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Podcast Bengalas estreia 5ª temporada com foco em saúde, autonomia e envelhecimento com dignidade

Podcast Bengalas estreia 5ª temporada com foco em saúde, autonomia e envelhecimento com dignidade
O Podcast Bengalas inicia sua 5ª temporada ampliando ainda mais o seu propósito: acolher e instrumentalizar filhos que cuidam de pais idosos, os chamados cuidadores parentais, além de dialogar com todos que estão vivendo o processo de envelhecimento.

Saúde feminina e equilíbrio hormonal são destaques em novo episódio do podcast Vida em Equilíbrio

Saúde feminina e equilíbrio hormonal são destaques em novo episódio do podcast Vida em Equilíbrio
Foto: Bahia Notícias
A busca por uma saúde mais equilibrada e consciente tem ganhado cada vez mais espaço entre as mulheres — e foi exatamente esse o tema central do mais recente episódio do podcast Vida em Equilíbrio, apresentado por Andrea Cunha. A convidada da vez foi a ginecologista Dra. Grazielle Carvalho, que trouxe uma abordagem profunda e integrativa sobre o cuidado com o corpo feminino.

Hepatologista explica relação entre canetas emagrecedoras e pancreatite e critica uso sem orientação

Hepatologista explica relação entre canetas emagrecedoras e pancreatite e critica uso sem orientação
Fotos: Bahia Notícias
O hepatologista Raymundo Paraná criticou médicos sem qualificação profissional por prescreverem canetas emagrecedoras sem indicação clínica e sem informar de forma clara os riscos envolvidos no uso da substância. O alerta foi feito durante a participação do especialista no podcast Saúde 360°, que vai ao ar quinzenalmente, às terças-feiras, no canal do Youtube do Bahia Notícias.

Artigos

Prevenção vai além do check-up: o desafio do diagnóstico precoce no Brasil
Foto: Divulgação

Mesmo com mais acesso à informação e aos serviços de saúde, a maioria dos brasileiros ainda procura atendimento médico apenas quando surgem sintomas. Dados do IBGE mostram que 70,6% da população não realiza check-ups regularmente, um comportamento que dificulta o diagnóstico precoce de doenças silenciosas e potencialmente graves.

 

Na prática, o chamado “check-up” faz parte de uma estratégia mais ampla de rastreamento de doenças e, para ser eficaz, precisa ser feito com critério. Nem toda doença pode ser detectada precocemente, e nem todo exame contribui para isso. Para que o rastreamento funcione, é necessário que a condição tenha um tempo de evolução que permita diagnóstico antecipado e que existam métodos acessíveis e eficazes.

 

Doenças como hipertensão, diabetes e colesterol elevado evoluem, na maioria das vezes, sem sintomas. Ainda assim, aumentam significativamente o risco de infarto e AVC. Estima-se que cerca de metade dos hipertensos e até 40% das pessoas com diabetes não saibam que convivem com a doença.

 

O mesmo ocorre com alguns tipos de câncer com potencial de rastreamento, como os de mama, próstata, pulmão, colo do útero e intestino, que também podem se desenvolver de forma silenciosa. Nesses casos, o diagnóstico precoce faz toda a diferença, reduzindo a necessidade de tratamentos mais agressivos e aumentando as chances de controle ou cura.

 

Por isso, prevenção não significa fazer muitos exames, mas sim fazer os exames certos, no momento adequado e de acordo com o perfil de risco de cada paciente.

 

Entre as avaliações básicas estão a aferição da pressão arterial, exames de glicemia, colesterol e função renal, além de uma boa consulta clínica. Já exames como mamografia, Papanicolau e colonoscopia devem seguir critérios específicos, como idade, histórico familiar e fatores de risco.

 

A frequência das avaliações também deve ser individualizada. Embora a consulta anual possa servir como referência, ela não deve ser automática nem baseada na repetição indiscriminada de exames. Cada paciente deve ser avaliado de forma única, considerando histórico, hábitos de vida e possíveis mudanças no seu perfil de risco.

 

Quando o diagnóstico é feito precocemente, as chances de sucesso no tratamento aumentam significativamente. Em muitos casos, especialmente nas doenças cardiometabólicas, é possível controlar ou até reverter o quadro com mudanças no estilo de vida.

 

Por isso, o cuidado com a saúde deve começar antes do surgimento de qualquer sintoma. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade, atenção à saúde mental e acompanhamento médico contínuo são pilares fundamentais da prevenção.

 

Mais do que reagir à doença, é preciso antecipá-la. Diagnóstico precoce não começa com sintomas, começa com cuidado contínuo.

 

*Rafael Catramby é clínico geral da Hapvida

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Saúde mental no trabalho deixa de ser opcional e passa a ser compromisso legal
Foto: Divulgação

A recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, marca um divisor de águas na forma como as empresas brasileiras devem lidar com a saúde de seus colaboradores. Ao incluir formalmente os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), a norma amplia o olhar sobre o adoecimento ocupacional, reconhecendo que ele não se limita ao corpo, mas envolve também a mente e as emoções.

 

Embora a atualização já esteja em vigor, a obrigatoriedade com possibilidade de fiscalização e autuação passa a valer a partir de 26 de maio de 2026. Até lá, as organizações têm um período de adequação técnica, que exige planejamento, mapeamento de riscos e implementação de estratégias preventivas.

 

Essa mudança não surge por acaso. Nos últimos três anos, o Brasil registrou um aumento de 80% nos afastamentos relacionados à saúde mental, evidenciando um cenário preocupante e, ao mesmo tempo, urgente. Trata-se de um avanço civilizatório, que reconhece que ambientes de trabalho podem adoecer e que isso deve, e pode, ser prevenido.

 

Os chamados riscos psicossociais dizem respeito a fatores presentes no ambiente corporativo que impactam diretamente o bem-estar emocional dos trabalhadores. Metas excessivas, sobrecarga, lideranças abusivas, assédio moral e um clima organizacional hostil não são exceções isoladas, mas, muitas vezes, reflexos de estruturas adoecidas. É fundamental compreender que esses fatores não são fragilidades individuais, e sim questões sistêmicas que precisam ser enfrentadas com responsabilidade.

 

Na prática, a exigência da NR-1 traz uma nova camada de responsabilidade para as empresas. A avaliação psicossocial passa a ser uma ferramenta essencial para identificar setores críticos, padrões de liderança disfuncionais e dinâmicas que favorecem o esgotamento. O Burnout, por exemplo, não surge de forma repentina, ele é resultado de um contexto contínuo de pressão e desequilíbrio.

 

Mais do que cumprir uma exigência legal, as organizações precisarão promover uma verdadeira mudança cultural. Cuidar da saúde mental não pode ser reduzido a campanhas pontuais ou ações isoladas. Trata-se de uma construção contínua, que envolve escuta ativa, revisão de práticas e compromisso com ambientes mais saudáveis.

 

A atualização da NR-1 inaugura, portanto, uma nova fase no mundo corporativo. O cuidado com a saúde mental deixa de ser um diferencial competitivo e passa a ser uma obrigação legal, e, acima de tudo, um imperativo ético.

 

*Livia Drummond é psicóloga (CRP 03/23604) da Clínica Holos.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Não basta não ser machista. É preciso ser antimachista

Por Januário Mourão 

Não basta não ser machista. É preciso ser antimachista
Foto: Ulisses Dumas

Durante muito tempo, bastava aos homens dizerem que “não eram machistas” para se sentirem fora do problema. Como se a ausência de violência explícita fosse suficiente para absolvê-los de uma estrutura que se estrutura, justamente, nas pequenas ações do cotidiano. Mas essa ideia confortável já não se sustenta. Em uma sociedade marcada por desigualdades profundas de gênero, não se posicionar também é uma escolha e, muitas vezes, uma forma de manutenção. É nesse ponto que a discussão precisa avançar: não basta não ser machista...é preciso assumir um papel ativo na transformação. 

 

O combate ao machismo não pode ser visto como uma responsabilidade exclusiva das mulheres, pois são os próprios homens que, historicamente, mais se beneficiaram e reproduziram essas estruturas. Por isso, é fundamental que assumam um papel ativo nessa transformação, reconhecendo seus privilégios, revendo comportamentos e questionando atitudes naturalizadas no dia a dia, desde piadas até formas mais explícitas de violência. Mais do que concordar com a causa, é preciso agir: ouvir, aprender, intervir quando presenciarem situações de machismo e promover relações mais justas e respeitosas. A mudança real só acontece quando os homens deixam de ser parte do problema e passam, de fato, a ser parte da solução.

 

Ao longo da minha trajetória como sexólogo e educador em sexualidade, além de anos de experiência como professor na área da saúde, fui percebendo algo que se repetia constantemente: muitas das dificuldades emocionais e sexuais enfrentadas por homens e mulheres estão profundamente ligadas a uma masculinidade rígida e tóxica, além da cultura patriarcal na qual fomos socializados e que ainda contamina a sociedade. Um exemplo disso é a presença de atitudes machistas vindas de mulheres e até mesmo dentro da comunidade LGBTQIAPN+. Grande parte dos conflitos afetivos nasce da dificuldade masculina de lidar com frustração, vulnerabilidade e limites. Fomos ensinados a não demonstrar fragilidade, a competir o tempo todo e a entender o poder como parte essencial da identidade masculina. O resultado é que muitos homens acabam emocionalmente empobrecidos, incapazes de estabelecer relações mais maduras e equilibradas.

 

Outro ponto que precisa ser enfrentado é a tendência de associar o machismo apenas aos casos extremos de violência. Evidentemente, o feminicídio e as agressões físicas são expressões brutais desse problema. Mas o machismo também vive nas pequenas práticas do cotidiano que muitas vezes passam despercebidas ou são naturalizadas: interromper constantemente a fala de uma mulher, fazer piadas misóginas ou sexistas, evitar dividir tarefas domésticas, resistir a conversas sobre consentimento ou reagir de forma defensiva quando somos confrontados. Enquanto muitos homens acreditarem que não fazem parte do problema apenas porque não são violentos fisicamente, continuaremos presos a uma compreensão superficial do que é o machismo e suas consequências.

 

Foi justamente a partir dessas inquietações que criei o Antimachismo Social Club, um movimento que pretende estimular homens e mulheres a revisarem comportamentos cotidianos e assumirem um compromisso ativo contra o machismo.  Ele nasce com a proposta de romper com o que gosto de chamar de “pacto de silêncio”. Um pacto que existe quando homens preferem ignorar comportamentos problemáticos dentro dos próprios grupos, evitando desconfortos e conflitos. Talvez um dos maiores desafios esteja justamente na dificuldade masculina de suportar o desconforto. Muitos homens confundem crítica estrutural com ataque pessoal. Mas reconhecer privilégios não significa perder espaço. Significa amadurecer socialmente.

 

Outra questão que considero fundamental para essa mudança é que a educação sexual nas escolas e nas famílias seja uma prática natural e consistente. Falar sobre consentimento, respeito, responsabilidade afetiva e comunicação nas relações não é apenas um tema de saúde ou comportamento, é também uma estratégia concreta de prevenção da violência. 


Acredito que podemos criar uma geração de homens mais conscientes com relação a tudo que o machismo e o patriarcado trazem de ruim para a sociedade, para mulheres e para eles mesmos.

 

*Januário Mourão é Mestre e Doutor em Ciências Morfológicas pela UFRJ, e atuou como professor de Anatomia Humana em cursos da área da saúde e como gestor educacional em instituições privadas. É graduado em Fisioterapia e Gestão Financeira, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Especialista em Sexologia e Sexualidade Humana e em Psicanálise Clínica, une ciência, educação e comportamento em sua trajetória profissional. É fundador do projeto “Prazer! Te Conhecer”; do projeto “Antimachista Social Club”; e Diretor Operacional da Gaveta do Pensamento. 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Nova pesquisa sugere que ciência pode regenerar cartilagem do joelho

Por Marcelo Midlej

Nova pesquisa sugere que ciência pode regenerar cartilagem do joelho
Foto: Divulgação

Durante décadas, a medicina aprendeu a conviver com uma limitação incômoda: a cartilagem articular, uma vez lesionada, praticamente não se regenera. Esse entendimento moldou a forma como tratamos milhões de pessoas com dor no joelho — aliviando sintomas, melhorando função, mas raramente mudando o curso da doença.

 

Agora, uma nova linha de pesquisa começa a questionar esse paradigma.

 

Estudos recentes apontam que a inibição de uma enzima específica, envolvida na degradação de prostaglandinas, pode estimular processos naturais de reparo da cartilagem. Em modelos experimentais, o bloqueio dessa via levou ao aumento de sinais biológicos associados à regeneração tecidual, com formação de cartilagem semelhante à original. Não se trata apenas de proteger o que resta, mas de, potencialmente, reconstruir o que foi perdido.

 

A descoberta é instigante por um motivo simples: ela desloca o foco do tratamento. Em vez de intervir apenas no “ambiente mecânico” da articulação — como fazemos com infiltrações, fisioterapia ou cirurgias — passamos a considerar a possibilidade de reprogramar o próprio tecido em nível molecular.

 

Mas é preciso cautela.

 

A história da medicina é repleta de promessas que funcionaram bem em laboratório, mas encontraram obstáculos no mundo real. A articulação humana é um sistema complexo, influenciado por carga, inflamação crônica, idade e fatores metabólicos. Reproduzir em pacientes o que foi observado em modelos experimentais ainda é um desafio significativo.

 

Ainda assim, o valor dessa pesquisa não está apenas na possibilidade imediata de um novo tratamento. Está, sobretudo, na mudança de perspectiva. Pela primeira vez em muito tempo, abre-se uma janela concreta para pensar a osteoartrite não apenas como uma condição degenerativa inevitável, mas como um processo potencialmente modificável.

 

Se essa abordagem se confirmar nos próximos anos, o impacto será profundo. O tratamento da dor articular poderá deixar de ser predominantemente paliativo para se tornar, de fato, regenerativo. E isso não representa apenas um avanço técnico — representa uma mudança na forma como envelhecemos em movimento.

 

A ciência ainda não chegou ao consultório. Mas, talvez, esteja mais perto do que nunca.


*Marcelo Midlej é médico ortopedista

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Março Amarelo alerta para a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças renais
Foto: Divulgação

O Março Amarelo reforça a importância da conscientização sobre as doenças renais e da realização do diagnóstico precoce. No Brasil, mais de 172 mil pessoas dependem de diálise para sobreviver, e a estimativa é de que os casos cresçam 170% até 2032. Além disso, mais de 80% das pessoas com Doença Renal Crônica (DRC) em estágio 3 não sabem que têm a doença, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Muitas vezes silenciosa nos estágios iniciais, a doença pode ser identificada precocemente por meio de exames simples, como a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina.

 

De acordo com a médica nefrologista Manuela Lordelo, os rins desempenham funções vitais para o organismo: filtram o sangue, eliminam toxinas pela urina, controlam a pressão arterial, equilibram sais minerais e ajudam na produção de hormônios. Quando esses órgãos perdem a capacidade de filtrar adequadamente, todo o corpo é impactado. “A doença renal pode evoluir de forma silenciosa. Diabetes e hipertensão são as principais causas, mas infecções urinárias de repetição, uso excessivo de anti-inflamatórios e histórico familiar também são fatores de risco importantes”, explica. Entre as doenças mais comuns estão a doença renal crônica, cálculos renais e infecções urinárias.

 

A especialista conta que a prevenção passa, principalmente, pelo controle rigoroso da pressão arterial e da glicemia, alimentação equilibrada com redução de sal, prática regular de atividade física, hidratação adequada e acompanhamento médico periódico. Segundo Manuela Lordelo, o diagnóstico precoce é determinante para evitar a progressão da doença. “Quando identificamos alterações renais no início, conseguimos intervir com medicação, ajustes no estilo de vida e monitoramento contínuo, retardando ou até impedindo a evolução para estágios mais graves”, destaca Manuela Lordelo.

 

Hemodiálise: o que é e qual sua importância

A hemodiálise é um tratamento indicado quando os rins perdem grande parte de sua função. O procedimento funciona como um “rim artificial”, filtrando o sangue e removendo toxinas e excesso de líquidos do organismo. Embora seja essencial para manter a vida em casos avançados de insuficiência renal, a nefrologista reforça que o objetivo da campanha é justamente evitar que os pacientes cheguem a essa etapa. “A hemodiálise é um recurso fundamental e salva vidas, mas a informação e o cuidado preventivo ainda são as melhores estratégias”, conclui.

 

*Manuela Lordelo é Médica formada pela Faculdade de Medicina de Campos - RJ em 2017. Especialista em Clínica Médica pela Universidade Federal de Viçosa (2018-2020). Especialista em Nefrologia pelo Hospital Ana Nery (2020-2022). Membro do corpo clínico do Hospital Alayde Costa, Hospital Ana Nery, Hospital Geral Roberto Santos e Clínica Senhor do Bonfim.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Mulheres ganham 21% menos e representam 60% dos casos de burnout no país

Por Ana Paula Teixeira

Mulheres ganham 21% menos e representam 60% dos casos de burnout no país
Foto: Divulgação

Com o Brasil registrando recorde de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho desponta como fator de risco para o adoecimento feminino. Diferenças salariais, penalização da maternidade e ausência de políticas voltadas às especificidades biológicas das mulheres estão entre os principais gatilhos.

 

No Brasil, a desigualdade de gênero não é apenas um número no contracheque; é um fator de risco epidemiológico. Segundo dados do IBGE e do DIEESE, mulheres recebem, em média, 21% menos que homens na mesma função. Entre mulheres negras, a diferença pode chegar a 47%.

 

O reflexo aparece nos indicadores de saúde mental. Estudos recentes apontam que mulheres concentram cerca de 60% dos diagnósticos de Síndrome de Burnout. O cenário é resultado da sobrecarga, muitas vezes marcada por jornada tripla e da pressão constante para provar competência em ambientes predominantemente masculinos.

 

Na Bahia, o quadro é ainda mais sensível diante do racismo estrutural. A mulher negra, que ocupa a base da pirâmide produtiva, enfrenta maior precarização e menor rede de apoio. Sob pressão contínua, a saúde física e mental entra em colapso.

 

A dor invisível nas empresas
O adoecimento feminino revela um modelo corporativo que exige produtividade linear de corpos que não funcionam de forma linear. O trabalho não pode ser o lugar onde a vida adoece. Ignorar o impacto emocional e as especificidades femininas compromete a própria sustentabilidade da gestão.

 

Maternidade e biologia ainda são tabus
A penalização da maternidade é outro ponto crítico. Dados da Fundação Getúlio Vargas indicam que 48% das mulheres perdem o emprego até dois anos após o parto. A maternidade, segundo a especialista, ainda é tratada como custo, o que leva muitas profissionais a silenciarem dores e necessidades por medo de demissão. Muitas mulheres ainda têm receio de engravidar, adiam ou cancelam o sonho de ser mãe para privilegiar a carreira.

 

Além disso, questões como período menstrual seguem fora das políticas corporativas. A ausência de flexibilidade ignora que a saúde feminina envolve ciclos e flutuações hormonais. Não se trata de privilégio, mas de garantir produtividade sustentável.

 

Mudança estrutural
Especialistas defendem que enfrentar o problema exige revisão estrutural nas organizações. Entre as medidas apontadas estão auditorias salariais com recorte de raça e gênero, programas de acolhimento no pré e pós-parto, políticas de flexibilidade para períodos de maior vulnerabilidade física e ações efetivas de combate ao racismo corporativo.

 

O sofrimento no trabalho não pode ser naturalizado. Acolher as especificidades femininas não é benefício; é estratégia de sobrevivência econômica e humanitária. Além disso, é importante destacar que o acolhimento feminino só é possível com uma liderança que consiga unir performance e competências socioemocionais.

 

*Ana Paula Teixeira (CRMBa 12797 / RQE 7237) é médica do trabalho, especialista em Saúde e Bem-Estar, consultora empresarial e autora do livro Quando o Trabalho Dói.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Esgotamento feminino: quando dar conta de tudo deixa de ser força e passa a ser sobrecarga
Foto: Divulgação

A sensação constante de cansaço, sobrecarga e exaustão emocional tem se tornado cada vez mais presente na vida de muitas mulheres, inclusive daquelas que, à primeira vista, parecem dar conta de todas as demandas. Entre trabalho, responsabilidades domésticas, relações pessoais, autocuidado e a cobrança contínua por desempenho, forma-se um cenário propício ao esgotamento silencioso.

 

Esse fenômeno vai além de uma rotina intensa ou exaustiva. Um dos seus principais fatores está na repetição de padrões familiares e culturais que são internalizados desde cedo. Muitas mulheres aprendem, de maneira direta ou sutil, a ocupar o papel de quem cuida, acolhe e sustenta o outro, frequentemente deixando suas próprias necessidades em segundo plano. Com o tempo, esse comportamento deixa de ser uma escolha consciente e passa a operar como uma exigência interna automática.

 

Existe uma construção cultural muito forte da mulher que prioriza o outro e só olha para si se “sobrar tempo”. Esse movimento não nasce apenas das demandas atuais, mas de aprendizados emocionais antigos, muitas vezes herdados da própria dinâmica familiar e ancestral. Nesse contexto, abordagens terapêuticas que integram a psicologia científica e a psicologia profunda tornam-se fundamentais. Enquanto a psicologia baseada em evidências oferece uma compreensão estruturada sobre comportamento, emoções e funcionamento mental, a psicologia profunda permite acessar camadas mais inconscientes, como padrões repetitivos, conflitos internos e marcas emocionais que não são imediatamente visíveis.

 

Não basta apenas entender o que está acontecendo no presente. É preciso acessar a origem desses padrões, dar significado às experiências e integrar emocionalmente essas vivências. É nesse ponto que o processo terapêutico se torna mais efetivo e transformador. A partir dessa integração, torna-se possível reconhecer limites, ressignificar o lugar ocupado nas relações e construir formas mais saudáveis de se posicionar , sem a culpa e a sobrecarga que, por tanto tempo, pareceram inevitáveis.

 

Se você não precisasse dar conta de tudo para ser valorizada, quem você seria?

 

*Ajurymar Santtos é Psicóloga e PhD Internacional em Psicologia Clínica e da Saúde
 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Dor crônica e saúde mental: as dificuldades de romper um ciclo

Por Lúcio Gusmão

Dor crônica e saúde mental: as dificuldades de romper um ciclo
Foto: Divulgação

A dor crônica vai muito além de um sintoma físico persistente. Cada vez mais, a ciência tem demonstrado que ela está conectada à saúde mental, formando um ciclo de retroalimentação que impacta a qualidade de vida e a autoestima dos pacientes. Um estudo global publicado em 2025 na JAMA Network Open, conduzido por pesquisadores da Johns Hopkins Medicine, aponta que cerca de 40% dos adultos com dor crônica apresentam sintomas clinicamente relevantes de depressão ou ansiedade. 

 

Os dados apontaram que 37% dos pacientes convivem com transtorno depressivo maior e 17% com transtorno de ansiedade generalizada, No Brasil, a dor crônica afeta aproximadamente 37% da população com mais de 50 anos, segundo o Ministério da Saúde.  

 

Na prática clínica, é evidente que a dor persistente tende a gerar frustração, isolamento social e sentimentos de desesperança, o que aumenta o risco de adoecimento psíquico. Por outro lado, ansiedade, estresse e depressão amplificam a percepção da dor, tornando-a mais difícil de controlar e deixando o organismo em um estado inflamatório constante. 

 

É comum que o paciente chegue ao consultório focado exclusivamente no alívio imediato da dor local, e isso é compreensível dado imensa estafa gerada pela própria condição. A experiência clínica, no entanto, mostra que abordagens integradas, que incluem acompanhamento psicológico e, por vezes, psiquiátrico, aumentam a adesão do paciente ao tratamento e melhoram os resultados. 

 

Um estudo publicado em 2024 no Journal of Clinical Psychology aprontou que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) pode reduzir sintomas de depressão em cerca de 25% e diminuir a intensidade da dor em até 15% em pacientes com dor crônica. Os médicos e psicólogos trabalham para combater o fenômeno da “catastrofização da dor”, estado em que o paciente passa a acreditar que seu sofrimento é permanente e sem solução. É um trabalho conjunto para que os pacientes possam reestruturar padrões de pensamento e abrir espaço para estratégias mais saudáveis de convivência com as próprias adversidades físicas. 

 

A escuta ativa é fundamental nesse processo, sobretudo diante da dificuldade de identificação da dor crônica em exames. Uma avaliação abrangente, que considere o histórico clínico, familiar e emocional, permite um cuidado mais assertivo e individualizado. Sem esse olhar ampliado, cresce o risco de uso prolongado de medicamentos, pois na falta de suporte adequado, a automedicação se torna uma dependência do paciente para aliviar o próprio sofrimento emocional. 

 

Romper o ciclo entre dor e sofrimento mental depende de uma relação de confiança entre paciente e os profissionais de saúde, pois, para um bom resultado, o paciente permanece no tratamento para além das horas marcadas na clínica. Ele deve ser estimulado a implementar estratégias de regulação do sono, buscar atividades de lazer e ajustar a rotina. Dessa forma, tratamento deixa de ser episódico e passa a produzir efeitos mais consistentes para a vida inteira.  

 

*Lúcio Gusmão é Sócio fundador do Centro Avançado da Dor e Especialidade (Rede CADE) é médico ortopedista especialista em dor crônica e em Medicina Regenerativa. Dr. Lúcio foi o presidente do primeiro congresso do comitê de dor da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e atualmente faz parte da diretoria.  (CRM: 16363 /  RQE: 8673)

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Um quarto da população mundial já teve contato com a bactéria da tuberculose
Foto: Divulgação

O mês de março traz um importante alerta para a saúde pública global: o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado em 24 de março. A data reforça a necessidade de ampliar a conscientização, estimular o diagnóstico precoce e garantir acesso oportuno ao tratamento de uma doença que, apesar de conhecida há séculos, ainda representa um desafio significativo em todo o mundo.

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um quarto da população mundial já teve contato com o Mycobacterium tuberculosis, bactéria causadora da tuberculose. Na maioria dos casos, a infecção permanece latente, ou seja, sem manifestação de sintomas. No entanto, a possibilidade de progressão para a forma ativa mantém a doença como um relevante problema de saúde pública.

 

No Brasil, esse cenário se reflete em números expressivos. O país registra mais de 85 mil novos casos por ano, segundo o Ministério da Saúde, o que impacta diretamente os serviços de saúde e a qualidade de vida da população. Um dos principais entraves para o controle da doença ainda é o diagnóstico tardio, que contribui tanto para a continuidade da cadeia de transmissão quanto para o aumento do risco de complicações respiratórias.

 

A tuberculose pulmonar é caracterizada por um processo inflamatório que pode levar à destruição do tecido pulmonar e à perda progressiva da função respiratória. Quando não identificada precocemente, pode resultar em sequelas permanentes e comprometimento significativo da capacidade pulmonar.

 

Do ponto de vista clínico, a tosse persistente por três semanas ou mais continua sendo o principal sinal de alerta. Outros sintomas, como febre baixa, sudorese noturna, perda de peso, produção de secreção — por vezes com presença de sangue — e falta de ar, também devem ser considerados e investigados.

 

Ainda assim, a doença segue cercada por estigmas que dificultam sua identificação e abordagem. Existe uma percepção equivocada de que a tuberculose está restrita a grupos específicos, quando, na realidade, pode acometer indivíduos de diferentes perfis. O fator determinante está relacionado à exposição à forma ativa da doença e à resposta imunológica de cada pessoa.

 

Alguns grupos, no entanto, apresentam maior vulnerabilidade, como pessoas em situação de fragilidade social, indivíduos privados de liberdade e pessoas vivendo com HIV. Além disso, condições que comprometem o sistema imunológico — como diabetes, desnutrição ou uso de medicamentos imunossupressores — também aumentam o risco de adoecimento.

 

Mesmo após o tratamento e a cura bacteriológica, a tuberculose pode deixar sequelas estruturais importantes. Entre elas estão a fibrose pulmonar e as bronquiectasias, que podem gerar sintomas persistentes e aumentar a predisposição a infecções respiratórias recorrentes.

 

Felizmente, os avanços tecnológicos têm contribuído para uma abordagem mais eficiente da doença. A tomografia computadorizada de tórax, por exemplo, ampliou a capacidade de identificação de alterações sugestivas, especialmente em casos mais complexos. Já os testes moleculares rápidos representam um marco na prática clínica, permitindo a detecção do material genético da bactéria em poucas horas, além de identificar precocemente possíveis resistências aos medicamentos.

 

Apesar dessas inovações, o principal desafio permanece sendo clínico e assistencial: reconhecer os sinais precocemente e garantir que o paciente tenha acesso rápido aos serviços de saúde.

 

A tuberculose tem cura, mas o sucesso no seu controle depende de uma combinação essencial: informação de qualidade, vigilância dos sintomas, diagnóstico ágil e adesão adequada ao tratamento. Ampliar a conscientização e reduzir o estigma são passos fundamentais para enfrentar a doença de forma mais eficaz e diminuir seus impactos a longo prazo.

 

*Juliana Matos é pneumologista e integra o Centro Integrado do Tórax (CRM 26334 / RQE 18996)

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Novo Relatório Mundial da Felicidade 2026 é divulgado e revela um paradoxo brasileiro
Foto: Divulgação

No mesmo dia em que o mundo celebra o Dia Internacional da Felicidade, foi divulgado o World Happiness Report 2026, principal estudo global sobre bem-estar, produzido por instituições como a Universidade de Oxford, Gallup e a ONU. Não se trata de opinião. Trata-se de dados consistentes sobre como as pessoas, em diferentes países, avaliam suas próprias vidas.

 

E, ainda assim, toda vez que esse relatório sai, eu me faço a mesma pergunta: será que esses números traduzem o que, de fato, estamos vivendo?

 

O Brasil aparece na 32ª posição. Há uma recuperação recente, é fato. Mas o dado, isoladamente, não conta a história inteira. E é exatamente aqui que mora a interpretação.

 

O relatório mede algo chamado avaliação de vida. As pessoas respondem, em uma escala de zero a dez, o quanto consideram sua vida boa. E essa resposta é explicada por seis fatores principais: renda, saúde, suporte social, liberdade de escolha, generosidade e percepção de corrupção.

 

Sim, a percepção de corrupção é um dos critérios usados para explicar por que alguns países são mais felizes do que outros. E aqui eu faço uma pausa importante, porque não estamos falando apenas de corrupção concreta, aquela que vira manchete, mas sim do que as pessoas sentem sobre o ambiente em que vivem: se acreditam que as regras são justas, se confiam nas decisões, se sentem que o jogo é limpo.

 

Na prática, no meu trabalho com líderes e organizações, eu vejo isso o tempo todo. Não é o fato isolado que mais impacta as pessoas. É a sensação de incoerência. É quando o discurso não bate com a prática e o mérito parece não valer. Isso desgasta. E desgasta muito.

 

Os países que lideram o ranking, como Finlândia, Islândia e Dinamarca, têm algo em comum que vai além da renda. Existe confiança, previsibilidade, uma percepção de justiça que organiza a vida.

 

O Brasil, por outro lado, vive um cenário de desgaste institucional evidente. Isso não é novidade para ninguém. O que chama atenção é que, mesmo assim, não estamos entre os países com pior avaliação de vida. E isso diz muito sobre quem somos.

 

O que sustenta o Brasil, olhando para os dados e para a vida real, não é a estrutura. São as relações. É o vínculo. É a capacidade de criar proximidade, apoio, conexão, mesmo quando o entorno não colabora.

 

Eu vejo isso com muita clareza: em empresas, em grupos, em comunidades. Quando a estrutura falha, as pessoas tentam compensar no relacionamento. E, por um tempo, isso funciona, mas eu também vejo o outro lado.

 

Resiliência cansa. E talvez esse seja o ponto que mais me chama atenção neste relatório. O Brasil não está bem estruturado, está adaptado. E adaptação, por melhor que seja, não sustenta crescimento por muito tempo. Sustenta sobrevivência.

 

A percepção de corrupção entra exatamente aqui como um fator silencioso. Ela não aparece no dia a dia de forma explícita, mas influencia decisões, reduz a confiança, aumenta o cansaço emocional. É como um ruído de fundo constante, e isso não acontece só no campo público.

 

Dentro das organizações, quando há favoritismo, decisões pouco claras e incoerência de liderança, o efeito é o mesmo. As pessoas se retraem, perdem energia e passam a fazer o mínimo necessário. A felicidade no trabalho, que é onde eu atuo há anos, não resiste a ambientes percebidos como injustos. Ela pode até aparecer, pontualmente, mas não se sustenta.

 

O relatório de 2026 também reforça outro ponto que tenho observado com frequência: o impacto das redes sociais, especialmente entre os mais jovens. Não é a tecnologia em si, é o uso. Quando vira comparação constante, o efeito é negativo. Quando vira conexão real, o efeito muda.

 

Mais uma vez, não é sobre ferramenta. É sobre contexto e uso.

 

No fim, o que esse relatório me confirma não é algo novo, mas algo que precisa ser dito com mais clareza. O Brasil tem um ativo poderoso: sabe se conectar, criar vínculos, sustentar relações. Mas ainda não transformou isso em sistema.

 

Ainda operamos muito no “apesar de”: apesar da instabilidade, apesar da desconfiança, apesar da percepção de injustiça. E viver “apesar de” não é o mesmo que viver “a partir de”.

 

Se há uma provocação que eu deixo, neste Dia Internacional da Felicidade, é esta: não basta que a gente consiga manter algum nível de bem-estar mesmo quando tudo oscila.

 

A pergunta que fica é outra: quando é que vamos construir um ambiente em que não seja preciso se adaptar o tempo todo para viver bem?

 

Porque a felicidade sustentada não vem do esforço constante de compensar o que falta. Ela vem da coerência entre o que se vive e o que se espera.

 

*Sandra Teschner é especialista em ciência da felicidade, fundadora do Instituto Happiness do Brasil, capacitando centenas de profissionais na área de bem-estar corporativo. Autora de diversas obras sobre o tema, palestrante e feliz praticante.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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