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Opinião: Adversário na Bahia, PSD pode ser “tábua de salvação” do bolsonarismo para ACM Neto

Por Fernando Duarte

Opinião: Adversário na Bahia, PSD pode ser “tábua de salvação” do bolsonarismo para ACM Neto
Foto: Max Haack/ Ag. Haack

A chegada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD deu uma nova “tábua de salvação” para que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), não receba o carimbo efetivo de bolsonarista. O ex-correligionário abriu espaço para que o candidato a governador da Bahia não se sinta constrangido em apoiar um candidato filiado a um partido que, em terras baianas, marchará com o projeto de reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT).

 

O entorno de ACM Neto sabe que é imprescindível que ele tenha um candidato à presidência da República para chamar de seu. Em 2022, a ausência de um nome com musculatura política suficiente (convenhamos, Soraya Thronicke está distante de mobilizar eleitores) para tracionar a campanha dele na Bahia foi um dos empecilhos no processo eleitoral. E ninguém quer repetir os erros para ter uma campanha natimorta.

 

A candidatura de Ronaldo Caiado pelo União Brasil seria o plano ideal para o ex-prefeito de Salvador. Tanto que, até os últimos momentos, ACM Neto tentava equacionar a rusga entre o governador de Goiás e o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas e figura com poder de veto na federação União Progressista. Sem entendimento, ou Caiado migrava para outra sigla ou estaria sem abrigo para ao menos tentar ser candidato em outubro.

 

No PSD, o goiano se juntou aos governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) dando margem para uma reorganização da direita brasileira, distante do bolsonarismo e do extremismo. É um esforço do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, para construir, ao menos na narrativa, um discurso de terceira via, numa região mais “central” do espectro político, longe do bolsonarismo e equidistante do petismo/ lulismo do atual governo.

 

Esse cenário se torna, então, um terreno fértil para candidatos de direita que preferem não ser umbilicalmente ligados ao bolsonarismo. E, por mais que os adversários tenham pregado que ACM Neto aderiu ao programa e ao governo de Jair Bolsonaro, após a pandemia ele se manteve afastado da errática condução política feita pelo ex-presidente. Em um estado tradicionalmente lulista e governado pela esquerda há 20 anos, desembarcar com os dois pés no projeto apresentado por Bolsonaro seria uma estratégia kamikaze até para desesperados políticos.

 

Houve a apresentação formal do apoio do PL à candidatura do ex-prefeito da capital baiana. Adversário em 2022, João Roma deve integrar a chapa de ACM Neto como candidato ao Senado e, seguindo orientação do PL nacional, caminha para construir um palanque para Flávio Bolsonaro, herdeiro de Jair no esforço para manter ativos políticos. Ou seja, o candidato do União Brasil já estaria, a partir daí, flertando com o bolsonarismo, ainda que a contragosto.

 

O PSD com Caiado, Ratinho Jr. ou Eduardo Leite representa a possibilidade de um palanque aberto, com mais de um candidato a presidente dialogando com o grupo político da oposição baiana. Deve ser essa a estratégia a ser adotada por ACM Neto, já que a União Progressista tende a não apresentar candidatura própria e o governador de Goiás trouxe uma janela de oportunidade até então intransponível (o PSD da Bahia continuará com Jerônimo Rodrigues a qualquer custo). É isso ou morrer na praia, ainda que haja uma disputa acirrada.

 

A dubiedade dessa situação é bem a cara da política brasileira. Especialmente quando lidamos com o centro, que se torna o fiel da balança no Congresso Nacional e, em 2026, pode criar musculatura suficiente para negociar melhor os dividendos de uma campanha eleitoral ao Planalto ou nos estados. Difícil é conseguir entender os imbricados interesses envolvidos. Enxergar um desses interesses como uma “tábua de salvação” é uma forma mais simples de desenhar o que estamos assistindo.