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Fernando Duarte

Artigos

Paulett Furacão
A Santa Metafóra de Pinóquio Trans
Foto: Divulgação

A Santa Metafóra de Pinóquio Trans

Adentramos o mês da Visibilidade Transexuais e Travestis a qual dedica-se nacionalmente a luta por visibilidade e direitos civis, como: Acesso a Retificação do Pré Nome e gênero; Equidade no mercado de trabalho; Acesso a Saúde Integral; Combate a Violência Social, Institucional e Transfeminicídio; Direito a moradia dentre outras pautas.  Pensando na perspectiva a qual o segmento diariamente é submetido pela falta de acesso a políticas públicas e serviços essenciais.

Multimídia

Apesar de críticas, novo Sedur defende agilidade para avanços em Salvador

Apesar de críticas, novo Sedur defende agilidade para avanços em Salvador
O secretário municipal de Desenvolvimento e Urbanismo, Sosthenes Macedo, afirmou, nesta segunda-feira (26) durante o Projeto prisma, Podcast do Bahia Notícias, que a Sedur vai priorizar eficiência, atração de investimentos e desenvolvimento urbano com impacto social, mesmo diante das críticas da oposição sobre espigões e áreas verdes em Salvador.

Entrevistas

Afonso Florence garante candidatura de Lula em 2026 e crava retorno ao Congresso: “Sou parlamentar”

Afonso Florence garante candidatura de Lula em 2026 e crava retorno ao Congresso: “Sou parlamentar”
Foto: Fernando Vivas/GOVBA
Florence foi eleito a Câmara dos Deputados pela primeira vez em 2010, tendo assumido quatro legislaturas em Brasília, desde então.

Fernando Duarte

Opinião: Candidatura do PSD à presidência gera trunfo para Coronel seguir como nome para reeleição
Kassab reitera apoio a Coronel para reeleição ao Senado e aponta força do PSD na

O impacto na cena nacional da chegada do governador de Goiás Ronaldo Caiado ao PSD foi uma surpresa que embolou o tabuleiro das candidaturas à presidência da República. E, indiretamente, ajudou o senador Angelo Coronel a ganhar um trunfo para manter a tentativa de reeleição. Por mais que o presidente do PSD na Bahia, Otto Alencar, indique não haver espaço para um palanque para candidatura nacional do PSD na Bahia, as chances de Kassab aceitar de bom grado tal posicionamento é bem pequena – e não há amizade que abra essa possibilidade.

 

Como, para o PT, o projeto de eleição de governador da Bahia continua como prioritário – não apenas localmente, mas como estratégia para dar a Lula uma margem ampla de votos na Bahia -, a chapa puro-sangue pode ser desfeita antes mesmo de ter sido imposta. Perder o PSD – ou apenas a porção ligada a Coronel do partido – é uma aposta alta demais para quem sabe que há muito a perder com um racha dentro do principal aliado. É com base nisso que o nome de Coronel volta a circular com chances de entrar na chapa governista.

 

O problema é encontrar o espaço para que o senador seja candidato à reeleição. Jaques Wagner se disse candidato à reeleição no Senado mais de uma vez. Rui Costa anunciou a saída da Casa Civil de Luiz Inácio Lula da Silva em março para ser candidato a senador. E, até aqui, Jerônimo Rodrigues não tende a ser substituído como candidato ao governo; portanto, é candidato à reeleição. Na bola dividida, alguém teria que ceder e, com tantos fidalgos, é raro termos altruísmos na cena política. A chapa imbatível se torna, então, uma chapa mais frágil, ainda que Coronel não faça jus a musculatura política que imputam a ele.

 

Caso não haja essa possibilidade de Coronel candidato à reeleição na chapa do governo, o senador teria duas opções: uma candidatura avulsa, garantindo um palanque independente para o candidato à presidência da República do PSD, ou migrar para a oposição, ainda que, formalmente, o PSD esteja coligado com o PT na Bahia. É um jogo dúbio, que não seria uma novidade no ambiente eleitoral. Todavia, em ambos os casos, o PT perderia bastante numa eleição que pode ser decidida com diferença menor que 5% dos votos.

 

A oposição da Bahia, que necessitava de uma candidatura ao Palácio do Planalto distante do bolsonarismo para não cair no colo de Flávio Bolsonaro, viu na possibilidade de um nome do PSD um salva-vidas. O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), que assistiu ao nome de Ronaldo Caiado não permanecer como viável na federação União Progressista (graças a um veto de Ciro Nogueira), agora ganhou a oportunidade de sair do muro sem um prejuízo se tornar iminentemente anitlulista.

 

Os agora três presidenciáveis do PSD, Caiado somado aos também governadores Ratinho Jr. e Eduardo Leite, podem adotar um tom de moderação ideal para transitar entre o antipetismo e a extrema-direita bolsonarista, tornando-se uma “terceira via”. ACM Neto pregou isso em 2022 e ainda assim foi tachado de bolsonarista pelo petismo, ainda que o número de votos de Lula tenha sido muito maior que os captados por Jerônimo Rodrigues no segundo turno. Agora, sem uma candidatura da federação União Progressista, o ex-prefeito fica mais “livre” e sem grandes restrições de palanques – podendo apoiar outros nomes que não Lula ou a representação do bolsonarismo nas urnas, o senador Flávio Bolsonaro.

 

Para Coronel, então, o benefício de forçar o PT a aceitá-lo na chapa governista ou de conseguir tornar a candidatura dele à reeleição como independente ou de oposição é um trunfo e tanto. O movimento de Kassab quase que obriga que ele esteja nas urnas. A escolha de qual caminho seguir, todavia, não é apenas dele. Depende do PT da Bahia engolir a seco um aliado nem tão aliado assim ou encará-lo como um adversário integralmente.

Opinião: Kassab e PSD embolam tabuleiro com trio Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Jr.
Foto: Reprodução/ X.com/GilbertoKassab

A chegada do governador Ronaldo Caiado ao PSD bagunçou a perspectiva do próprio partido para eleição presidencial de 2026. Até então, o partido trabalhava com a hipótese de um nome “puro-sangue” como o governador do Paraná, Ratinho Jr., ou com a chegada do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, egresso do PSDB. Agora, com um terceiro governador e potencial candidato ao Palácio do Planalto, a disputa interna praticamente “obriga” que o partido de Gilberto Kassab não recue com uma candidatura à presidência da República.

 

A permanência de Caiado no União Brasil se tornou inviável após a federação do partido com o Progressistas. O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, usou uma espécie de poder de veto que lhe cabia e criou a tensão que resultou na saída do governador goiano da federação. Ainda assim, houve um esforço de outros caciques da sigla, a exemplo do ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, que reduzir o clima bélico entre Caiado e Nogueira – tentativa em vão, inclusive.

 

No discurso, os três governadores seguem a lógica de uma força conjunta em prol do Brasil, fazendo frente a dualidade posta entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo, que tende a ser representado por Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas. Somado ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o grupo tenta ser uma “terceira via” em condições de fazer frente ao embate que perdura há duas eleições.

 

Quem acompanhou algumas das conversas garante que a chegada de Caiado não é um sinal de candidatura a presidente dada. Entretanto, o canto da sereia de Kassab também já teria atingido Eduardo Leite e o próprio Ratinho Jr., que almejam ser viáveis nessa via alternativa. Segundo diálogos de bastidores, a expectativa é que, após a desincompatibilização, no começo de abril, haja um afunilamento dos candidatos e os outros dois sairiam como candidatos a senador, fazendo frente à expectativa da esquerda e do bolsonarismo de controlar o Senado Federal.

 

A direita, então, se reorganiza em meio à figura de Gilberto Kassab, que permanece como iminência parda e com poder de grandes decisões políticas. Com ao menos quatro puxadores de votos em estados médios e em Minas Gerais, são ampliadas as chances da construção de uma unidade discursiva a legitimar o grupo enquanto uma terceira via ao governo e à oposição máxima representada pelos apoiadores de Jair Bolsonaro.

Opinião: Lula dosa falas mesmo em ambiente confortável e demarca espaço como candidatíssimo à reeleição
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

Luiz Inácio Lula da Silva ainda encanta bem seu público cativo. Na última sexta-feira, no 14º Encontro Nacional do MST, em Salvador, foi assim. O presidente não apenas se lançou mais uma vez como candidato à reeleição, como fez vibrar uma plateia ávida por ouvi-lo. Foi a junção da fome com a vontade de comer. E o MST era um espaço confortável, inclusive, para eventuais deslizes - o que não aconteceu.

 

Candidatíssimo ao quarto mandato, Lula mediu bem as palavras e falou dos temas relacionados ao MST, mas não só. Tratou da crise envolvendo a remodelação das relações internacionais a partir de Donald Trump, brincou sobre potenciais adversários nas urnas e rechaçou a violência contra a mulher, chamando de "voto maldito" eleitores que cometem esse crime. Levou à loucura aqueles eleitores que estavam presentes. A cada nova "tirada", as famílias que ali estavam gritavam como se o presidente fosse um astro do rock. Melhor palco não haveria.

 

No entanto, há sempre um certo exagero nas tentativas de tornar Lula ainda maior do que é. As palavras laudatórias daqueles que o antecederam, seja nos discursos no ato em si, seja nos momentos em que a espera pela chegada dele de Maceió - um atraso de mais de 3h -, fazem com que o petista seja endeusado demais. Esse excesso, por muitas vezes, explica as razões pelas quais os adversários enxergam paralelos entre a esquerda e o bolsonarismo. E isso acontece mais pelo entorno do que por Lula, já que o presidente se mostra humano nas mais diversas oportunidades e falas.

 

Ao tratar da iminente reconfiguração do que se convencionou chamar multilateralismo, Lula foi tão preciso que não necessitou fazer ataques diretos a Trump. Pelas beiradas, o presidente deu o recado que não concorda com o norte-americano e que vai se posicionar contrário a essa "nova ordem mundial". Honrou, inclusive, a história da diplomacia brasileira, sem, por exemplo, entrar no mérito que o próprio MST incitou com defesas desvairadas do ditador Nicolás Maduro. O determinismo dos povos foi o destaque, sem excessos de defesa ou ataque - algo que a experiência de três mandatos no Palácio do Planalto e os 80 anos explicam com certa facilidade.

 

Mesmo para tratar dos adversários em outubro, o petista acertou o tom ao brincar que ainda não sabe quem vai enfrentar. Com a fragmentação da direita, Lula se mantém como favorito e não parece entrar numa onda de "já ganhou". Trata o pleito de outubro com responsabilidade, enquanto aqueles que o acompanham costuram para evitar um Congresso Nacional ainda mais refratário às políticas defendidas pelo lulismo (e aqui o presidente se faz muito maior que o petismo).

 

Seja para o MST, seja para a militância de esquerda, Lula continua um mestre na arte de medir e falar com o público. Entre qualidades e defeitos, o que ele ainda não conseguiu foi encantar as serpentes que moram do outro lado da cena política brasileira...

Opinião: Morte de Alan Sanches faz a política desacelerar e parar ao menos um final de semana
Foto: Nilson Tellys/ Bahia Notícias

Às vezes, os tempos da vida e o da política deixam de ser os mesmos. Tanto que a cena baiana foi obrigada a parar no final de semana ao receber, de surpresa, a notícia da morte do deputado estadual Alan Sanches. Ex-vereador de Salvador, Alan se preparava para ser candidato a deputado federal em outubro, após ensaiar esse caminho em outras eleições. Porém, a roda da vida parou quando não se esperava. E políticos, aliados e adversários, ficaram perplexos - e assustados - com a partida precoce.

 

Alan era um político de fino trato. Mesmo estando há alguns anos na oposição, do qual foi líder em um passado recente na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), o deputado estadual do União Brasil nunca foi ostensivo nas críticas, apesar de um posicionamento firme. Talvez, por isso, a comoção tenha atingido as mais diversas matizes políticas. Do governador Jerônimo Rodrigues ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, potenciais adversários no próximo pleito, todos prestaram homenagens a Alan e ao filho, Duda Sanches, além de outros familiares que não estão presentes no mundo público.

 

Entretanto, essa coluna não é sobre Alan Sanches. É sobre um episódio que foge dos controles e que gera uma reflexão sobre a efemeridade que a política tem, mas que nem todos conseguem lidar. Alan esteve na Lavagem do Bonfim, na última quinta-feira, junto com outros tantos detentores de mandato. Cumpriu o ritual de mostrar força com apoiadores, tal qual diversos outros pares. Pré-candidato a deputado federal, ele estava pronto para alçar esse voo. Foi solapado pela vida. E conseguiu, no velório, mostrar que as adversidades se sobrepõe mesmo a quem vive em lados opostos nas urnas.

 

Jerônimo foi ao velório e permaneceu boa parte da manhã de domingo na Assembleia. Cancelou a agenda prevista e foi prestar solidariedade à família. Nas redes sociais, diversos aliados do governo também renderam homenagens ao deputado falecido, reconhecendo o papel de Alan, ainda que na oposição. Ou seja, nessa hora, esqueceu-se quem era adversário. Foi o lado humano que prevaleceu - e que bom.

 

Entre os aliados de Alan Sanches, muitos estavam ali, abalados, mas compartilhando um pouco da dor da família. ACM Neto e Bruno Reis, dois dos maiores representantes da oposição, acompanharam o velório e o sepultamento. Deram apoio não apenas nas redes, mas também pessoalmente. Ao pé do ouvido, Duda agradeceu "de coração" pelo apoio recebido. Como herdeiro do pai, o vereador de Salvador vai lidar com o próprio futuro enquanto sobrevive ao luto.

 

Em resumo, a morte de Alan Sanches foi o episódio mais visível no passado recente de que a política não é páreo para os desígnios da vida. Por mais que se planeje o futuro, jamais se tem controle absoluto sobre tudo. E, nessas horas, a política é obrigada a parar um pouco.

Opinião: Lavagem do Bonfim manteve temperatura política baixa, apesar do potencial “calor” de Coronel
Foto: Antônio Cavalcante/ Bahia Notícias

Os holofotes da política baiana estavam voltados para a participação do senador Angelo Coronel (PSD) na Lavagem do Bonfim. Não foi dessa vez que ele realizou o desejo daqueles que queriam ver frases marcantes, alfinetadas ou confirmações de adesão indeterminada à causa do petismo na Bahia. A família Coronel não foi à Lavagem e deixou a expectativa baixar, tal qual poeira na Quarta-feira de Cinzas, após Carnaval.

 

A ausência de Coronel não foi surpresa. Apesar de presente em algumas lavagens ao longo dos últimos anos, o senador não tem base eleitoral na capital baiana e preferiu não se expor ao clima beligerante que a imprensa tenderia a criar. Preferiu recuar (ainda que o perfil dele normalmente não seja esse). E, somada a já aguardada ausência do senador Otto Alencar (PSD), não houve aumento da temperatura na relação entre PSD e PT para além do dia de calor extenuante entre a Igreja da Conceição da Praia e a Basílica do Senhor do Bonfim.

 

Apesar de um ano político, para além da virtual tensão com Coronel, pouco se viu implicações eleitorais nas falas dos candidatos majoritários. O senador Jaques Wagner (PT), com mobilidade reduzida desde que se submeteu a uma cirurgia no joelho, já não cumpria o “circuito” há alguns anos e se manteve – participou apenas do culto ecumênico. O ministro Rui Costa (PT), que, desde a época de governador nunca foi de participar feliz da Lavagem do Bonfim, não deu as caras e quase ninguém notou. Ou seja, sobraram espaço para Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União), candidatos mais do que declarados no próximo mês de outubro.

 

Jerônimo não esteve ladeado pelos grandes caciques do grupo político dele. Pareceu, em um dado momento, “abandonado” ainda que tenha mobilizado o secretariado e diversos aliados que desejam espaço na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Ou seja, nada mais do que a obrigação deles, em tentarem usufruir das popularidades uns dos outros. Sem qualquer contraponto à tensão com Coronel e o PSD, a versão de que haverá uma acomodação entre aliados foi a que se sobrepôs, especialmente após o encontro entre Jerônimo e Diego Coronel.

 

Do lado da oposição, ACM Neto se manteve ao lado de Bruno Reis, que demorou – e muito – para cruzar o trajeto que abre o circuito de festas sagradas e profanas de Salvador. Popular desde que foi prefeito, o pré-candidato ao governo não entrou em embates públicos novos e usou a Lavagem do Bonfim como nos últimos anos, numa espécie de “teste de popularidade”, para alimentar as próprias redes e para rebater aliados que possam, eventualmente, duvidar da capacidade de mobilização do ex-prefeito. Ao lado do pré-candidato ao Senado, João Roma (PL), ACM Neto também optou por não tornar o evento um campo excessivamente minado para adversários, prática utilizada em anos anteriores.

 

Quem também aproveitou a Lavagem para se reafirmar enquanto pré-candidato foi o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ele, que almeja se manter na corrida pelo Palácio do Planalto até o fim da disputa, disparou críticas aos governos petistas e tentou tirar uma lasquinha da popularidade dos aliados pelas bandas baianas. Para um estranho no ninho, não tem muito a reclamar.

 

Em resumo, o tradicional início da campanha em anos eleitorais manteve uma temperatura baixa mesmo com o calor do verão soteropolitano. Sinal de que a festa, religiosa e profana, conseguiu se sobrepor aos usos que os políticos tentam fazer dela.

Opinião: "República do Dendê" amplia influência no Planalto, mas expõe Lula a experiências pouco frutíferas na Bahia
Foto: Ricardo Stuckert / PR

As razões para a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública já não são mais tão secretas. Desde a carta de demissão, surgiram os rumores não negados de que Lewandowski viveu embates com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que anseava pelo controle da segurança pública - e contava com o apoio de Sidônio Palmeira na comunicação. O problema, para Rui, não só foi resolvido, como também gerou um bônus: a chegada de Wellington Cesar Lima e Silva para a vaga.

 

Ex-procurador-geral do Ministério Público da Bahia, Wellington Cesar ganhou o apelido de "o Breve", após a nomeação e exoneração relâmpago após tentar acumular a função de procurador do MP e ministro. Desde então, circula como um ministeriável (perdão pelo neologismo) todas as vezes que Rui tenta influenciar a indicação de Lula. Dessa vez, junto com o líder do governo no Congresso, Jaques Wagner, a República do Dendê atingiu seu intento e colocou Wellington no cargo de uma das áreas mais sensíveis dos governos por todo o país.

 

"Oxigênio", podem argumentar. "Sintonia" vai ser outra justificativa. Em resumo, a ampliação da influência dos baianos no Palácio do Planalto fica mais que evidente - para não classificar como explícita. Mas essa pode ser realmente a solução para um governo que precisa tratar a segurança pública - uma área ainda anexa ao Ministério da Justiça - como crucial até mesmo como plataforma eleitoral? É uma perguntada arriscada de responder, especialmente no contexto da experiência das figuras envolvidas no enfrentamento à violência na Bahia.

 

Durante o período em que comandou o MP-BA, no segundo mandato de Jaques Wagner, Wellington Cesar participou da fundação do "Pacto Pela Vida", uma iniciativa importada de Pernambuco e formada por uma coalisão envolvendo instituições do sistema de Justiça, do Executivo e da sociedade civil. De lá pra cá, o retrato da violência não melhorou (para não ser classificados como pessimistas ao falar que piorou). A escalada dos números de homicídios e de crimes, que antes se concentravam nas grandes cidades, tornou-se tão evidente que virou plataforma de campanha da oposição. Até mesmo o freio de arrumação, tentado especialmente pelo atual titular da Secretaria de Segurança Pública, Marcelo Werner, ainda não foi perceptível para o cidadão médio. Mas, ainda assim, a República do Dendê achou de bom tom reunir forças para dar protagonismo à Bahia na área.

 

Longe de torcer contra. Entretanto é preciso ter cautela ao mostrar que detém influência ou que é capaz de gerar impacto dentro das esferas de poder. Por mais que Wellington Cesar tenha um currículo próximo ao petismo da Bahia - leia-se Wagner e Rui -, colocá-lo nesse posto para ampliar a ascendência dos baianos na segurança pública, que inclui a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição que "subiu no telhado" segundo líderes do governo na Câmara, é um risco exagerado mesmo para quem se comporta desinteressado nas reações da opinião pública. Pegando o exemplo do enfrentamento à violência que a Bahia tem feito nos últimos 15 anos, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ganhou motivos para se preocupar ainda mais com a área. E, convenhamos, talvez por mero capricho de alguns aliados...

Opinião: Após enxugar gelo para ser candidato à reeleição, Coronel vê chances derreterem publicamente
Foto: Reprodução/ Redes sociais

Para integrar a chapa majoritária de 2026 do governo, o senador Angelo Coronel terá que se contentar com uma suplência e a promessa de que Jaques Wagner ou Rui Costa, se eleitos, sejam convidados para um ministério. Claro que só se Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, o que amplia o número de "ses" para a conta fechar. O vídeo em que enxugava gelo foi um prenúncio do que estava porvir, já que dias depois o senador Otto Alencar veio a público assegurar que o PSD vai manter apoio ao projeto de Jerônimo Rodrigues, independente de Coronel estar ou não nas principais cadeiras da chapa.

 

Desde que o PT iniciou o discurso de uma "chapa imbatível", com três governadores, era difícil resistir à pressão para que o desejo não se concretizasse. Na perspectiva deles, o recall eleitoral de Wagner e o Rui não apenas garantiria duas vagas no Senado, como também impulsionaria um governador ligeiramente claudicante. Essa lógica permeou as conversas políticas de bastidores ao longo dos últimos meses, com a desculpa que o martelo só seria batido no começo de 2026. Assim, os aliados foram cozinhados em "banho-maria" para fingir que não havia uma decisão tomada.

 

Coronel tentou de todas as formas. E com todas as forças. Construiu alianças com prefeitos, ampliou as próprias bases, tornou-se peça relevante nas negociações no Senado e até mesmo insinuou que poderia sair com uma candidatura avulsa. Tudo para se manter ativo no jogo eleitoral, investindo boa parte do capital político e da influência adquirida ao longo dos muitos anos de presença na cena local. Ao que parece, foi tudo em vão. Com o ônus de ter ficado na vitrine para críticas de aliados que o aceitaram a contragosto na chapa em 2018.

 

Apesar da chapa puro-sangue ser considerada imbatível pelos petistas, os adversários até sugerem que seria a melhor agrupamento a ser batido. Para eles, a estratégia é jogar as mazelas da Bahia sob inteira responsabilidade do grupo que completa 20 anos no poder em 2026, com os rostos daqueles que comandaram o processo desde então. É uma aposta arriscada, principalmente em um contexto em que Lula se mantém não somente competitivo mas também como o principal nome na corrida presidencial. A dobradinha do 13, algo decisivo em 2022, por exemplo, tende a manter efeito similar no próximo ano e os adversários reconhecem isso.

 

Além disso, o argumento que a Bahia enfrenta mazelas por causa do legado maldito de quem antecedeu o petismo perde força argumentativa. E nisso, o próprio Coronel, que nascera em um grupo político diferente, poderia ser beneficiário. Entretanto, entre ser esquecido e ser um suplente com chance de ascensão temporária, a segunda opção parece muito mais segura. Depois de enxugar gelo durante tanto tempo para ser candidato à reeleição, pendurar a toalha enquanto os filhos se mantém relevantes no tabuleiro político não parece ser tão ruim.

Opinião: Velocidade de Jerônimo para preencher TCE com aliados empaca no TCM
Foto: Divulgação/ TCM-BA

A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu a indicação de Josias Gomes para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), partiu da premissa que a Corte não poderia ficar incompleta. Obviamente, os interesses implícitos foram bem mais fortes, tanto que a celeridade nas nomeações de Josias e Otto Filho foi a marca do governo Jerônimo Rodrigues. Todavia, mesmo com uma vaga em aberto há seis meses, o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) segue incompleto, enquanto paira sobre a lista tríplice a certeza de que a escolha vai passar ao lado de ser técnica.

 

Tribunais de contas são, em tese, essenciais na fiscalização do Estado e dos gestores. Na prática, o que se vê são cortes submetidas a interesses políticos daqueles que indicam os conselheiros (ou ministros no caso da União) e, quase sempre, sem a relevância esperada pela sociedade. A crítica aqui, inclusive, não é direcionada a nenhum tribunal específico, mas ao conjunto da obra, espalhada por todos os entes federativos. É uma fiscalização de "faz de contas", cujas determinações são empurradas com a barriga por quem detém o poder.

 

As nomeações de Josias e Otto Filho entram para o rol de pérolas da transformação dos tribunais de contas em "puxadinhos" partidários. Antes deles, por exemplo, foram nomeados pelo próprio Jerônimo duas figuras estritamente competentes e com vasta experiência na área de auditoria, o ex-deputado estadual Paulo Rangel e a ex-primeira-dama Aline Peixoto. A prática não é exclusiva do petismo, mas ganhou proporções interessantes entre os aliados da esquerda nos últimos anos — vide o número de esposas, mães e parlamentares que ganharam aposentadoria dos sonhos com salários próximos ao teto constitucional. A cadeira de conselheiro (ou de ministro) se tornou meramente mais uma oportunidade para políticos contemplarem os pares ao invés do interesse público.

 

A procuradora do Ministério Público de Contas, Camila Vasquez, é talvez uma grande vítima dessa cilada política. Esposa do deputado federal Mário Negromonte Jr., ela disputa com Guilherme Costa Macêdo e Aline Paim Monteiro do Rego a indicação de Jerônimo na lista tríplice de procuradores para o TCM. Por mais competente que Camila seja (e não coloco dúvidas sobre isso), a também nora do conselheiro aposentado Mário Negromonte, se indicada, ficará com a pecha de joguete político do governo em troca da migração certa do marido para a base aliada estadual, confrontando o próprio Progressistas, que se garante "anti-PT" país afora. Jerônimo mantém em banho-maria a indicação, enquanto aguarda outras definições do campo político. E as queixas daqueles que aguardam não podem se tornar públicas, sob o risco de justificarem a não escolha - seja ela técnica ou exclusivamente política. 

 

Enquanto a lista tríplice permanecer na gaveta de Jerônimo, mais cresce a sombra de que ser conselheiro em um tribunal de contas é mais resultado de quem é você (se é filho, filha, esposa, esposo, mãe, pai ou um político em fim de carreira) do que de quem você é capaz de ser (um agente ativo na fiscalização dos gestores públicos). Perde o Estado, perde o republicanismo, perde a sociedade. Afinal, a incompletude do TCM se mostra menos importante que a do TCE...

Opinião: Passagem de ônibus aumenta em Salvador, prefeitura assume ônus e debate sobre tarifa do transporte público segue relegado
Foto: Betto Jr./ Secom PMS

Há pelo menos 10 anos cidadãos soteropolitanos ouvem que existe uma crise no sistema de transporte público local. O serviço nunca chegou a ser bom, porém ganhou outros contornos a partir da regularização da concessão, feita pelo então prefeito ACM Neto por meio de outorga onerosa. Os empresários, considerados por muito tempo como acima do bem e do mal, viram-se pressionados e, de repente, tornaram-se "pobres". Era inviável pagar a outorga e continuar na atividade, diziam. Veio a pandemia e o cenário de terra arrasada piorou, ao ponto da prefeitura de Salvador reassumir partes da concessão temporariamente e, na sequência, lidar com sucessivos aportes para continuar subsidiando a tarifa.

 

Desde que assumiu a gestão da capital baiana, Bruno Reis tem insistido que o transporte público é o principal entrave das médias e grandes cidades. A fala reverbera em outros municípios, a exemplo de Feira de Santana e Itabuna, cujas concessões de transporte urbano também passaram por crises recentes. E, já na entrada do sexto ano de administração, Bruno Reis ainda não conseguiu a fórmula para resolver esse problema. Nesta segunda, os usuários de ônibus em Salvador passam a pagar R$ 5,90 de tarifa, um reajuste que, conforme o Palácio Thomé de Souza, foi menor que outras capitais. No entanto, sem qualquer perspectiva de melhoria do serviço ou de que os reajustes ficarão por aí.

 

O debate sobre subsídios não pode ficar restrito apenas ao âmbito dos municípios. Outros entes federativos devem estar integrados à discussão, principalmente para evitar que o usuário final pague essa conta. Todavia, tanto o governo estadual quanto federal têm se recusado a participar dessas conversas. É muito mais simples deixar essa responsabilidade para os prefeitos, especialmente quando ele é de oposição, como é o caso de Bruno Reis. O ônus do preço mais caro do ônibus fica inteiramente na conta do gestor municipal, enquanto não existe qualquer bônus envolvido.

 

Veja o caso do sistema metroviário de Salvador. A integração é total, mas a tarifa do metrô é mais baixa - e tende a ficar, por se tratar de ano eleitoral. Só que quando o usuário usa os dois serviços, a parte maior da tarifa fica com o metrô. E o governo está disposto a manter e ampliar o subsídio, para evitar dividendos nas urnas. Sem renegociar percentuais de tarifa e sem discutir benefícios similares para as concessões de transporte rodoviário urbano. Assim, o governo aparece como "bonzinho" por segurar a tarifa do metrô e pouco contribui para evitar sucessivos reajustes no ticket do ônibus - redução da incidência do ICMS sobre combustíveis seria uma das alternativas, por exemplo.

 

O governo Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a hipótese de tarifa zero no transporte público. Porém essa é uma agenda eleitoral para 2026 e não vai entrar em prática tão cedo - dependeria da reeleição de Lula e da implantação do projeto em si. Enquanto isso, o que resta é lidar com um transporte que não funciona a contento, com um custo maior que a renda do brasileiro deveria pagar e cujas projeções de futuro seguem sendo piores, sempre. A conta quem paga é o mais pobre.

Opinião: Ser antilulista não é uma opção para ACM Neto, é questão de sobrevivência política
Foto: Rebeca Menezes/ Bahia Notícias

Dois fatos marcantes para as eleições de 2026 se firmaram na última semana pelo lado da oposição. Primeiro, ACM Neto se assumiu enquanto candidato ao governo da Bahia. Segundo, o próprio ACM Neto confirmou a perspectiva antilulista do grupo. Tudo uma questão de estratégia, incluindo o palco onde aconteceram os anúncios, Porto Seguro, um bastião que flerta com o bolsonarismo com Jânio Natal, ao lado de caciques do PL.

 

Há algum tempo, a base aliada de Jerônimo Rodrigues tenta propagandear que o ex-prefeito de Salvador não seria candidato ao governo em 2026. Esse movimento reverberou entre os aliados de ACM Neto, que desejavam que ele antecipasse o lançamento da pré-candidatura. Parte para não correr o risco de orfandade, parte para demarcar espaço desde antes do ano eleitoral. Às vésperas da chegada de 2026, fazia-se necessário deixar constrangimentos legais e eventuais dúvidas para trás, evitando uma debandada ainda maior entre os descrentes sobre o próximo ciclo de eleições.

 

Já na condição de candidato, ACM Neto deixou claro o posicionamento antilulista. Com a direita desarrumada para a disputa presidencial, demarcar espaço contra a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva era imprescindível para tentar agrupar as forças que tenderiam a apoiar o ex-prefeito, mas que precisavam que ele se apresentasse contra Lula. Foi um passo importante, mas arriscado. A Bahia é talvez um dos territórios onde o PT tem maior "conforto" nas urnas. E ser antipetista representa um risco para qualquer um que deseje chegar a um cargo majoritária. Com certeza, ACM Neto dosou os riscos.

 

Se em 2022, Lula não entrou na campanha baiana com o vigor esperado - um acordo não declarado que manteve ACM Neto em cima do muro -, não se deve criar a expectativa do mesmo acontecer em 2026. Seja pelo uso da máquina federal e estadual para a dobradinha petista, seja pela estratégia de dar uma maior "folga" de votos para conter eventuais avanços da direita do eixo formado por Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Como o potencial adversário de Lula ainda não está devidamente apresentado, abrir margem onde é possível é um ponto relevante para se manter no poder. Por isso, ser antilulista é uma tática de sobrevivência para ACM Neto.

 

O PL ensaia uma candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto, sob as bênçãos de Jair Bolsonaro. Há quem ainda aposte nas remotas chances de Tarcísio de Freitas substituí-lo e, com o aval da elite financeira paulista, fazer frente à reeleição de Lula. Nesse cenário indefinido, ACM Neto vai tentar navegar em águas pouco favoráveis ao opositores de Jerônimo Rodrigues. Por isso, ter o apoio do PL, seu tempo de rádio e televisão e uma parcela do fundo eleitoral transformaria uma derrota iminente em uma possibilidade de vitória. É nisso que a oposição baiana deve se fiar.

 

Ser candidato e antilulista são duas características básicas para que o ex-prefeito de Salvador se mantenha como uma peça relevante no xadrez político local. ACM Neto não apenas sabe disso, como desenvolveu um roteiro para tornar menos improvável a chance de sucesso. No entanto, as urnas não dependem exclusivamente de estratégias e narrativas. São os votos que interessam. E até outubro muita coisa ainda vai acontecer.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
O Cavalo do Cão deixou todo mundo de cabeça quente com seu novo enigma. O problema é que a carapuça serviu pra tanta gente que ninguém sabe bem quem é quem. Enquanto isso, o evento com o Molusco em Salvador mostrou quem sabe montar estratégia e quem não sabe. E vai ter gente que precisa acelerar até outubro. A questão é que a idade um dia pesa... Saiba mais!

Pérolas do Dia

Jaques Wagner

Jaques Wagner
Foto: Senado Federal

"Difícil". 

 

Disse o senador Jaques Wagner (PT), um dos nomes que deve integrar a chapa majoritária ao avaliar o cenário atual em que existe a possibilidade do grupo ligado ao governo Jerônimo Rodrigues (PT) aceitar uma candidatura independente de um partido aliado à gestão estadual, no caso do senador Angelo Coronel (PSD). 

Podcast

Projeto Prisma faz especial do Dia de Iemanjá com historiador Marcos Rezende

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O Projeto Prisma desta segunda-feira (2) recebe o historiador Marcos Rezende para falar sobre a tradicional Festa de Iemanjá, data que faz parte do calendário soteropolitano e une sagrado e profano nas ruas do bairro do Rio Vermelho.

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