS PARA NOVO CICLO
Para o mandato que se inicia em 1º de janeiro de 2027, Jerônimo terá novamente ao seu lado o vice-governador Gerldo Júnior (MDB). A nova gestão precisará lidar imediatamente com as cobranças herdadas de seu próprio primeiro mandato, especialmente a necessidade de respostas rápidas para o combate ao crime organizado e a entrega física das obras da ponte Salvador-Itaparica. Outro desafio central segue sendo a fila da regulação, segurança pública e educação.
A apuração das urnas na Bahia atingiu 76,30% das seções totalizadas. Segundo dados atualizados do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), a disputa pelo governo estadual está liderada por Jerônimo Rodrigues (PT), que registra 54,37% dos votos válidos até o momento. (Atualizada às 20h25)
Logo em seguida, Antônio Carlos Magalhães (ACM) Neto (União) contabiliza 45,11% das intenções computadas nas urnas.
Placar parcial da apuração para governador na Bahia:
- Jerônimo Rodrigues (PT): 54,40% (3.409.546 votos)
- ACM Neto (União): 45,08% (2.825.330 votos)
- Ronaldo Mansur (PSOL): 0,37% (23.022 votos)
- Aroldo Félix (UP): 0,07% (4.313 votos)
- Maria Bona (PCO): 0,05% (3.276 votos)
- Ariel Capistrano (DC) 0,04% (2.240 votos)
Para acompanhar os dados atualizados em tempo real, consulte o portal do Bahia Notícias, diretamente vinculado ao do Tribunal Superior Eleitoral.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Navi Pillay
"Talvez dividiria com Trump".
Disse a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9), a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay ao brincar com a reação do público e declarou que, se os aplausos continuassem, "talvez dividiria o prêmio com Trump". Em tom descontraído, a premiada questionou se o anúncio era real: "Como advogada e juíza, ainda quero verificar se tudo isso é verdade", brinca.