Autor de chacina em cinema de SP assusta frequentadores de shopping em Salvador
Por Redação
O ex-estudante de Medicina, Mateus da Costa Meira, de 51 anos, passou a frequentar regularmente o Shopping Barra, um dos mais tradicionais de Salvador. Ele chama a atenção por ter sido o responsável por entrar com uma submetralhadora numa sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, matando três pessoas e ferindo outras nove. O caso aconteceu em 1999 e ele foi condenado inicialmente a 120 anos de prisão, mas foi solto pela Justiça baiana em 2024.
Mateus é baiano e retornou a capital onde circula por cafés, livrarias e cinema, mas vem preocupando os moradores e visitantes da região. Segundo informações do jornal O Globo, as pessoas passaram a fotografá-lo, compartilhando as imagens em grupos de WhatsApp.
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Foto: Reprodução / Redes sociais
Mateus cometeu a chacina crime durante uma sessão do filme "Clube da Luta" no dia 3 de novembro de 1999 no Morumbi Shopping.
Na época, a defesa tentou provar que ele era inimputável, ou seja, que um transtorno mental grave o impedia de compreender a gravidade de seus atos e que, sendo assim, ele não poderia responder criminalmente pelo massacre. A tese, entretanto, não foi aceita.
O então jovem de 25 anos passou por entrevistas, testes psicológicos e avaliações psiquiátricas que compreenderam que, apesar de apresentar transtornos mentais, incluindo a psicopatia, Mateus era imputável e tinha plena capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos.
O inquérito revelou que ele comprou a submetralhadora por R$ 5 mil, providenciou munição, consumiu cocaína, deixou o apartamento onde morava e hospedou-se num hotel para dificultar seu rastreamento.
Para a junta médica, essa sequência de decisões demonstrava que o assassino era capaz de planejar, antecipar as consequências e controlar a própria conduta.
Levado ao Tribunal do Júri em 2003, ele foi considerado plenamente responsável pelo massacre, condenado e enviado para cumprir pena em Tremembé. No ano seguinte, ele solicitou transferência para a Penitenciária Lemos Brito, em Salvador sob a justificativa de ficar perto dos pais.
Na prisão baiana, ainda em regime fechado, ele tentou matar o traficante Francisco Vidal Lopes, de 58 anos, com golpes de tesoura na cabeça. Por causa dessa tentativa de homicídio, Mateus seria submetido novamente ao Tribunal do Júri. Sua nova banca de advogados, liderada por Vivaldo Amaral Adaes, voltou a alegar que ele era inimputável, levando a um novo incidente de insanidade mental.
Dessa vez, os resultados foram inconclusivos, no entanto, o Ministério Público da Bahia aderiu à tese, e acusação e defesa sustentaram juntas que Mateus era inimputável. Os jurados concordaram. O juiz Moacyr Pitta Lima Filho o absolveu e determinou sua internação por tempo indeterminado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Bahia, até que uma perícia atestasse a cessação de sua periculosidade.
Em 2024, Mateus foi definitivamente para a casa com anuência da Justiça da Bahia. Na decisão que o liberou, ficou acordado judicialmente que os pais se encarregariam de manter o tratamento psiquiátrico do paciente, principalmente administrando os remédios que o mantém controlado. Mateus teria, inclusive, que morar com os genitores, o médico oftalmologista Deolindo Vanderlei Meira, de 87 anos, e a enfermeira Alina da Costa Meira, de 84.
Apesar de ter dado parecer favorável à transferência de Mateus da penitenciária para o Hospital de Custódia e Tratamento, o Ministério Público da Bahia foi contra a soltura e recorreu a instâncias superiores para tentar manter Mateus privado de liberdade.
No entanto, o jornalista Ullisses Campbell apurou que o assassino mora sozinho numa quitinete em Salvador.
