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Daniel Araújo
Jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia, produtor do programa Bahia Notícias no Ar, na rádio Antena 1. Trabalhou na rádio BandNews FM e foi repórter de Economia do jornal A Tarde.
Últimas Notícias de Daniel Araújo
O estado de abandono da Capela do Sagrado Coração de Jesus, localizada no bairro de Nazaré, em Salvador, tem assustado moradores da região e mobilizado os órgãos de fiscalização e a Justiça. Alvo recente de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e sob constante alerta da Defesa Civil de Salvador (Codesal), o templo histórico deve, finalmente, passar por intervenções estruturais urgentes.
Procurada pela reportagem, a Arquidiocese de São Salvador da Bahia informou que o espaço não está sob sua gerência. A responsabilidade legal pelo imóvel pertence ao Instituto Sagrado Coração de Jesus.
De acordo com a Codesal, a situação estrutural da capela é crítica e vem sendo acompanhada há mais de uma década. O órgão informou que realiza o monitoramento constante do imóvel desde 2012, contabilizando 18 vistorias ao longo dos anos, com notificações expedidas em 2012, 2014, 2015, 2017, 2018, 2022 e 2025.
“Em todas essas fiscalizações, foram registradas notificações por diferentes problemas estruturais, incluindo risco de queda da cruz, perigo de desabamento do beiral e grave degradação do telhado”, afirmou a Codesal em nota. Como as atividades religiosas no local já estavam paralisadas, a Defesa Civil realizou, como medida preventiva, a interdição de parte do estacionamento anexo à capela, que pertence ao próprio Ministério Público, devido ao "iminente risco de desabamento de fragmentos do telhado".
IMPASSES E AÇÃO CIVIL PÚBLICA
Diante do avanço da degradação e do risco à segurança pública, o caso foi parar na Justiça. O Ministério Público do Estado da Bahia, por meio do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Nudephac) e da 1ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo da capital, explicou que buscou por diversas vezes uma solução consensual com o Instituto Sagrado Coração de Jesus para a conservação do bem cultural.
"Apesar das tentativas, não foi possível, até o momento, a formalização de acordo com a instituição responsável", informou o MP-BA. Diante do cenário de impasse, a 1ª Promotoria de Justiça ajuizou uma Ação Civil Pública "com o objetivo de assegurar a adoção das providências necessárias à eliminação da situação de risco existente e à proteção do imóvel". Os órgãos ressaltaram que seguem acompanhando o caso de perto, dada a relevância histórica e cultural da edificação.
ACORDO JUDICIAL
Em entrevista ao Bahia Notícias, o atual presidente do Instituto Sagrado Coração de Jesus, Políbio Lago, anunciou que a instituição já contratou a empresa que executará a reforma e que se reunirá nesta sexta-feira (10) com o Núcleo de Autocomposição do MP-BA (Compor) para colocar o planejamento no papel e formalizar o início das obras perante o juiz.
Segundo o presidente, os trabalhos logísticos para a recuperação do templo já foram iniciados. “O Instituto Sagrado Coração de Jesus já tem a pessoa que vai retirar as imagens e em seguida a empresa que vai fazer a recuperação do telhado”, garantiu Políbio Lago.
Ele reforçou que faz questão de conduzir o processo de forma transparente e alinhada com a Justiça. “Inclusive eu já estarei mantendo contato nesta sexta-feira (10) com o MP, pra deixar isso escrito no papel para formalizar isso perante o juiz, pra ficar tudo com o mando figurino”, pontuou.
Com a iminente reunião entre o instituto e o Ministério Público, a expectativa dos moradores do bairro de Nazaré é de que as obras no telhado comecem, protegendo a integridade física da capela e de quem transita pelo entorno.
HISTÓRIA DA CAPELA
A Capela do Sagrado Coração de Jesus, localizada na Avenida Joana Angélica, foi inaugurada em 1º de março de 1891, tendo sido construída pela Irmã Tereza Lavallé. Ela integra o complexo do atual Colégio do Sagrado Coração de Jesus, cuja trajetória começou bem antes, em 1820.
Fundada originalmente pelo padre Francisco Gomes de Souza no Cabula como uma casa pia e colégio para órfãs, a instituição passou por reformulações sob a tutela do Governo da Bahia e, em 1853, teve sua gestão assumida pelas Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo. A transferência para o atual endereço, no bairro de Nazaré, ocorreu em 21 de junho de 1857. As irmãs vicentinas administraram o colégio, que hoje é misto (meninos e meninas) e de caráter filantrópico, até 1984.
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) instaurou um Processo Administrativo Sancionador (PAS) contra o Instituto Saúde e Cidadania (Isac), organização social com sede em Brasília responsável pela gestão de unidades públicas de saúde em estados como Bahia, Goiás, Rio Grande do Sul, Alagoas, Piauí e Tocantins. A entidade é investigada por supostas falhas na proteção de dados pessoais sensíveis de cerca de 500 mil pacientes após um ataque cibernético registrado em 2025.
Segundo a ANPD, o processo apura possíveis infrações à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), relacionadas à adoção insuficiente de medidas de segurança para proteção das informações, falhas na comunicação do incidente aos titulares dos dados, ausência de informações sobre o encarregado pelo tratamento de dados pessoais e descumprimento dos princípios da prevenção, responsabilização e prestação de contas.
O caso teve origem em um ataque do tipo ransomware, modalidade em que criminosos sequestram dados e os tornam inacessíveis. De acordo com informações prestadas pelo Isac à Agência, aproximadamente 500 mil registros foram afetados, incluindo cerca de 78.772 de crianças e adolescentes e 47.921 de idosos.
Os registros continham dados de identificação, como nome e data de nascimento, além de informações sensíveis de saúde, incluindo histórico de exames, prontuários, prescrições médicas, atendimentos ambulatoriais, internações, diagnósticos e procedimentos realizados.
Durante a apuração, o Isac afirmou que não haveria risco ou dano relevante aos titulares dos dados, alegando que os invasores tiveram acesso apenas a informações administrativas e bancos de dados referentes a contratos encerrados. No entanto, segundo a ANPD, a organização não apresentou comprovação técnica para sustentar essa versão.
A Agência também apontou que os pacientes afetados não foram comunicados individualmente sobre o incidente. Em vez disso, o Isac publicou apenas um aviso em seu site institucional.
Para o superintendente de Fiscalização da ANPD, Fabrício Guimarães, a comunicação foi insuficiente por não informar a data do incidente, a natureza dos dados comprometidos, quem foi afetado e quais medidas foram adotadas antes e depois do ataque, informações exigidas pela LGPD e pela regulamentação da própria Agência sobre Comunicação de Incidentes de Segurança (CIS).
Ainda segundo o auto de infração, o Isac deixou de apresentar evidências técnicas que comprovassem as medidas corretivas adotadas, apesar dos reiterados questionamentos da ANPD. A Agência também verificou que a organização não disponibiliza, em seu portal, informações sobre o encarregado pelo tratamento de dados pessoais, como determina a LGPD.
O instituto terá prazo de dez dias úteis, contados da intimação, para apresentar defesa. Caso seja condenado, além das sanções, receberá orientações para regularizar a situação.
As penalidades previstas no artigo 52 da LGPD incluem advertência, multa de até 2% do faturamento da instituição, além da suspensão parcial ou total das atividades de tratamento de dados pessoais. A eventual punição será definida ao fim do processo, conforme o Regulamento de Dosimetria e Aplicação de Sanções Administrativas da ANPD.
O processo de número 00261.003381/2026-55 está disponível para consulta pública no Sistema Eletrônico de Informações (SEI).
Na manhã desta quarta-feira (8), lideranças políticas da Bahia se reuniram na sede do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), para a assinatura do Pacto pela Integridade nas Eleições 2026. Durante o evento, o presidente do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Tassio Brito, aproveitou o espaço para repercutir o cenário político local, defender os governos estadual e federal, e tecer críticas à oposição.
O encontro, conduzido pelo presidente do TRE-BA, desembargador Maurício Kertzman Szporer, tem como objetivo firmar um compromisso entre a Justiça Eleitoral e os partidos para garantir um pleito seguro e transparente, combatendo a violência política e o uso indevido de Inteligência Artificial.
Aproveitando a pauta democrática e o aquecimento para as disputas de 2026, Tassio Brito delineou as diretrizes do PT baiano para o próximo ciclo eleitoral.
Brito destacou a realização do Plano de Governo Participativo em todo o estado como ferramenta de escuta da população. Ele defendeu os avanços do governo de Jerônimo Rodrigues, citando investimentos em infraestrutura, educação e a interiorização da saúde. Segundo o presidente do PT-BA, as pesquisas refletem que o governador possui "aprovação maior do que a desaprovação", o que indicaria que a gestão "está no caminho correto".
Questionado sobre a postura da oposição, Tassio foi enfático ao reafirmar que o PT não tem "nenhum medo nem nenhuma vergonha de dizer o nosso lado", referindo-se ao alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele alfinetou o grupo político liderado por ACM Neto (União Brasil), classificando-os como "os maiores anti-Lula que a Bahia já viu", mas que adotam a estratégia do "tanto faz" em anos eleitorais devido à alta popularidade do presidente no estado, que, segundo ele, atinge a marca de 70% a 72% de intenção de votos.
Sobre o PT ter superado o União Brasil em número de filiações na Bahia, o dirigente ressaltou que o partido possui um filtro rigoroso para novos membros, o que torna o crescimento ainda mais expressivo. Ele também pontuou que o PT lidera a preferência partidária no estado, variando entre 40% e 42% nas pesquisas de opinião. "Isso é fruto da identidade que o povo da Bahia tem com o nosso partido", concluiu.
A manifestação de Tassio Brito ocorreu paralelamente à agenda institucional do TRE-BA, que segue na manhã desta quarta (8). O Pacto pela Integridade nas Eleições 2026 foca em diretrizes fundamentais para o processo democrático, incluindo:
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A prevenção e combate a qualquer forma de violência política, com ênfase na proteção às mulheres.
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O cumprimento rigoroso das cotas de financiamento e de propaganda eleitoral para candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas.
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O uso responsável e ético de ferramentas de Inteligência Artificial pelas campanhas.
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A promoção de um acesso inclusivo ao direito de voto, alinhado ao programa Seu Voto Importa.
O evento desta quarta-feira também marca a inauguração da Sala da Democracia, um espaço permanente criado pelo Tribunal para estreitar o diálogo e a cooperação institucional com as agremiações partidárias.
O que começou como uma viagem de pesquisa sobre o uso de moedas digitais em um país em guerra acabou se transformando em uma verdadeira aventura para o empresário baiano Gustavo Kelsch Ramos, fundador da fintech Klipbit. Morando em Paris há mais de dez anos, ele desembarcou na Ucrânia em junho de 2026 para entender de perto como a população e o mercado financeiro têm utilizado criptomoedas durante o conflito. Mas, após perder o passaporte, precisou enfrentar uma longa e tensa jornada por três países até conseguir voltar ao Brasil.
A experiência acabou sendo muito mais do que uma viagem de negócios. Além de conhecer uma realidade marcada pela guerra, Gustavo precisou lidar com fronteiras, imigração, novos documentos e uma corrida contra o tempo para evitar problemas legais durante o retorno.
UMA VIAGEM DE PESQUISA
A motivação da viagem estava ligada ao trabalho desenvolvido pela Klipbit, plataforma criada por Gustavo que permite conectar a moeda digital USDC ao sistema de pagamentos PIX. O objetivo era observar como um país em guerra conseguiu adaptar seu sistema financeiro utilizando ativos digitais.
Segundo o empresário, a Ucrânia precisou flexibilizar as regras para o uso de criptomoedas diante das dificuldades enfrentadas pelos bancos durante o conflito. "Eu sabia, porque eu vim acompanhando as notícias, que o governo ucraniano, por conta do sistema bancário estar pressionado pela situação de guerra que eles estão vivendo, resolveu facilitar um pouco a adoção e tornou criptomoedas um método oficial, legal de realizar pagamentos e transferências", explicou.
A intenção era comparar essa realidade com outros mercados. "Eu queria ter essa experiência em campo, ver como é que está se estruturando lá para poder comparar com o Brasil, com a Europa, e ver se eu conseguiria tirar daí informações importantes para poder estruturar o meu negócio."
AS RUAS DE LVIV
Durante a viagem, Gustavo esteve em Lviv, cidade localizada no oeste da Ucrânia, próxima da fronteira com a Polônia. Lá, decidiu testar pessoalmente como funcionava a troca de criptomoedas por dinheiro local. Em vez de procurar empresas especializadas em tecnologia, entrou em uma casa de câmbio comum, como qualquer turista faria.
O processo chamou sua atenção pela simplicidade. "Eu simplesmente entrei na agência, perguntei qual é a taxa, se eles estavam aceitando USDT e tal, e consegui trocar 100 dólares pela moeda local, que é a Rivnia, com a taxa de 1,20%, que eu achei bem justa."
A experiência também revelou diferenças importantes entre os mercados. Gustavo percebeu que, embora sua empresa utilize principalmente a rede Solana para realizar transações, na Ucrânia a maior parte das operações acontece por meio da rede Tron. Isso o obrigou a converter seus recursos para conseguir sacar dinheiro, mostrando na prática a importância de integrar diferentes tecnologias em soluções financeiras.
O SUMIÇO DO PASSAPORTE
A viagem, porém, tomou um rumo inesperado quando Gustavo perdeu seu passaporte no banheiro de um restaurante em Lviv. O problema era ainda maior porque seu visto no Espaço Schengen já havia expirado. Isso significava que ele não poderia simplesmente retornar pela Polônia ou por outro país da Europa Ocidental, sob risco de enfrentar punições migratórias.
Foi nesse momento que ele precisou redesenhar completamente sua volta ao Brasil. "Eu entrei na Ucrânia sabendo que eu não poderia voltar pela Polônia. Eu falei: 'bom, agora eu tenho que voltar pela Moldávia e da Moldávia ou pela Inglaterra ou pela Turquia. Só que eu estou sem passaporte'."
Sem muitas alternativas, embarcou em uma viagem de aproximadamente dez horas de trem até Kyiv, capital da Ucrânia, utilizando antigos vagões de estilo soviético. Na capital, conseguiu atendimento rápido na Embaixada do Brasil e teve um novo passaporte emitido em tempo recorde. Mas os desafios estavam longe de terminar.
MADRUGADA NA FRONTEIRA
Com o novo documento em mãos, Gustavo seguiu viagem até a fronteira com a Moldávia. A travessia aconteceu durante a madrugada, por volta das três horas da manhã, em um ônibus lotado.
O novo passaporte, emitido poucas horas antes e sem qualquer carimbo de entrada ou saída, despertou desconfiança das autoridades migratórias moldavas. "O pessoal do controle de fronteira da Moldávia falou: 'não, você não vai passar, cadê sua passagem? Você vai embora daqui quando? Você não pode ficar aqui não, você vai ter que ir embora hoje, senão você não entra'."
Sem outra opção e correndo o risco de ser impedido de entrar no país ou até mesmo devolvido para a Ucrânia, Gustavo precisou comprar, ali mesmo no posto de imigração, uma passagem aérea de emergência. Somente após apresentar o bilhete de saída conseguiu autorização para seguir viagem. Da capital moldava, Chisinau, embarcou para Istambul, na Turquia. Depois seguiu para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, até finalmente desembarcar em Salvador, encerrando uma viagem marcada por imprevistos e tensão.
COTIDIANO EM UMA ZONA DE GUERRA
Mesmo diante dos desafios pessoais, Gustavo afirma que o que mais o marcou foi observar como a população tenta manter a rotina apesar do conflito.
Durante sua permanência, chegou a ser abordado por militares ucranianos que verificavam a situação de recrutamento obrigatório de homens nas ruas, algo comum no país desde o início da guerra.
Ao mesmo tempo, viu cidades tentando preservar a normalidade. Em Lviv, por exemplo, participou de um festival de cerveja que reuniu milhares de pessoas. "A vida está retomando. Eles vivem um lugar afastado da zona de conflito, mas é legal de ver que eles estão sendo muito resilientes."
Para Gustavo, a viagem acabou reunindo dois aprendizados importantes. De um lado, mostrou como tecnologias financeiras podem se tornar essenciais quando bancos e fronteiras deixam de funcionar normalmente. Do outro, revelou de perto a capacidade de adaptação de um povo que continua vivendo, trabalhando e reconstruindo a rotina mesmo em meio aos impactos da guerra.
O vereador de Salvador, João Cláudio Bacelar, comentou sobre o atual cenário de indefinições do Podemos na Bahia e as divergências internas de apoio político. Em entrevista concedida ao programa Bahia Notícias no Ar, o parlamentar destacou que sua continuidade na sigla está estritamente condicionada à manutenção de sua aliança com o governador Jerônimo Rodrigues.
Bacelar iniciou sua análise ressaltando a ambição natural de crescimento das legendas. "Todo grupo político quer crescer [...] O Podemos quer, sim, ocupar outros espaços, secretarias, prefeituras, fazer deputados", afirmou. No entanto, o vereador admitiu as dificuldades recentes enfrentadas pela legenda no estado, que não conseguiu montar chapas para deputado federal nem estadual, além de ter optado por apoiar a chapa de oposição ao governo estadual.
Essa divergência de apoios criou o que o vereador classificou como uma situação "nebulosa" e "incerta", já que, no âmbito municipal, o grupo segue alinhado à base governista. "Aqui no município nós estamos com Jerônimo, mas no estado o partido foi apoiar a chapa de oposição", pontuou.
Questionado sobre a possibilidade de deixar o partido devido a esse processo de divisão, Bacelar adotou um tom de cautela, mas estabeleceu seu limite. Ele afirmou que vai aguardar o resultado das eleições e destacou que, até o momento, não foi procurado ou pressionado pela cúpula partidária para mudar sua postura.
Contudo, o parlamentar mandou um recado direto sobre o seu futuro político: "Eu, estando com o governador Jerônimo, é a única exigência que eu tenho para permanecer ou sair do partido". Bacelar completou afirmando que, caso o cenário interno inviabilize sua posição junto ao governador, ele buscará uma nova agremiação assim que a janela partidária for aberta, embora tenha frisado que a desfiliação "não é da sua vontade".
Em alusão ao dia 3 de julho, data que marca o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial e o aniversário da Lei Afonso Arinos (primeira legislação contra o racismo no país), o Bahia Notícias realiza uma entrevista exclusiva com Bárbara Souza, Secretária-Executiva do Ministério da Igualdade Racial. Na conversa a secretária detalha as ações do governo federal para combater o racismo estrutural, a expansão das políticas públicas para os territórios, incluindo o Pelourinho, em Salvador, e o desafio de tornar a igualdade racial um compromisso transversal em toda a máquina pública.
Confira a entrevista na íntegra:
Secretária, o dia 3 de julho marca a aprovação da Lei Afonso Arinos, a primeira lei brasileira contra o racismo, promulgada há mais de 70 anos. De lá para cá, a nossa compreensão evoluiu para entender que o racismo no Brasil não é apenas uma atitude individual, mas um problema estrutural e institucional. Como a Secretaria-Executiva trabalha hoje para que o Ministério não atue apenas no combate ao preconceito e à injúria, mas consiga de fato desmantelar o racismo impregnado nas estruturas do Estado brasileiro?
Uma honra estar falando com o Bahia Notícias, em nome aqui do Ministério da Igualdade Racial. Especialmente em alusão ao 3 de julho, que marca a aprovação da lei Afonso Arinos, a primeira lei brasileira contra o racismo, promulgada há mais de 70 anos. De lá para cá, a gente teve uma caminhada muito importante de ampliação da voz, da denúncia, do espaço de construção também da narrativa do povo negro. Isso, obviamente, entrou na Constituição de 88 e, desde 2003, com o presidente Lula, ganhou um fôlego mais amplo com a criação da primeira Secretaria com status de Ministério, a SEPPIR, e com a criação da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Desde 2023, isso vem ganhando um fôlego ainda maior.
O Ministério da Igualdade Racial vem atuando arduamente para fortalecer a política de igualdade racial no Brasil e construir estratégias de enfrentamento ao racismo institucional e estrutural da nossa sociedade. Acho que algumas conquistas dessa caminhada são importantes. A primeira: em 2014, foi aprovada a primeira lei de cotas para concursos públicos e agora, em 2025, uma segunda edição dela é aprovada, ampliando o número de vagas para pessoas negras de 20% para 25% e incorporando também 3% para pessoas indígenas e 2% para pessoas quilombolas.
Logo na sequência, o modelo implementado pelo governo do Brasil — que o Ministério da Gestão e Inovação (MGI) e o MIR vêm sendo muito parceiros — que é o Concurso Nacional Unificado. Eu costumo falar que ele foi a maior ação afirmativa em concursos públicos da história. A segunda edição do CNU teve, de todos os ingressantes, 40,5% de ações afirmativas, sendo 29,5% de pessoas negras. Ter o Estado brasileiro cada vez mais representativo do que nós somos em nossa diversidade é fundamental.
Outra ação que a gente vem implementando com muito fôlego é o Programa Federal de Ações Afirmativas, que vem estimulando junto aos ministérios planos de ações afirmativas, tanto para a gestão interna e processos formativos, como para as políticas finalísticas. Ministérios como o da Saúde, Relações Exteriores, Gestão e Inovação, Planejamento, Turismo e Direitos Humanos já construíram planos específicos. Além disso, estamos incrementando a formação de gestores para iniciativas antirracistas com o programa FIAR (Formação e Iniciativas Antirracistas), uma parceria com a ENAP, que já formou mais de 25 mil pessoas em nível federal, estadual e municipal.
Falando sobre ações concretas: nós sabemos que a população preta e parda representa mais de 55% dos brasileiros, segundo o IBGE, mas continua liderando os índices de pobreza, desemprego e letalidade violenta, o último Atlas da Violência, por exemplo, aponta que mais de 76% das vítimas de homicídio no país são negras. O Ministério tem apostado em iniciativas como o Plano Juventude Negra Viva, o Aquilomba Brasil e a recente expansão das Casas da Igualdade Racial. Diante do nosso cenário de restrições fiscais, quais são os maiores desafios orçamentários e de articulação com estados e municípios para garantir que essas políticas não fiquem restritas a Brasília e cheguem de fato à ponta, alterando a realidade nos territórios?
Bom, a dimensão de buscar assegurar cada vez mais orçamento para a política social e para as políticas de igualdade racial é algo central, um compromisso que o governo do Brasil tem tido. Obviamente, no cenário de restrição fiscal, é fundamental que a gente busque saídas e priorização para as ações. O Ministério tem trabalhado ativamente para manter as políticas públicas já em curso fortalecidas.
Você trouxe aqui programas-chave, como o Plano Juventude Negra Viva, que é o maior plano da história voltado para a juventude negra. Sabemos dos desafios com os dados de segurança pública para jovens negros, com a taxa de homicídio muito elevada. Ter uma resposta integrada que pegue ações de educação, de cultura e de inclusão produtiva é fundamental. O Plano traz um investimento amplo de cerca de R$ 850 milhões, de forma muito articulada com 18 ministérios.
Além disso, nosso Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR), que é o "SUS da Igualdade Racial", tem se expandido muito. Hoje estamos nos 27 estados da federação. Um dos equipamentos mais importantes é a Casa da Igualdade Racial, que abre as portas para atender vítimas de crimes raciais (com acolhimento jurídico, social e psicológico) e também incorpora ações de inclusão produtiva e cultural. Na Bahia, temos uma Casa da Igualdade Racial recentemente lançada, que fica no Pelourinho. Convido a todos que nos acompanham a visitar e conhecer esse espaço.
Por fim, o programa Aquilomba Brasil é voltado para as comunidades quilombolas de todo o país. O último censo indica uma população de quase 1,5 milhão de pessoas nessas comunidades, e o programa atua em quatro eixos: acesso à terra, inclusão produtiva, acesso a direitos e infraestrutura. Tivemos os maiores avanços da história no campo da regularização fundiária. O presidente Lula, desde 2023, foi o presidente que mais decretou territórios quilombolas declarados para interesse social, foram 79 decretos só nessa gestão e 74 títulos fundiários expedidos. Ainda temos muito a fazer, mas os números demonstram nosso grande compromisso.
A senhora tem uma trajetória forte na gestão de políticas sociais e na pesquisa sobre comunidades tradicionais. Nós sabemos que a igualdade racial não se resolve apenas dentro de um único ministério. Como tem sido o desafio de articular a transversalidade dessa pauta com ministérios que detêm os maiores orçamentos, como Educação, Saúde, Justiça e Segurança Pública? Já podemos dizer que a perspectiva racial deixou de ser vista como um 'nicho' para se tornar um critério obrigatório no desenho de qualquer grande política pública do atual governo?
De fato, tenho mais de 20 anos de atuação com políticas sociais no governo, boa parte com políticas de igualdade racial e pesquisa voltada para movimentos negros e comunidades tradicionais. Essa pergunta que você faz é central quando falamos de transversalidade. Necessariamente, precisamos de um órgão central de coordenação, papel que o MIR vem desempenhando, mas que envolve articulação com diversos ministérios.
Vou trazer dois exemplos importantes dessa articulação interministerial. O primeiro é o Plano Plurianual (PPA). O nosso PPA, construído em 2023, traz uma metodologia extremamente relevante que é a Agenda Transversal. Nela, temos hoje 25 ministérios com ações, programas e iniciativas voltadas para a igualdade racial, com um investimento no último ano de R$ 643 milhões. Precisamos avançar com certeza, mas é um número sólido que só é possível porque une as várias áreas da esplanada em torno dessa importante agenda.
O segundo exemplo é o Segundo Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Ele é uma resposta à ADPF das Vidas Negras, julgada pelo Supremo Tribunal Federal em dezembro do ano passado, que reconhece judicialmente que o racismo estrutural é um problema gravíssimo e que demanda uma resposta direta do Estado brasileiro. O Ministério já vinha no processo de atualizar esse plano, e com a decisão do STF a gente ganha um marco inovador, que é a "obrigação de fazer".
Fizemos também uma consulta ao STF sobre a importância de que governos estaduais e municipais também tenham esse compromisso e obrigação, porque as políticas, para chegarem na ponta, necessariamente passam pela federalização. A construção desse plano envolve um diálogo direto com esses 25 ministérios. Quero finalizar destacando o quão central é essa dimensão da transversalidade e da articulação entre os vários setores do governo para que tenhamos resultados mais robustos na promoção da igualdade racial no nosso país.
A vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos, revelou que a tendência é que ACM Neto (União) apoie a pré-candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República. Durante o desfile do 2 de Julho, Ana Paula, que atua como coordenadora da campanha de Neto na capital baiana, justificou o provável alinhamento nacional pela amizade histórica entre os dois políticos.
"Nacionalmente, ele tem um grande amigo pré-candidato, que é Caiado. A tendência é que ele esteja com Caiado, até pela sua história de vida", pontuou a vice-prefeita, ressaltando que, localmente, a aliança prioritária do grupo é com o municipalismo e com o eleitorado.
Ana Paula que é coordenadora de campanha de Neto detalhou a estratégia para as eleições estaduais, com foco em corrigir o desempenho nas pequenas e médias cidades, onde o grupo enfrentou dificuldades em 2022. A aposta atual é o fortalecimento das bases no interior por meio de lideranças municipalistas, citando o pré-candidato a vice-governador Zé Cocá (PP) e o senador Angelo Coronel (Republicanos). A campanha também intensificará o diálogo nas comunidades, com atenção especial às mulheres, que representam 53% do eleitorado, e aos idosos.
TEATRO VILA VELHA E GESTÃO DA CULTURA
Abordando a sua atuação na Cultura, Ana Paula atualizou o andamento das obras do Teatro Vila Velha. A gestão superou um desafio de engenharia envolvendo um pilar estrutural que interferia no projeto de acessibilidade. Com o problema solucionado, o foco atual é a modernização tecnológica do espaço, com a instalação de novos equipamentos de som, luz e imagem para a reinauguração em breve.
Ao avaliar o 2 de Julho, a vice-prefeita enalteceu o protagonismo histórico das mulheres, como Maria Quitéria e Maria Felipa, e traçou um paralelo com as chefes de família da atualidade. Para ela, o sentimento de independência celebrado na data reflete o desejo atual da população baiana por mudanças estruturais na economia, saúde e segurança.
Durante as comemorações do 2 de Julho, ACM Neto (União Brasil) afirmou que o anúncio do seu apoio à Presidência da República ocorrerá apenas após as convenções partidárias. O político aproveitou a ocasião para responder às críticas de Rui Costa (PT) sobre declarações do ex-prefeito da capital baiana à ponte Salvador-Itaparica.
Sobre o cenário nacional, Neto informou que viajará a Brasília na próxima semana para se reunir com a direção do seu partido. O objetivo é discutir o cenário estadual e avaliar as tratativas federais. "Primeiro precisamos entender qual será a posição nacional do União Brasil. Após as convenções, manifestaremos a nossa posição, sempre partindo do princípio de respeitar todos os partidos e pré-candidaturas que integram a nossa aliança", explicou.
O ex-prefeito de Salvador também foi questionado sobre uma declaração de Rui Costa. O petista afirmou, ao Bahia Notícias, que ACM Neto possui um "distúrbio cognitivo" por desacreditar na realização da obra da ponte Salvador-Itaparica.
Em resposta, ACM Neto rebateu a fala e transferiu o julgamento para a população. "Não é possível que ele ache que eu e a grande maioria dos baianos temos problema cognitivo. Pergunta ao povo o que o povo acha", concluiu o político.
Uma dos dois únicos pré-candidatos à Presidência da República presentes nas celebrações do 2 de Julho, Samara Martins (UP) utilizou sua passagem pelo desfile para ressaltar o papel histórico das mulheres na independência e defender maior representatividade na política.
A pré-candidata defendeu ainda que a data se torne um feriado nacional. "O 2 de Julho é a consolidação da independência do povo brasileiro. É lembrar Maria Filipa, Maria Quitéria e as mulheres negras que deram a vida e a energia para garantir a liberdade do nosso povo", afirmou Samara.
A presidenciável explicou que o projeto da Unidade Popular foca nas populações pobre, negra e feminina. Segundo ela, diante do aumento da violência de gênero, apresentar o nome de uma mulher negra e trabalhadora na disputa presidencial é essencial para assegurar a soberania do país.
Sobre a receptividade de sua pré-candidatura nas ruas, Samara afirmou que o eleitorado tem se identificado com as propostas do partido. "A política é feita pelo povo e não só pelos engravatados, ricos e brancos da elite. É necessário que, num país majoritariamente feminino e negro, tenhamos uma mulher negra na presidência", finalizou.
Durante as celebrações da Independência da Bahia, o presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, ressaltou a importância histórica e o papel político do 2 de Julho em Salvador. Com mais de uma década de atuação na gestão da FGM, Guerreiro observou um aumento na participação popular, especialmente de jovens e estudantes.
Sobre a forte presença de candidatos nas ruas durante o desfile matinal, o gestor afirmou que a política é parte integrante da celebração. "Este desfile tem uma forte conotação política. Os candidatos testam a temperatura nas ruas e isso já faz parte da festa", pontuou.
Além do aspecto político, Guerreiro destacou as mudanças na logística desta edição. Devido ao jogo da Seleção Brasileira no próximo dia 5, o retorno do Caboclo à sua casa foi antecipado para o dia 4 de julho. A programação inclui um show especial da cantora Mariene de Castro, além de apresentações de orquestras de filarmônicas e do Olodum no Pelourinho.
O dirigente enfatizou que, para além das novidades no cronograma, a essência do evento permanece na fé e na participação popular. "O povo na rua, a paixão pelo Caboclo, os pedidos e as frutas; esse é o lado maravilhoso da festa", concluiu.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Ronaldo Caiado
"Vocês que têm essa capacidade toda e sensibilidade de serem mães, criar os filhos, os nossos lares, estruturar as nossas famílias. Esta é a verdade, o verdadeiro poder da mulher. A nossa formação no dia a dia é a cultura brasileira. Nós somos muito mais uma criação matriarcal, como a grande protetora é o nosso lar".
Disse o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (União), ao afirmar que as mulheres exercem um papel central na proteção das famílias e possuem mais influência do que os homens nas decisões tomadas dentro do lar. As declarações foram feitas durante sua participação no Congresso da Confederação de Irmãs Beneficentes Evangélicas Mundial (Cibem), realizado no Riocentro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.