Ufba repudia ato de deputado Diego Castro, registra BO por agressão e aciona Polícia Federal e AL-BA
Por Ronne Oliveira / Eduarda Moitinho
A Universidade Federal da Bahia (Ufba) manifestou repúdio aos atos de "intimidação e desrespeito" ocorridos na manhã desta quinta-feira (20), na Faculdade de Comunicação (Facom), no campus de Ondina, em Salvador. Em nota, a entidade alega que o deputado estadual Diego Castro (PL) e membros "perturbaram, de forma truculenta" estudantes e professores durante ato de campanha. O deputado, por sua vez, alega que foi checar denúncias de propaganda petista no campus.
Conforme a administração central, a instituição informou ter registrado Boletim de Ocorrência e acionado instâncias federais e legislativas, como a Polícia Federal e Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Segundo o comunicado da universidade, a presença do parlamentar e de sua comitiva interrompeu o ato de recepção aos calouros, pois ocorreu às 10h da manhã no segundo dia letivo do semestre, em horário de aula.
Ao Bahia Notícias (BN), estudantes relataram gritos e confusão nos corredores, pois não conseguiam descer pelas escadas devido à multidão de pessoas que gravava, tentava separar ou se envolvia no confronto verbal. Essa movimentação foi gravada pelos próprios alunos e pelas câmeras de segurança da faculdade.
Reveja em vídeo logo abaixo:
Durante a confusão, o estudante Tobias Muniz, presidente do Centro Acadêmico da Facom (CAFACOM), foi empurrado por um integrante da segurança do deputado e ficou ferido. O momento das agressões foi registrado. A reitoria informou que, com o apoio da Coordenação de Segurança da Ufba (COSEG), o estudante realizou exame de corpo de delito e o caso foi registrado formalmente em delegacia via Boletim de Ocorrência.
A instituição também destacou que o diretor da Facom, Washington Souza Filho, foi desrespeitado e sofreu ameaças verbais ao tentar intervir para garantir a segurança no local. De fato, é possível ver o professor tentando acalmar as partes durante a confusão nos corredores. Em entrevista ao BN, ele repudiou a atitude do parlamentar, classificando o caso como "um absurdo."
UFBA ACIONA PF
Em razão do caráter federal da universidade e da proximidade do período eleitoral, a reitoria da Ufba comunicou que se dirigiu à Superintendência da Polícia Federal na Bahia para estabelecer um protocolo de cooperação mais intenso, visando à adoção de medidas preventivas e efetivas de segurança.
A administração central repudiou a "naturalização da violência com fins políticos" e o "oportunismo político" voltado à busca de projeção em redes sociais. Diante da gravidade dos fatos, a Ufba solicitou formalmente um posicionamento da AL-BA, conclamando o órgão a adotar providências urgentes em relação à "conduta indecorosa" do deputado.
Fotos: Bernardo Maia (Bahia Notícias) / Ascom da Polícia Federal
A universidade também prestou solidariedade ao estudante agredido, ao diretor da unidade e a toda a comunidade acadêmica afetada.
DEFESA DO PARLAMENTAR
Anteriormente à divulgação da nota da Ufba, a assessoria de imprensa do deputado Diego Castro (PL) informou que a ida do parlamentar à Facom teve como objetivo "averiguar uma denúncia apresentada por um estudante sobre a presença de adesivos de propaganda eleitoral em favor do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas dependências do prédio."
De acordo com o parlamentar, a fiscalização gerou protestos de alunos, que o teriam ofendido com gritos de "fascista" e tentado impedir a retirada dos materiais. O deputado declarou que universidades federais não devem atuar como "diretórios políticos" nem favorecer agremiações partidárias, afirmando que cobrará esclarecimentos oficiais sobre a presença dos adesivos.
Em vídeo nas redes sociais, o deputado responde a algumas acusações. Mostra que também registrou um B.O. No vídeo, o membro da casa legislativa da Bahia evidencia que não entrou no banheiro feminino e que estava removendo adesivos de candidatos em trechos vandalizados da faculdade pública.
"Nós fomos agredidos por militantes da esquerda. Ele me agrediu. Atendemos denúncias de estudantes de direita da Ufba. Se a regra para um, tem que ser para todos. Imaginem se eu colo um adesivo desses?", questiona.
Leia a nota da Ufba na íntegra logo abaixo:
"A Universidade Federal da Bahia manifesta seu mais veemente repúdio aos atos de violência, intimidação e desrespeito ocorridos nesta quinta-feira, 20 de agosto, nas dependências da Faculdade de Comunicação (FACOM), no campus de Ondina, envolvendo o deputado estadual Diego Castro (PL) e integrantes de sua equipe.
A movimentação do parlamentar e de sua equipe perturbou, de forma truculenta, a rotina acadêmica da universidade, tendo resultado na interrupção do ato de recepção aos calouros do semestre letivo, a partir de uma atitude de confronto, verbal e físico, direcionada a estudantes, técnicos administrativos e professores, bem como aos profissionais terceirizados responsáveis pela segurança.
Tais atos foram registrados por câmeras da instituição e por celulares de membros da nossa comunidade. O estudante Tobias Muniz, presidente do Centro Acadêmico da Facom, foi empurrado por um integrante da segurança do parlamentar e ficou ferido. As ameaças à comunidade também atingiram o dirigente da Faculdade, professor Washington Souza Filho, que foi desrespeitado e ameaçado ao exercer seu dever de zelar pela segurança e funcionamento da unidade acadêmica.
Diante de tal agressão, e com acompanhamento da Coordenação de Segurança da UFBA (COSEG), foi registrado Boletim de Ocorrência e realizado exame de corpo de delito no estudante [atingido]. Além disso, uma vez que nossa universidade é uma instância federal, a reitoria da UFBA está se dirigindo à Superintendência da Polícia Federal, visando a um protocolo de cooperação mais intenso — em particular, neste período eleitoral, de modo que medidas efetivas e preventivas sejam adotadas.
A administração central da UFBA está atuante no caso e saberá adotar as medidas institucionais e jurídicas cabíveis para a proteção de sua comunidade acadêmica e para o respeito de uma universidade pública, cujos valores essenciais rejeitam toda forma de violência, sobretudo de quem, por oportunismo político e à custa da instituição, pretenda buscar projeção em redes sociais.
A naturalização da violência, com fins políticos, não pode ser admitida. Desse modo, em razão da gravidade do caso, a Universidade Federal da Bahia solicita o posicionamento da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, conclamando-a a tomar, com urgência, as devidas providências diante da conduta indecorosa de um dos seus membros.
A UFBA manifesta, enfim, sua solidariedade aos membros da comunidade universitária envolvidos, ao estudante ferido e ao diretor da Faculdade de Comunicação, que, no exercício de suas atribuições, buscou preservar a segurança e o funcionamento da unidade", completa a nota.
