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Fernando Duarte

Artigos

Gustavo Falcón
O Paraguaçu sob ataque
Foto: Acervo pessoal

Multimídia

Alex Santana revela convite de ACM Neto para assumir secretaria

 Alex Santana revela convite de ACM Neto para assumir secretaria
Em entrevista ao Projeto Prisma, com Fernando Duarte, o secretário de Relações Institucionais de Salvador e deputado federal licenciado, Alex Santana (Republicanos), afirmou que a decisão de não disputar a reeleição em 2026 foi motivada exclusivamente por razões pessoais.

Entrevistas

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
Foto: Divulgação / Agência AL-BA
De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desde janeiro, após assumir a vaga aberta com a morte do deputado Alan Sanches, Luciano Ribeiro (União) concedeu entrevista ao Bahia Notícias na última semana e falou sobre a produtividade do Legislativo para 2026, ano que será marcado pela disputa eleitoral, e o cenário político para a corrida ao governo da Bahia. O deputado também tratou da formação da chapa de oposição e afirmou que, neste momento, descarta disputar a reeleição. Desde o seu retorno, Luciano passou a ocupar a vice-liderança da oposição e a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Fernando Duarte

Opinião: Jerônimo deve intensificar agendas no interior para aproveitar prazo da lei eleitoral
Foto: Wuiga Rubini/ GOVBA

As três próximas semanas serão cruciais para o reforço da imagem do governador Jerônimo Rodrigues em seu projeto de reeleição. É o período limite, conforme a legislação eleitoral, para que sejam feitas inaugurações, assinadas ordens de serviço e outras ações que tenderiam a favorecer quem está no poder. Diferentemente de 2022, quando Rui Costa permaneceu no cargo e conseguiu utilizar a máquina em favor do aliado – ainda que sem pedidos explícitos de votos -, agora Jerônimo estará por conta própria entre os meses de julho e setembro, ás vésperas do pleito.

 

Em quase três anos e meio no poder, Jerônimo ainda tem dificuldades em consolidar uma marca própria, apesar dos bons números do governo. Mesmo os investimentos como as inúmeras escolas de tempo integral, a “menina dos olhos” da gestão estadual, não vingaram como uma marca de quem está no poder. Boa parte delas é a colheita do que foi plantado ainda durante a administração de Rui – quando, até abril de 2022, o próprio Jerônimo era secretário de Educação. E olha que a dificuldade não é na comunicação, visto que não faltaram associações entre a publicidade estatal e o atual governo.

 

O governo Jerônimo conseguiu avançar, por exemplo, na saúde, com novas unidades hospitalares, especialmente no interior da Bahia. Ainda assim, ele também não é conhecido como um governador que investiu pesado em saúde. Tal qual acontece com a área de educação, não se estabelece uma conexão imediata entre a figura do governador e o que foi realizado pelo governo, mesmo em um contexto em que Jerônimo consegue ser tão personalista – ou até mais – quanto Rui, em diversas oportunidades.

 

A segurança pública, outro tema caro para o governo, é outra área em que o investimento não resultou em uma imagem positiva direta para o governo. Há tempos a Bahia não tinha números tão bons nesse segmento, surpreendendo até mesmo os mais pessimistas da oposição, que, nos bastidores, admitem a competência técnica do atual secretário Marcelo Werner. Ou seja, há avanços que sequer são percebidos.

 

Por isso essas três semanas podem ser cruciais para o reforço da imagem do governador. São os últimos momentos em que ele poderá aparecer publicamente ao lado de realizações que o próprio governo tem feito ao longo dos últimos meses e anos. É um desafio extra para a comunicação, dado que a batalha jurídica eleitoral já foi iniciada há algum tempo e a oposição tende a ficar mais do que atenta para qualquer deslize que venha a acontecer.

 

Ao longo do semestre, houve uma intensificação das ações e participações do governador, especialmente no interior da Bahia. Tudo dentro da legislação, então nada passível de questionamento pelos adversários. Agora, no limite do que permite a lei, Jerônimo deve aproveitar para tentar “colar” nele o que, até o momento, não ficou facilmente vinculado. Isso preocupa os adversários, pois quem se senta na cadeira já é favorito por natureza. Se Jerônimo conseguir alinhar a imagem dele com as entregas realizadas até aqui, ele ganha ainda mais pontos para ser reeleito em outubro.

Opinião: Alcolumbre declara guerra ao Executivo e ao Judiciário e confirma desequilíbrio entre Poderes
Foto: Ton Molina/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou guerra ao Executivo e ao Judiciário em nome do Congresso Nacional. A primeira ação foi a rejeição do nome de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Supremo Tribunal Federal (STF). O segundo “ato” será a derrubada do veto presidencial ao PL da dosimetria, que prevê abrandamento de penas a condenados no 8 de janeiro de 2023, com o ex-presidente Jair Bolsonaro incluído. O equilíbrio na Praça dos Três Poderes voltou a um momento limítrofe da existência da República.

 

Os parlamentares vivem em um processo de fortalecimento que remonta à eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados em 2015. Ali, nascia o embrião do impeachment de Dilma Rousseff (PT), tornando o Congresso uma espécie de “moderador” das decisões das urnas (como se no Brasil existisse parlamentarismo). Cunha, que chegou a ser superpoderoso, viu ruir a engrenagem que o colocou no posto e acabou descartado pouco tempo depois.

 

Ainda durante o mandato tampão de Michel Temer (MDB), a força da Câmara dos Deputados foi demarcada com rejeições de pedidos de investigação contra o então ocupante do Palácio do Planalto. À época, Rodrigo Maia foi artífice da não persecução penal de Temer, ainda que enviados dele tenham sido flagrados carregando malas de dinheiro em uma ação coordenada com a Polícia Federal e os irmãos Joesley e Wesley Batista. Maia, que também outrora fora poderoso, foi suplantado por outro nome, Arthur Lira (PP-AL), que se fortaleceu especialmente na administração de Jair Bolsonaro (PL) e a desastrada coordenação política voltada a enfraquecer o Executivo.

 

Junto com o alagoano, houve a emergência de Davi Alcolumbre. Coube a ambos a orquestração do que se convencionou chamar de “orçamento secreto”, com bilhões em emendas impositivas que sequestraram a atuação do Executivo para (olha só) executar o orçamento público federal. De lá para cá, com alguns poucos momentos nas “sombras”, Lira e Alcolumbre se tornaram maiores do que qualquer pessoa que passou pelas cadeiras de presidentes da Câmara e do Senado. E seguem assim.

 

Do “pequeno” Amapá, Alcolumbre jogou contra a parede o governo Lula, eleito com uma base extremamente frágil no Congresso Nacional. De ministérios ao loteamento de escalões mais baixos, o presidente do Senado manteve o mise-en-scène de que era um aliado de Lula, ainda que tenha feito acenos ao movimento anti-STF da extrema-direita. Agora, com a tempestade perfeita, arremessou aos tigres as relações com o Executivo e o Judiciário, desequilibrando o que já não estava organizado.

 

O Senado é soberano para aprovar ou rejeitar nomes ao STF. Disso, não restam dúvidas. Todavia, com o contexto atual, os recados deixaram de ser indiretos e passaram a ser explícitos. Aliados de Lula sinalizam uma espécie de contraofensiva, com exonerações e perda de espaços para o Judas da vez. O STF deve permanecer com o quadro de ministros incompletos até o próximo governo – a não ser que haja uma reviravolta de novela que permita uma nova indicação antes de outubro. E o brasileiro seguirá preocupado com as eleições majoritárias, enquanto a próxima legislatura tende a ser pior, como diria o célebre Ulysses Guimarães. Com Alcolumbre praticamente já reeleito como presidente do Congresso Nacional.

Opinião: Rui insiste em comparar modelo de gestões, fragilizando Jerônimo e simulando candidatura ao governo
Foto: Ulisses Dumas/ Divulgação

Apenas a Justiça Eleitoral acredita que a campanha não começou. Afinal, a pré-campanha tem os mesmos elementos, só não há pedido explícito de votos. Nesse contexto, dá pra notar o tom que as candidaturas devem utilizar no período propriamente dito. E também observar as estratégias que os candidatos pretendem utilizar. O ex-ministro Rui Costa (PT), por exemplo, é candidato ao Senado, mas se comporta como candidato a governador e, ainda por cima, tem ponto focal em atacar a gestão de Salvador, sob a tutela de Bruno Reis (União), aliado e afilhado político de ACM Neto (União).

 

Derrotado na disputa pela vaga de vice de Jerônimo Rodrigues (PT), Rui, em tese, passaria um tempo submerso. O "ruizismo" perdeu para a ascendência de Jaques Wagner, que defendia a permanência de Geraldo Jr. (MDB) na cadeira. A partir daí, a operação foi tentar conter eventuais tensões que foram criadas. Só que Rui, ao invés de silenciar temporariamente, partiu para uma posição de candidato - mas não ao Senado, como esperado. O ex-governador parece acreditar ser candidato ao Palácio de Ondina, fazendo frente a ACM Neto, enquanto nomes como Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL), adversários diretos ao Legislativo, não ganham a atenção do ex-ministro.

 

Há um quê de soberba nisso. E também, ao que aparenta, um desejo reprimido de ser candidato ao governo mais uma vez. É certo que as duas últimas campanhas de Rui foram para governador, então talvez seja falta de prática para entender que a candidatura ao Senado não envolve embates diretos sobre modelos de gestão. Não que exista uma fórmula para uma campanha de senador, mas ela passaria ao longe de ser meramente crítica ao gerenciamento da prefeitura de Salvador, como o ex-todo-poderoso do governo federal tem insistido em fazer. Enquanto isso, Jerônimo segue, indiretamente, sendo fragilizado pelo comportamento do aliado.

 

Rui é franco favorito a ser eleito ao Senado, segundo as pesquisas de intenção de voto (sempre descredibilizadas pelos aliados do PT). Porém, caso insista nessa perspectiva de candidatura ao Senado com comportamento de candidato ao governo, pode incorrer na classificação de "traidor". Essa pecha é cara no ambiente político - somada à dúvida que paira no ar de uma eventual substituição das candidaturas ao governo na Bahia e no Ceará, caso Luiz Inácio Lula da Silva enxergue chances de derrota nos dois estados. Por isso, os alertas permanecem ligados, já que, diferente de 2010 e 2018 nas últimas reeleições, o PT da Bahia chega sem o mesmo favoritismo de outrora.

 

Do lado adversário, tanto ACM Neto quanto o entorno dele têm optado por não responder diretamente a Rui. Mesmo os "cães de guarda" da oposição, a exemplo de Bruno Reis, focam em rebater Jerônimo e o governo, e Rui fica falando para as paredes e para o eleitorado que já tende a votar nele. Jaques Wagner segue um caminho de jogar parado, pois percebe ser mais saudável e menos arriscado - e Rui, em alguns momentos, parece enxergá-lo como concorrente direto, quando, definitivamente, não é o caso. É a campanha de 2026 tomando cada vez mais forma. Ainda que a Justiça Eleitoral prefira fingir que não é esse o caso.

Opinião: Silêncio do governo Jerônimo sobre caso Uldurico Jr. não deveria ser naturalizado
Foto: Reprodução/ Redes sociais

As relações entre o Estado e o poder paralelo acumulado por facções criminosas sempre foram faladas "à boca miúda" pela população. Desde que o Rio de Janeiro passou a exportar um modelo de negócio relacionado ao narcotráfico, a Bahia passou a lidar com tais relações de mutualismo, por uma questão estratégica para os dois lados da moeda. A colaboração premiada de Joneuma Neres e a implicação do ex-deputado federal Uldurico Jr. são "a prova que faltava" de que os limites entre o que é Estado e o que é um estado paralelo já não são invisíveis. 

 

Uldurico Jr. é de uma família tradicional da política na região Extremo Sul da Bahia. Eleito por dois mandatos para a Câmara dos Deputados, não dava para tratá-lo como um mero principiante. Tanto que o poderoso MDB não teve constrangimento em tê-lo em seus quadros, apoiado na campanha para prefeito de Teixeira de Freitas por partidos como PT, PCdoB, PSDB e PSB. Foi naquela campanha, de 2024, que a imbricação da história dele com o tráfico começou, segundo o relato de Joneuma. Ali, Uldurico iniciava negociações por votos de maneira nada republicanas.

 

Porém, o ex-deputado federal foi além da troca de votos por dinheiro via cooptação. Para evitar lidar com dívidas de campanha, aceitou tratar diretamente com o chefe do Primeiro Comando de Eunápolis, Ednaldo Pereira de Souza, o Dada, uma fuga do presídio em troca de R$ 2 milhões. Nesse meio tempo, Uldurico ainda casou, tendo uma festa de pompa com direito a convidados ilustres no Litoral Norte. Enquanto mantinha relações extraconjugais com Joneuma, que, grávida, viu a vida ir ao fundo do poço. A colaboração foi a alternativa para sobrevivência de uma mulher acuada e abandonada.

 

Só que a delação não levou apenas Uldurico Jr. ao olho do furacão - e consequente prisão. Jogou no colo da administração penitenciária da Bahia a incapacidade de controlar a influência de agentes políticos sobre atividades privativas do Estado. O ex-deputado federal repassava à Joneuma que Geddel Vieira Lima cobrava metade dos dois milhões de reais prometidos por Dada. A ex-diretora do presídio de Eunápolis expunha que, não só ela, mas a cúpula da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocializacão (Seap) fingia não enxergar o crime organizado tomar conta dos centros de detenção. Sob a tutela do MDB, que ficou com uma "secretaria podre", nas palavras de Geddel, e com anuência do governo Jerônimo Rodrigues.

 

Aqui, há um ponto de atenção. Geddel vociferou contra Uldurico e as declarações dele à Joneuma. Já o governo optou pelo silêncio, ainda que após a fuga de Dada tenha corrido para tentar estancar a sangria que se abriu. Agora, com a delação, o governo Jerônimo ficou silente demais. E sequer debateu a chance de tornar a Seap mais técnica do que o loteamento político ao MDB, que permanece de dezembro de 2024, na fuga de 16 detentos em Eunápolis, até hoje. Ou seja, justificando os ataques da oposição de que o governo coaduna com o crime - e sem muito esforço (a filiação de Uldurico ao PSDB, no entanto, limita esses ataques).

 

Para a sorte de Jerônimo, a sintonia entre Ministério Público da Bahia (MP-BA) e a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) tende a conter impactos ainda mais negativos nas acusações de que o governo nada fez para conter o estado paralelo que se formou dentro e fora das prisões baianas. Uldurico Jr. tende a se tornar boi de piranha nesse processo. A não ser que ele opte pelo mesmo caminho da amante. Aí, os dados a serem compartilhados poderiam implicar atores bem proeminentes da política baiana. Ou a operação abafa falará mais alto?

Opinião: ACM Neto adota tom “paz e amor”, enquanto aliados devem atuar como “cães de guarda”
Foto: Divulgação

Olhares mais atentos podem começar a traçar paralelos entre o modelo de comunicação adotado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com uma diferença de mais de duas décadas. A transformação de ACM Neto numa versão ligeiramente mais “leve” teve início com a chegada do marqueteiro João Santana ao grupo, reproduzindo a estratégia que consagrou Duda Mendonça em 2002, com “Lulinha paz e amor”. Nada se cria, tudo se transforma.

 

Até o começo de 2026, o tom adotado por ACM Neto ao criticar o governo de Jerônimo Rodrigues foi duro. Após um hiato de quase um ano depois da derrota em 2022, o ex-prefeito de Salvador retornou aos holofotes como oposição aguerrida e com escolhas temáticas e estéticas que sinalizavam um enfrentamento excessivamente combativo. Nesse contexto, os aliados de Jerônimo minimizavam os ataques e colocavam na conta de ACM Neto o que eles costumam tratar como “herança maldita”, como se fosse possível falar disso 20 anos depois do PT chegar ao poder.

 

A mudança é discreta. E não necessariamente havia um erro de condução. É uma rota recalculada, para tentar reverter o resultado do último pleito, quando a disputa foi encerrada apenas no segundo turno. Como em outubro a probabilidade de uma eleição em dois tempos é praticamente nula, ACM Neto e seu entorno preferiram se adaptar a um modelo que deu certo no começo dos anos 2000, quando não se imaginava de maneira tão enfática a chance de Lula chegar ao poder.

 

A versão “ACM Neto paz e amor” pode ser sentida nos dois últimos grandes eventos públicos relacionados à campanha eleitoral. Na apresentação de Zé Cocá (PP) como candidato a vice-governador, em Feira de Santana, e na adesão de José Carlos Aleluia, então candidato a governador pelo Partido Novo (sic), ao projeto do ex-prefeito. Em ambos, as críticas mais contumazes não vieram de ACM Neto, mas do entorno dele, evitando um desgaste maior para o candidato com nomes que possuem grande apelo nas urnas, como o próprio Lula.

 

Talvez o exemplo mais emblemático tenha sido a partir da resposta do prefeito Bruno Reis à provocação de Jerônimo sobre a inauguração de um conjunto residencial com a presença de Lula. Em alguns tons acima do próprio padrão, o prefeito da capital baiana sugeriu que os adversários ficaram “tomando uísque até tarde”, razão pela qual cancelaram a agenda. Bruno sabia não ser verdade, pois o cancelamento foi no dia anterior. Porém Bruno precisava acenar para os antipetistas que insistem na classificação de Lula como um “bêbado”. Logo, ele aproveitou a oportunidade para vociferar contra o presidente, exercendo um papel de “cão de guarda” do aliado.

 

Caso se mantenha essa estratégia, a versão mais “leve” de ACM Neto tende a ampliar as chances de ele conquistar votos que são simpáticos a Lula e contrários ao modelo de gestão do PT na Bahia. Foi assim que Lula conquistou o Palácio do Planalto em 2022 – com uma série de outros fatores, obviamente. A fórmula até parece simples. Só precisa ver se João Santana vai manter os acertos que permearam a carreira dele.

Opinião: Janela partidária termina sem grandes surpresas na Bahia

Por Fernando Duarte

Opinião: Janela partidária termina sem grandes surpresas na Bahia
Foto: Gemini

Mesmo com uma intensa troca de cadeiras - especialmente na Assembleia Legislativa da Bahia -, a janela partidária chegou ao fim sem surpresas. Todos os políticos que tinham sinalizado a hipótese de troca de legenda ao longo dos últimos quatro anos sacramentaram mudanças. As raras exceções foram os potenciais egressos do Progressistas, Hassan Youssef e Cláudio Cajado, que acabaram permanecendo após reconfigurações internas. Ao fim e ao cabo, a sobrevivência política se mostrou mais relevante do que identidade partidária.

 

A oposição fez ajustes aqui e acolá para contemplar aliados que poderiam não garantir a reeleição. Na ponta do lápis, nomes como Paulo Câmara (ex-PSDB) e Samuel Jr. (ex-Republicanos) engrossaram a turba do PL e os quase órfãos do bolsonarismo. Câmara há tempos reclamava da lista tucana e preferiu não pagar pra ver. Já Samuel viu o Republicanos "inchar" com a família e aliados de Angelo Coronel e saiu antes de arriscar a reeleição - e olha que a igreja por si só já garanta bons votos.

 

Ainda teve a definição de espaço para Emerson Penalva, que precisava de uma legenda de oposição após ver o PDT voltar para os braços do governo. Ficou no União Brasil, que também não passou incólume, porém assistiu a dança das cadeiras acontecer com o PP, permanecendo todos dentro da federação. Marcelinho Veiga é um dos casos.

 

Já o governo viu um rearranjo que fortaleceu especialmente um já forte PSD. Houve promessas de eleição "garantida", quando na verdade era a suplência que importava. No entanto, nada vai superar o PV voltando a ser barriga de aluguel, tal qual aconteceu em Salvador em 2016 e na Bahia em 2022. A cereja do bolo, sem dúvida, foi a filiação de um legítimo representante do agronegócio ao partido mais ambientalista do mundo. Eduardo Salles no PV é tão autêntico como o argumento que Flávio Bolsonaro é uma versão "mais leve" do pai. A lógica de manter cadeiras é válida e justificada.

 

Já o PT, como sempre, teve briga interna e recuo de candidaturas como Lucinha do MST e Fabya Reis. No entanto, vai para a disputa com o mesmo número de deputados e com chance de ampliar a bancada, a depender do desempenho da campanha majoritária.

 

O PSB, que chegou a ser uma menina dos olhos, por pouco não sai muito menor do que estava. O ganho adicional foi, sem dúvidas, a chegada de Mário Negromonte Jr., cujos votos podem auxiliar a sigla a atingir a tão sonhada terceira cadeira em Brasília (ainda que haja o risco de somente ele ter o mandato garantido). A definição dele, inclusive, deve provocar, nos próximos dias, a nomeação de Camila Vasquez como conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios. Para enganar bobos, o governador Jerônimo Rodrigues chegou a dizer que a nomeação da esposa de Negromonte Jr. independia da migração dele para a base aliada, agora é esperar a confirmação já aguardada.

 

Agora, com as listas definitivas, os partidos conseguem ter um melhor horizonte sobre como lidar com as urnas em outubro. O engraçado é que, para dar conta das expectativas das legendas, o número de cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa deveria ser bem maior. Felizmente, para isso, há limite.

Opinião: Via Crucis de Geraldo Jr. chega ao fim com vitória para MDB e Wagner, e com Jerônimo evitando empoderar Rui
Foto: Jefferson Peixoto/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

A celeuma de Geraldo Jr. e do MDB chegou ao fim, tal qual a Via Crucis de Cristo na Sexta-feira da Paixão. Em um evento ligado à Igreja Universal, braço religioso do partido Republicanos, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) encerrou as crescentes especulações sobre a substituição de Geraldinho. Uma vitória dos emedebistas e do grupo do senador Jaques Wagner, que sustentava a manutenção do atual vice-governador no posto.

 

Apesar das contendas, a definição de Geraldo Jr. evita mais fragmentações numa base que já tinha sofrido a traumática cisão do senador Angelo Coronel (há quem diga que foi tudo simples e natural, mas na política não há rompimento sem fraturas). O MDB bancou a permanência do vice, frente a negociações abertas pelo próprio Jerônimo nas tentativas de aplacar a pressão do agora ex-ministro Rui Costa (PT), que tentava minar Geraldo Jr. para ter mais controle sobre o processo eleitoral.

 

Ainda que tenha sido salvo da crucificação, não dá pra dizer que Geraldinho tenha saído maior da fritura imposta a ele. O silêncio, todavia, fez o vice se preservar diante dos reiterados esforços do fogo amigo em desprestigiá-lo, humilhá-lo e fazê-lo arder frente a ataques indiretos e recados - parte deles repassados somente pela imprensa. Diferente de 2022, quando chegou grande para compor a chapa, agora Geraldo Jr. passará por uma reafirmação contínua de que mereceu permanecer como vice - frisando, inclusive, que não lhe faltou lealdade até quando foi colocado à prova publicamente.

 

O alerta dado pelo experiente Mário Kértesz, de que a chapa governista se preparava para perder, pareceu ter dado a última chacoalhada necessária no grupo do PT. Wagner provou, mais uma vez, a força que possui e engoliu Rui logo após ele deixar o cargo todo poderoso de ministro da Casa Civil. O timming do anúncio coincide com a saída dele do cargo e consequente presença mais constante na Bahia até a eleição. Jerônimo "acordou" a tempo de evitar que seu antecessor poderia deixar a condição de aliado para se tornar um carma. E também a tempo de empoderar o único que, nos bastidores, nunca teria deixado de trabalhar para que o governador desistisse da reeleição para um "retorno triunfal" do ex que nunca quis deixar de ser.

 

Agora, com a maior parte dos times já conhecida, cabe aos políticos arregaçarem as mangas para a campanha. À imprensa e aos cidadãos, resta assistir o que promete ser o processo mais acirrado das últimas décadas nas eleições da Bahia.

Opinião: ACM Neto lança “pré-candidatura” em flerte com extrema-direita de Caiado; Jerônimo tenta dividir holofotes
Foto: Divulgação

Lançado extraoficialmente como candidato a governador da Bahia nesta segunda-feira (30), o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) reuniu aliados para tentar mostrar força, especialmente no interior da Bahia. Tanto que escolheu Feira de Santana como palco para o evento, uma forma de evidenciar que o prefeito da cidade, José Ronaldo (União), não abandonou o grupo. E trouxe o quase ex-prefeito de Jequié Zé Cocá (PP) para a cadeira de vice. São apostas de estratégia distintas da derrota em 2022, quando centrou expectativas nos grandes municípios, com destaque à Região Metropolitana de Salvador.

 

No mesmo dia, ACM Neto ganhou um candidato à presidência da República para chamar de seu. O ex-correligionário Ronaldo Caiado foi lançado formalmente como pré-candidato por Gilberto Kassab e incorporou o discurso da direita, com destaque à proposta de anistia geral e irrestrita aos condenados do 8 de janeiro. Assim, mesmo fugindo do bolsonarismo com o sobrenome Bolsonaro de Flávio, o candidato do União Brasil ao governo da Bahia vai ter que lidar com cargas negativas das campanhas da extrema-direita (apesar de, frise-se, ACM Neto ser representante da direita, não do extremismo dela).

 

Isso, claro, somado à aliança com o PL e à demanda por um palanque para a candidatura de Flávio Bolsonaro, já consolidada como legítima herdeira do ex-presidente Jair. Ainda que torcesse por um nome de “terceira via”, ACM Neto ficará restrito, no palanque nacional, a apoiar um Bolsonaro literal e outro simbólico – Caiado e Kassab escolheram aglutinar a direita, porém por um caminho menos central do que esperado. Nesse caso, os adversários vão surfar com as acusações (justas) de que, para além de opositor a Luiz Inácio Lula da Silva - o grande eleitor na Bahia -, ACM Neto se torna também um braço avançado do bolsonarismo na Bahia.

 

Enquanto a oposição na Bahia lançava com festa a chapa praticamente formada – incluindo João Roma (PL) e o senador Angelo Coronel (Republicanos) como candidatos ao Senado -, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) ainda tentava apagar os incêndios criados em torno da possível (e até provável) substituição de Geraldo Jr. (MDB) da cadeira de vice para 2026. Na mesma segunda-feira, Jerônimo se reuniu com Geddel Vieira Lima (MDB) e Otto Alencar (PSD), dando sinais do esforço para manter a coesão na base aliada.

 

A cereja do bolo da estratégia de comunicação do governo para tentar abafar o lançamento da candidatura adversária foi o anúncio de que a Bahia iria aderir, formalmente, ao programa do governo federal para subsidiar o diesel em R$ 1,20, para conter a alta dos combustíveis causada pela volatilidade do mercado. O posicionamento de Jerônimo sobre o ICMS incidente sobre combustíveis gerou mobilizações, especialmente na capital baiana, que acabaram capitalizadas por adversários. A metade assumida pelo governo da Bahia não deve ser suficiente para aplacar os sucessivos reajustes, mas traz um alívio do ponto de vista da comunicação para quem só apanhava desde que Lula indicou a intervenção federal no tema.

 

A última semana antes do fim do prazo de filiações e desincompatibilizações começou aquecida na cena política baiana. Sinal de que, até outubro, quem gosta de política não deve ficar sem um balde de pipoca para assistir os próximos passos.

Opinião: Geraldo Jr. vira “patinho feio” na chapa governista, apesar da resiliência
Foto: Gabriel Lopes/ Bahia Notícias

Se ao ser anunciado como candidato a vice de ACM Neto (União), Zé Cocá (PP) foi tratado como “traidor” pelo ministro Rui Costa, como classificar o processo de fritura pelo qual o atual vice-governador Geraldo Jr. (MDB) tem passado publicamente no processo de construção da campanha de reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT)? O ex-presidente da Câmara de Salvador, em 2022 apresentado como um marco da articulação política do PT na Bahia, virou uma espécie de “patinho feio”, quase como elemento tóxico que precisa ser substituído.

 

A fritura de Geraldo Jr. começou antes mesmo da suicida missão política de enfrentar Bruno Reis (União), quando o prefeito tentou a reeleição em Salvador em 2024. O vice era tratado como uma figura menor, incapaz de ocupar uma cadeira no primeiro escalão e foi colocado como “coordenador” de festas como o Carnaval e São João. Para além do suposto simbolismo do cargo, pouco se viu efetivamente de Geraldo Jr. participando da gestão. No máximo, com o fogo-amigo do excesso de policiais lotados na vice-governadoria ou o séquito de seguranças que o acompanhava em eventos públicos.

 

De dezembro até agora, Geraldo Jr. passou a ser ainda mais “queimado” dentro da base do governo – que já torcia o nariz para ele em 2022, quando ele mudou de lado para apoiar Jerônimo e ser catapultado a vice. A gota d’água foi a mensagem por “confusão tecnológica” em que o vice encaminhou um pedido para viralizar nas redes uma crítica ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), candidato ao Senado na chapa governista. O segundo no comando do Executivo baiano caiu ainda mais de patamar. Virou meramente um papagaio de pirata para fotografias.

 

Vide uma declaração do governador, com Geraldo Jr. ao lado, sobre a possibilidade de a cadeira de vice ser ocupada pelo PSD de Otto Alencar. Sem nenhum constrangimento, o emedebista manteve o sorriso amarelo enquanto ouvia o chefe diminuir as chances de manter uma parceria para outubro. Enquanto isso, o MDB envidava esforços para que não apenas a vaga de vice permanecesse com o partido como também fosse Geraldo Jr. a continuar no posto.

 

Geddel Vieira Lima foi a voz mais robusta nesse caminho. O cacique do MDB deixou claro que não aceitaria ver Geraldo Jr. limado do processo sem ter uma destinação considerada justa e com hombridade (visto que o cadafalso da eleição de 2024 foi alimentado especialmente por líderes maiores do PT baiano como Jaques Wagner). E o tema acabou nacionalizado, em meio aos esforços do entorno de Luiz Inácio Lula da Silva em manter os emedebistas próximos o suficiente para não caírem no colo do adversário (até substituir Geraldo Alckmin como vice teria sido cogitado, superando o trauma de Michel Temer). Ao que se percebe até aqui, foram esforços em vão.

 

Ainda que seja mantido como vice na chapa de Jerônimo para o próximo pleito, Geraldinho tornará o apelido no diminutivo quase que imperativo. A condição de “traído” cairá como uma luva para quem mostrou lealdade até quando houve esforços reiterados para humilhá-lo. Haja resiliência. Todavia, é mais um exemplo de que a política imita a vida. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Ser vice em uma chapa para eleições na Bahia tem sido mais árduo do que se imagina.

Opinião: Zé Cocá vai de vice dos sonhos a Judas Iscariotes num piscar de olhos de Rui Costa
Foto: Gabriel Lopes/ Bahia Notícias

Ainda prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP) foi de vice dos sonhos a Judas Iscariotes para o grupo político que controla o governo da Bahia. A mudança radical foi em um curto espaço de tempo, dadas as apostas que, até há alguns poucos meses, o colocavam como um bom nome para ocupar a cadeira de vice na tentativa de reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT). Coube ao ex-governador Rui Costa (PT) explicitar a pecha de traidor de Cocá, ex-prefeito em dois mandatos de Lafaiete Coutinho e, em breve, de dois mandatos na Cidade Sol. É o republicanismo teórico que só cabe quando serve para criticar adversários.

 

Entre ser prefeito de dois municípios, Zé Cocá exerceu um mandato temporário na Assembleia Legislativa da Bahia. À época, o Progressistas era base aliada de Rui Costa (João Leão era vice-governador), porém, ainda assim, o então governador dividiu o palanque em Jequié com uma candidatura do PSD - por questões não exclusivamente políticas, visto que a primeira-dama Aline Peixoto insistiu para que o deputado estadual fosse candidato dele nas urnas. Quando ganhou as eleições, Cocá fez movimentos para se aproximar ainda mais do governo do governo e houve reciprocidade de Rui. O resultado foram obras e intervenções na cidade governada por ele, tanto enquanto Rui estava no Palácio de Ondina quanto após a ascensão dele a ministro da Casa Civil (e todo o poderio de gerentão que o acompanha).

 

Reeleito em 2024 com o melhor percentual da Bahia - mais de 90% dos votos -, Zé Cocá se tornou a "menina dos olhos" do governo, na região de origem de Jerônimo, onde o próprio governador não possui votos próprios. Antes mesmo do processo de fritura do atual vice, Geraldo Jr., capitaneado por Rui Costa, o nome do prefeito de Jequié subiu nas bolsas das "bets dos bastidores": era o nome ideal para enfraquecer a oposição, pois a trajetória no PP seria um golpe de misericórdia contra os adversários. No entanto, nem todos acompanharam a estratégia. Especialmente, o principal envolvido - e interessado - na história: o próprio Zé Cocá.

 

Político conhecedor dos meandros das articulações, ao longo dos últimos meses, o prefeito de Jequié deu sinais trocados. Ora deixaria a oposição para se juntar ao governo, ora seria um apoiador da oposição na região que comanda, associado a cerca de 15 prefeitos. Quando estava ao lado do governo, era um exemplo de gestor. Quando flertava com a oposição, era um indeciso que preferia não sair do muro. Agora, que se encaminha para ser anunciado como vice na chapa do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), Zé Cocá se transmuta em pária para Rui, como se os laços pretéritos que os unem não tivessem nascido em uma rede que incluiu traições do lado do governo.

 

Apesar da condição de Judas estampada pelo governo e por Rui, Zé Cocá é sim o "vice dos sonhos". Entretanto, para a chapa da oposição ao petismo na Bahia. E, dentro da democracia e do republicanismo que Rui e seus compadres tanto pregam, não há espaço para rebaixar a política a adjetivos mesquinhos. Ainda mais quando quem os profere acumula relações bem pouco fiéis e leais. E olha que nem tive linhas para relembrar episódios com Lídice da Mata, Fernando Haddad, Jaques Wagner, Angelo Coronel, Geraldo Jr. e o próprio Jerônimo Rodrigues. Às vezes, olhar o próprio umbigo faz bem para quem fala sobre os outros. Zé Cocá pode sair maior dessa eleição do que ao entrar, ainda que as urnas possam não ser favoráveis a ele. (Atualizado às 12h03 para corrigir a informação sobre o apoio de Rui Costa a Zé Cocá em 2020)

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Na era da IA, será Gargamel o último que mostra a verdade nas redes? Tudo bem que não é lá uma verdade muito bonita, mas... Enquanto isso, o Soberano devia parar de focar no cozido de Card e ficar de olho nas chapas que estão montando pra ele por aí. E teve prefeito brilhando também essa semana. É anúncio emocionado de São João, é #tápago com post sobre buraco na rua... Mas o amor mesmo está no Detalhes! Saiba mais!

Pérolas do Dia

Jaques Wagner

Jaques Wagner
Foto: Ricardo Stuckert / PR

"Mantém absoluta confiança em mim". 

 

Disse o senador Jaques Wagner (PT) ao afirmar nesta quinta-feira (18) que recebeu um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. Segundo o parlamentar, o chefe do Executivo manifestou solidariedade e reafirmou confiança em sua conduta.

Podcast

Deputado Rosemberg Pinto (PT) é o entrevistado do Projeto Prisma desta segunda

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Foto: Projeto Prisma
O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) é o entrevistado do Projeto Prisma desta segunda-feira (15). O podcast é transmitido ao vivo a partir das 16h no YouTube do Bahia Notícias.

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