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Entrevista

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto

Por Gabriel Lopes

De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desde janeiro, após assumir a vaga aberta com a morte do deputado Alan Sanches, Luciano Ribeiro (União) concedeu entrevista ao Bahia Notícias na última semana e falou sobre a produtividade do Legislativo para 2026, ano que será marcado pela disputa eleitoral, e o cenário político para a corrida ao governo da Bahia. O deputado também tratou da formação da chapa de oposição e afirmou que, neste momento, descarta disputar a reeleição. Desde o seu retorno, Luciano passou a ocupar a vice-liderança da oposição e a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

 

Confira abaixo a entrevista na íntegra:

 

O senhor retorna à Assembleia em uma circunstância marcada pela morte do deputado Alan Sanches. Como tem sido o retorno e quais prioridades o senhor elencou nessa retomada do mandato?

Retorno nessa circunstância lamentável, que não era o que todos desejavam, onde se perde um grande homem público, um grande amigo, um grande companheiro de partido, um homem, sobretudo, com a sensibilidade imensa para as causas sociais, para aqueles mais necessitados. Então, tenho o dever duplo de defender o seu legado e defender também os quase 64 mil votos de baianos e baianas que me conduziram até aqui.

 

O que muda na sua atuação parlamentar hoje, em comparação com sua passagem anterior pela AL-BA?

O que muda na minha atuação parlamentar hoje, eu diria que praticamente nada, só mais experiência. Foram quase sete anos fora desta casa, aqui retorno com o mesmo ímpeto, com a mesma disposição, infelizmente com os mesmos problemas que encontrei e que existiam na Bahia, com os mesmos problemas agora mais agravados. Eu que sempre fui municipalista, volto a defender a causa municipalista, defender a classe dos advogados, defender o baiano, a justiça social, defender o semiárido baiano de onde eu sou oriundo e onde eu tenho a maior parte de minha votação. Trazer a essa Casa, a nossa atuação de liberdade e sempre lutando por uma alternativa de poder que se apresenta nesse ano.

 

O senhor retorna com papéis importantes na Casa, como a vice-liderança da Oposição, e a vice-presidência da CCJ. Em sua avaliação, ainda há espaço na AL-BA para uma oposição mais propositiva?

Eu sempre acreditei que o papel da oposição, além de fiscal, além das críticas, ela deve ser sim propositivo. Eu sempre atuei na oposição, sendo aguerrido, sendo crítico, mas sempre atuei de forma propositiva. Então eu acho que é fundamental que nós da oposição sejamos propositivos naquelas ações que nós entendemos que devam ser mudadas, que nós entendemos que estão críticas e ações novas que possam, dentro da nossa experiência, do nosso conhecimento, da nossa área de atuação, poder propor ao Estado para que haja as melhorias que a Bahia precisa.

 

No campo da produção legislativa, quais pautas Luciano Ribeiro deve propor ainda em 2026, e que avaliação faz do ritmo da Assembleia neste início de ano legislativo?

Eu acho que a Assembleia, nesse início de ano, ela se mostrou ainda tímida, mas que há uma tendência, um consenso de todos nós, deputados, de que devemos incrementar, pelo menos nesse primeiro semestre, antes do período eleitoral, as pautas legislativas aqui da Assembleia. Nós sabemos, por outro lado, que no conjunto da formação do Estado brasileiro, as competências legislativas ficaram mais concentradas no governo federal, na esfera federal e na esfera municipal. Restando à esfera estadual, pouca competência para legislar. E nessa competência a gente tem que procurar buscar aquilo que é possível e dentro disso fazer proposições e poder trabalhar nesse sentido. Eu agora mesmo fiz uma proposição, um projeto de lei para que fossem incluído nas licitações públucas do Estado da Bahia o seguro em obras para que as obras não fiquem paralisadas. Isso eu acho fundamental para a economia do dinheiro público, para a garantia do exercício, da execução das obras. É uma pauta que nós estamos a fazer. Estou também elaborando uma política de convivência com o semiárido, uma política que nós entendemos que deve ser em conjunto com os municípios, liderado pelo Estado, para que busquemos em cada região, em cada cidade, a sua vocação. Porque às vezes a solução para a seca, para a convivência com a seca, não é igual para todos os municípios, para toda a área da Bahia. Então, estamos ainda em fase de elaboração dessa proposição de uma política que conviva com esse elemento seca e que busque soluções para que o Estado possa atuar juntamente com os municípios.

 

5. Como ex-prefeito, o senhor considera que a AL-BA tem atuado de forma assertiva para atender os principais gargalos de municípios pequenos e médios na Bahia?

Eu acho que a AL-BA, como de resto os deputados em si, tem atuado de forma a colaborar, a apresentar soluções, a buscar criticar, mostrar onde há deficiência nos municípios baianos. Eu acho que a AL-BA vem cumprindo o seu papel, mas sempre a campo para que seja incrementada mais ainda essa atuação e esse protagonismo da AL-BA no sentido de ajudar os municípios, seja na área de infraestrutura, seja na área de educação, seja na área de saúde, seja na área de segurança pública. Então, eu acho que a AL-BA, além do papel que vem cumprindo, pode ser, sim, buscar incrementar muito mais sobre essa defesa dos municípios baianos.

 

6. Nos últimos dias, o senhor entrou no debate sobre o Banco Master e disse ter pedido esclarecimentos ao governo e à Secretaria da Fazenda. Houve alguma sinalização do Executivo? O que exatamente o senhor quer saber?

A minha discussão sobre o Banco Master me chamou a atenção o fato de ser um recurso do Fundef, e aí mais para saber a situação do professor, que era o detentor de 60% desse recurso, porque, na minha avaliação, o governo do Estado, com o recurso do Fundef e o recurso do professor já em sua conta, credenciou uma instituição financeira para poder, então, negociar com o servidor, com o deságio, ou seja, com perda financeira ao servidor, no caso professor, para então, o Estado pagar a esse credenciado que era essa instituição financeira. Eu fiz diversos questionamentos, para não fazer um pré-julgamento dessa situação, fiz alguns questionamentos ao governo do Estado, que está dentro do prazo ainda para nos responder. Espero que nos responda o mais breve possível, que nós iremos fazer uma avaliação nessa situação que nós achamos que a atitude do Estado deixou o servidor fragilizado, que era a parte a ser protegida, e com perda muito grande na sua remuneração, na sua indenização. Pelo que nós sabemos, havia um deságio um tanto quanto elevado e sem nenhum instrumento de proteção, de assessoramento ou de acautelamento para que os interesses dos servidores públicos, que é a parte mais fraca nessa relação, pudesse ser defendido.

 

Falando de eleição, em outubro Luciano Ribeiro vai disputar a reeleição? Quais perspectivas políticas no seu horizonte?

Eu não tenho, pelo menos por hora, a intenção de disputar a reeleição. Estou no projeto, fazendo parte do grupo que coordena a pré-campanha do nosso líder, ACM Neto, e pretendo continuar auxiliando nessa pré-campanha e depois na campanha, para buscar essa conquista de um novo governo, novos ares, uma nova política, um novo olhar para a Bahia, capitaneado pelo nosso líder ACM Neto. Espero que a Bahia, desta vez, faça essa transição, faça essa mudança e experimente um novo governo. Então, esse é o meu projeto político no horizonte mais curto.

 

Temos acompanhado o afunilamento nas discussões para a composição da chapa majoritária, encabeçada por ACM Neto. O senhor acredita que a escalação com Zé Cocá na vice, e João Roma e Angelo Coronel como candidatos ao Senado, é a mais forte para desbancar os 20 anos do PT na Bahia?

Eu acredito sim que é um time, óbvio que tem outras pessoas que poderiam cumprir o mesmo papel compondo a nossa chapa, mas dentro da realidade que se colocou, dentro da disponibilidade daqueles que quiseram fazer, compor a nossa chapa com ACM Neto governador, Zé Coca vice, João Roma e Angelo Coronel, senadores, eu acho que é uma chapa extremamente competitiva, é uma chapa que atende vários segmentos da Bahia, tem um vice que é do interior do estado, que conhece bem o semiárido baiano, conhece bem os pequenos municípios, conhece o município maior, conhece a questão dos prefeitos, conhece a questão das cidades pequenas, das pessoas. E o Angelo Coronel já com a experiência municipalista convicto também, experiência de senador, e João Roma, que já foi ministro e deputado, e também que tem um amplo segmento na Bahia, que teve mais de 10% dos votos na última eleição. Eu acredito sim nessa chapa, mas acredito mais na vontade do povo baiano em querer fazer uma mudança. E nós sabemos que o poder é cíclico, que já são 20 anos do PT no governo, que o povo cansou, chegou à estagnação desse modelo e o povo quer um novo modelo. Por isso que eu tenho muita crença de que esta chapa sairá vencedora em outubro.

 

Ainda nessa linha, o que a Oposição precisa fazer de diferente para chegar mais competitiva em 2026?

Primeiro, a gente tem que ter a sensibilidade e humildade de reconhecer que existiram erros na campanha passada. Erros que, na minha avaliação, não foram determinantes porque o que foi determinante naquela eleição foi, efetivamente, a gente ter enfrentado um presidente da República muito bem avaliado, que tinha uma influência muito grande na Bahia, que era o presidente Lula, e vinha do governo do Estado também. Um governador que também estava muito bem avaliado, apresentando um nome que era desconhecido da população. Então a gente precisa, nesse primeiro momento, mostrar que a eleição é feita entre o atual governador, que hoje já é conhecido, mostrar a sua ineficiência como governador e mostrar as qualidades do nosso candidato que a opção para a mudança na Bahia. Nós sabemos por outro lado que hoje ao menos as pesquisas indicam que não vai haver a mesma interferência, o mesmo peso de interferência do presidente Lula na Bahia, já que o seu prestígio também na Bahia, embora seja muito forte, embora ainda tenha potencial de voto muito grande na Bahia, não há a mesma interferência. E nós precisamos, diante desse quadro, saber onde atuar, saber de que forma podemos, onde há possibilidade de nós crescermos os votos, identificar os focos onde há necessidade de uma atuação maior, o foco onde a gente há possibilidade de crescimento. Melhorando sempre a cada dia e reconhecendo os erros, e mesmo erros de agora, amanhã a gente reconhecer e mudar. É isso que eu acho que tem que ser uma constante, esse exercício de melhoria, esse exercício de tentar aperfeiçoar para que menos erros ocorram.