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Hepatologista explica relação entre canetas emagrecedoras e pancreatite e critica uso sem orientação

Hepatologista explica relação entre canetas emagrecedoras e pancreatite e critica uso sem orientação
Fotos: Bahia Notícias
O hepatologista Raymundo Paraná criticou médicos sem qualificação profissional por prescreverem canetas emagrecedoras sem indicação clínica e sem informar de forma clara os riscos envolvidos no uso da substância. O alerta foi feito durante a participação do especialista no podcast Saúde 360°, que vai ao ar quinzenalmente, às terças-feiras, no canal do Youtube do Bahia Notícias.

Vida em Equilíbrio: Exaustão emocional e burnout - o impacto da mente acelerada e como o mindfulness pode ajudar

Vida em Equilíbrio: Exaustão emocional e burnout - o impacto da mente acelerada e como o mindfulness pode ajudar
Foto: Bahia Notícias
A mente acelerada, o excesso de estímulos e as cobranças constantes têm levado cada vez mais pessoas à exaustão emocional. O que antes era visto como “fase de estresse” hoje se revela como um problema mais profundo, que afeta diretamente a saúde mental, o foco e a produtividade no trabalho e na vida pessoal.

Vida em Equilíbrio debate alimentação com Consciência com Dr. Cesar Barreto

Vida em Equilíbrio debate alimentação com Consciência com Dr. Cesar Barreto
Foto: Bahia Notícias
Em um cenário em que o ritmo acelerado da Dr. Cesar Augusto Barreto moderna tem impactado diretamente a forma como nos alimentamos e cuidamos da saúde, refletir sobre escolhas conscientes torna-se cada vez mais necessário. A alimentação deixou de ser apenas um ato biológico e passou a influenciar profundamente o equilíbrio físico, mental e emocional das pessoas.

Artigos

Com dias mais longos e altas temperaturas, o calor intenso acende alerta para riscos à saúde da pele
Foto: Israel Alves

Ah, o verão! Dias mais longos, altas temperaturas e calçadões lotados de banhistas parecem um convite irrecusável para aproveitar cada raio de sol. Quem passeia pelo Rio, Salvador ou Natal sabe bem do que estou falando: o calor intenso é o pano de fundo ‘perfeito’ para a temporada turística mais vibrante do país.

 

Mas, se há algo que a experiência médica me ensina, é que nem tudo que brilha é inofensivo. A exposição prolongada ao sol, combinada com as ondas de calor cada vez mais frequentes em várias regiões do Brasil, exige atenção. Quem for curtir com a família, deve se atentar aos cuidados com a pele e os riscos dermatológicos –  mais frequentes nesta época do ano.

 

Alerta é o que não falta. A exposição à radiação ultravioleta, especialmente durante o verão, pode provocar queimaduras superficiais, fotoenvelhecimento precoce, manchas irregulares e aumento do risco de câncer cutâneo. Embora pareça um cenário inofensivo, com praias lotadas e crianças brincando, a radiação UV segue comprometendo a barreira de proteção natural, afetando o colágeno e a elastina.

 

Esses efeitos alarmantes não são apenas estéticos. A Inflamação crônica, causada pela radiação, pode desencadear algumas alterações no sistema imunológico da pele, tornando-a mais vulnerável a infecções e irritações. Cada exposição intensa (sem proteção) aumenta a probabilidade de complicações sérias, o que torna a prevenção diária indispensável.

 

Segundo a base de dados da World Health Organization (WHO), a vulnerabilidade ao calor é influenciada por diversos fatores fisiológicos, como idade e estado de saúde, somados à exposição solar. Por isso, nesta estação, o recomendado é o uso diário de protetor solar com FPS adequado, reaplicado a cada duas horas; hidratação constante com cremes específicos que auxiliam na reposição da barreira cutânea; uso de chapéus, óculos escuros e roupas leves que protegem do sol direto; e preferência por horários de exposição fora do pico de radiação, entre 10h e 16h.

 

A prevenção diária, combinada a escolhas conscientes de lifestyle, é o segredo para atravessar o verão com segurança e saúde. Pequenos hábitos, como ajustar horários de exposição, priorizar hidratação interna e externa, e investir em cuidados consistentes com a pele, fazem toda a diferença a longo prazo. O verão é intenso, mas com atenção e disciplina, é possível aproveitar a estação sem comprometer a saúde da pele e o bem-estar geral.

 

*Octávio Guarçoni é médico dermatologista [CRM/BA 16084], atuante em medicina estética e especialista em saúde metabólica

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Protagonismo feminino na saúde exige prevenção contínua e mudança de mentalidade

Por Anna Paola Noya Gatto

Protagonismo feminino na saúde exige prevenção contínua e mudança de mentalidade

Março é um mês simbólico. No Mês da Mulher, ampliamos discussões sobre direitos, equidade e protagonismo. Na saúde, esse protagonismo passa, necessariamente, pela prevenção, pelo diagnóstico precoce e pelo acesso à informação de qualidade. Ao longo de mais de três décadas dedicadas à mastologia, acompanhei de perto a transformação da medicina voltada ao público feminino, e também os desafios que ainda persistem.

 

Quando iniciei minha trajetória, no início da década de 1990, a presença feminina na medicina especializada ainda era menor, e falar abertamente sobre câncer de mama, menopausa ou saúde hormonal era um tabu. A mamografia começava a se consolidar como ferramenta essencial de rastreamento, mas o acesso era limitado e a cultura preventiva ainda engatinhava.

 

Hoje sabemos, com base em evidências científicas e nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Mastologia, que o diagnóstico precoce é determinante para aumentar as chances de cura do câncer de mama. Tumores identificados em fases iniciais permitem tratamentos menos agressivos e com melhores resultados. Ainda assim, muitas mulheres deixam de realizar exames regularmente, seja por medo, desinformação ou dificuldade de acesso aos serviços de saúde.

 

Outro ponto que merece atenção é a tendência crescente de informações distorcidas nas redes sociais. Notícias falsas têm desencorajado a realização de mamografias e confundido pacientes sobre riscos e benefícios dos exames. Informação é ferramenta de cuidado. Sem ela, perdemos tempo precioso na prevenção.

 

Ao longo dos anos, também observei uma mudança importante na forma como entendemos a saúde feminina. Não é possível tratar a mulher de maneira fragmentada. Aspectos hormonais, metabólicos, emocionais e sociais estão interligados. A transição para a menopausa, por exemplo, ainda é cercada por preconceitos e interpretações equivocadas. Sintomas são muitas vezes minimizados ou atribuídos apenas ao envelhecimento, quando poderiam ser avaliados com mais atenção e cuidado.

 

A prevenção precisa ser contínua e adaptada a cada fase da vida. Mulheres jovens devem estar atentas ao autoconhecimento corporal e às orientações médicas adequadas para sua faixa etária. Na fase adulta, o acompanhamento anual torna-se fundamental para monitorar alterações mamárias, saúde ginecológica e fatores de risco cardiovascular. Já na maturidade, o olhar deve ser ampliado para questões hormonais, ósseas e metabólicas.

 

Protagonismo feminino na saúde significa participação ativa nas decisões médicas. Significa fazer perguntas, buscar segunda opinião quando necessário, compreender resultados de exames e não silenciar sintomas. A mulher não deve ocupar um papel passivo diante do próprio cuidado.

 

Também é essencial discutir políticas públicas que garantam acesso universal ao rastreamento e ao diagnóstico precoce. A desigualdade regional ainda impacta diretamente os índices de mortalidade por câncer de mama no Brasil. Investir em prevenção não é apenas uma escolha individual, é uma responsabilidade coletiva.

 

Após mais de 35 anos de atuação, sigo convencida de que o maior avanço da medicina feminina não está apenas na tecnologia, mas na consciência. Quando a mulher compreende seu corpo e assume o protagonismo de suas escolhas, ela transforma sua própria trajetória de saúde.

 

No Mês da Mulher, meu convite é simples e direto: não adie seus exames, não minimize seus sintomas e não aceite a desinformação como resposta. Prevenção é cuidado contínuo. E cuidar de si mesma é um ato de força, autonomia e responsabilidade.

 

*Anna Paola Noya Gatto é Mastologista e CEO da Clínica da Mulher

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Obesidade em mulheres negras: quando a desigualdade também adoece o corpo

O Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, amplia o debate sobre uma condição crônica de saúde que cresce de forma expressiva no Brasil. No entanto, discutir obesidade exige ir além da dimensão individual e compreender os determinantes sociais que atravessam esse cenário — especialmente quando falamos de mulheres negras.

 

Dados recentes do Governo Federal mostram que “as mulheres negras com mais de um salário mínimo apresentaram maior prevalência de excesso de peso (59,2%), se comparadas às mulheres brancas com mesma renda.” O dado revela que a desigualdade não se explica apenas pela condição econômica. Mesmo com renda semelhante, o impacto não é o mesmo. A obesidade é reconhecida como uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, associada a maior risco de hipertensão, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Entretanto, sua distribuição na população não é homogênea, pois está profundamente relacionada aos determinantes sociais da saúde.

 

Mulheres negras estão mais expostas à insegurança alimentar, vivem majoritariamente em territórios com menor acesso a alimentos in natura e equipamentos públicos de promoção da saúde e enfrentam jornadas de trabalho frequentemente duplas ou triplas. Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN) mostram que cerca de 20% das famílias chefiadas por pessoas negras enfrentam situação de fome no Brasil, percentual quase duas vezes maior que o observado entre famílias chefiadas por pessoas brancas. Quando se observa o recorte de gênero, a vulnerabilidade se intensifica entre mulheres negras chefes de família. A insegurança alimentar não significa apenas ausência de comida, mas acesso restrito a alimentos de qualidade, o que impacta diretamente padrões alimentares e riscos metabólicos.

 

Soma-se a isso o estresse crônico relacionado ao racismo estrutural. Uma pesquisa publicada em 2024 na revista científica Public Health Nutrition, conduzida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com 400 adultos em Porto Alegre, encontrou associação direta entre experiências de discriminação racial e obesidade, inclusive obesidade abdominal, independentemente do padrão alimentar. Embora o estudo inclua homens e mulheres, seus achados ajudam a compreender como o racismo atua como fator de estresse crônico capaz de impactar mecanismos hormonais e metabólicos — realidade que atravessa de maneira intensa a vivência das mulheres negras brasileiras.

 

Diante desse cenário, o cuidado em saúde precisa ser interseccional. A intelectual feminista negra brasileira Carla Akotirene define interseccionalidade como a compreensão de que opressões como racismo, sexismo e desigualdade de classe atuam de forma articulada. No campo da saúde, isso significa reconhecer que mulheres negras não vivenciam apenas uma condição clínica, mas um conjunto de vulnerabilidades estruturais que impactam seu processo de adoecimento e cuidado.

 

Falar de obesidade em mulheres negras não é individualizar responsabilidades, mas reconhecer que o enfrentamento exige políticas públicas intersetoriais, garantia de segurança alimentar, acesso a alimentos de qualidade e combate ao racismo institucional na saúde.

 

Obesidade não é falha moral. É uma condição de saúde complexa. Mas também é reflexo das condições em que se vive. Neste Dia Mundial da Obesidade, mais do que discutir peso corporal, é urgente defender equidade no acesso ao cuidado e reconhecer que alguns corpos carregam, além de tecido adiposo, as marcas de desigualdades históricas.

 

Cuidar exige ciência. Mas também exige justiça social.

 

*Rafa Bastos é nutricionista clínico com ênfase em alimentação e cultura; o especialista faz parte do time da Baobá Saúde 

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Por que controlar custos não basta para sustentar a saúde suplementar

Por André Machado Júnior

Por que controlar custos não basta para sustentar a saúde suplementar
Foto: Divulgação

Falar em controle de custos virou um assunto automático na saúde suplementar. Sempre que a conta aperta, o discurso aparece. Como o recurso financeiro é finito, essa discussão, que envolve sustentabilidade do setor de saúde, tem sido pauta frequente no mercado. O ponto de atenção é como atuar em todas as possibilidades, resguardando sempre as questões que envolvem qualidade assistencial, acesso e eficiência operacional. Se não atuarmos nas três frentes, tendemos a não evoluir na velocidade que é necessária.

 

Depois de mais de duas décadas atuando na gestão da saúde, posso afirmar: o sistema não ficou caro apenas pelo fato do paciente usar demais. Ficou caro porque o cuidado é desorganizado, tardio, mal coordenado e com ausência de integração tecnológica.

 

Experiências da Maida trazem alguns dados que nos apoiam a olhar para este tema. Em 2025, regulamos mais de 100 milhões de solicitações de atendimento em saúde em todo o Brasil, realizamos mais de 120 mil visitas a pacientes internados e auditamos mais de R$7 bilhões em faturamento hospitalar. Esse volume nos dá uma visão privilegiada do que realmente pressiona os custos. Não são, em sua maioria, decisões clínicas complexas. São internações que se prolongam por ausência de cuidado prévio, falhas de comunicação entre equipes, ausência de acompanhamento contínuo, ausência de integração dos prontuários eletrônicos, ausência de cuidado baseado nas condições de saúde e processos que não conversam entre si.

 

O debate costuma cair em uma armadilha perigosa: ou se corta gasto, ou se preserva o cuidado. Isso só ocorre quando não é estimulado o cuidado continuado, a longo prazo e com integrações e protocolos bem definidos. Por isso precisamos focar na transformação digital, empoderamento e estímulo ao autocuidado e numa melhor eficiência assistencial, afinal eficiência assistencial não tem a ver com restringir acesso, mas com garantir que o paciente receba o cuidado adequado, no tempo correto e no ambiente certo. Quando isso não acontece, o sistema paga duas vezes — financeiramente e no desgaste da saúde das pessoas.

 

Esse desgaste aparece claramente no adoecimento e na experiência do usuário. Isso é refletido nas judicializações e conflitos que têm crescido na saúde suplementar e até mesmo na saúde pública.

 

Precisamos mudar esse cenário, investir numa jornada integrada de cuidado e na organização dos processos, programas de cuidado e protocolos, bem como na transformação digital da saúde. A tecnologia tende a apoiar totalmente nisso, mas precisamos lembrar que a transformação digital de verdade não é empilhar ferramentas, é mudar a forma de trabalhar. É integrar dados, processos e pessoas para que decisões sejam tomadas antes que o problema vire crise. Quando a tecnologia entra na rotina da regulação, da auditoria e do acompanhamento clínico, ela deixa de ser promessa e vira resultado.

 

O legado de 2025 deixa uma lição clara. A saúde suplementar não vai se sustentar fazendo as mesmas coisas que tem feito no decorrer do tempo. Precisamos organizar o cuidado, olhar para longo prazo e parar de apagar incêndios. Esse será, com toda a certeza, o diferencial dos negócios envolvidos neste setor.

 

*André Machado Júnior é CEO da Maida Health, healthtech ligada ao ecossistema MV

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Calor eleva em 30% risco de cálculos renais: saiba como se proteger no Verão
Foto: Divulgação

O Verão chegou com tudo em Salvador. As altas temperaturas podem prejudicar a saúde dos rins, pois o calor pode interferir na hidratação, devido ao excesso de transpiração. A ingestão de líquidos é uma prioridade, sobretudo porque existe um crescimento de cerca de 30% nos casos de cálculos renais, principalmente pela maior perda hídrica, através do suor, sem a reposição adequada.

 

A água ajuda a regular a temperatura corporal e é essencial para o pleno funcionamento dos rins, responsáveis por filtrar as toxinas do sangue. Não havendo isso, a desidratação pode sobrecarregar os órgãos e prejudicar sua função. De um modo geral, a quantidade de água que um adulto deve beber por dia é de cerca de 2 a 2,5 litros. Essa quantidade não é uma regra, mas a base é 30 a 35 ml de água por quilo, multiplicando o peso por esse valor para ter uma estimativa (ex: 70kg x 30ml = 2,1L). Vale ressaltar que é importante sempre observar a cor da urina (amarelo claro/transparente indica boa hidratação) e jamais esperar sentir sede para ingerir água.

 

Outra orientação é fazer escolhas inteligentes. Optar por comidas mais saudáveis, como frutas frescas e líquidas (melancia, melão, mamão etc), vegetais e proteínas magras, não apenas agrada ao paladar, mas também contribui para a saúde renal. A prática de atividade física promove a circulação sanguínea adequada, essencial para o bom funcionamento dos rins, sem falar na necessidade de manter consultas médicas regulares. Caso já exista alguma condição renal, os cuidados devem ser redobrados.

 

É importante fazer ressalvas com relação ao consumo de bebidas alcoólicas no Verão. O álcool, apesar de líquido, tem um efeito diurético. Isso significa que ele aumenta a produção de urina, podendo levar à desidratação, o que é especialmente perigoso em dias quentes. O seu consumo em excesso pode sobrecarregar o fígado e os próprios rins a longo prazo. Em resumo, durante períodos de calor intenso, é fundamental priorizar a ingestão de água em abundância e limitar ou evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

 

*Manuela Lordelo é Médica formada pela Faculdade de Medicina de Campos - RJ em 2017. Especialista em Clínica Médica pela Universidade Federal de Viçosa (2018-2020) e Especialista em Nefrologia pelo Hospital Ana Nery (2020-2022). Também é membro do corpo clínico do Hospital Alayde Costa, Hospital Ana Nery e Clínica Senhor do Bonfim. | CRM: 35482 - BA | RQE: 21849

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Precarização, demissões e silêncio do SINDIMED: o retrato atual da medicina baiana

Por Ex-presidentes do Sindmed

Precarização, demissões e silêncio do SINDIMED: o retrato atual da medicina baiana
Foto: Divulgação

A medicina baiana atravessa um dos períodos mais graves de sua história. Demissões coletivas, contratos instáveis, atrasos sistemáticos de pagamento e a completa ausência de garantias trabalhistas passaram a compor o cotidiano de médicos e médicas em todo o estado. O que antes era percebido como exceção, restrita a determinadas unidades ou regiões, hoje se consolidou como regra, atingindo profissionais de todas as especialidades, idades e tempos de carreira. Nós, médicos e médicas, nos perguntamos: por que isso acontece agora? onde falhamos?

 

É simbólico e profundamente contraditório que isso ocorra justamente na Bahia, berço da primeira Faculdade de Medicina do Brasil, fundada em 1808, e de um dos mais antigos sindicatos dos médicos (SINDIMED), fundado em 1934. O estado que ajudou a estruturar a medicina no Brasil agora forma profissionais que ingressam em um mercado de precarização extrema, sem que a principal entidade de representação da categoria exerça o papel que historicamente lhe coube.

 

A crise não surgiu de forma abrupta. O cenário atual é resultado de um processo lento e cumulativo, impulsionado pela flexibilização das leis trabalhistas e por decisões administrativas reiteradas que passaram a tratar o médico não mais como carreira estratégica e de Estado, mas como um prestador de serviço indiferenciado. 

 

A Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017) aprofundou esse processo ao permitir que atividades-fim fossem amplamente terceirizadas. Na prática, abriu-se caminho para a chamada “pejotização”, modelo em que vínculos celetistas são substituídos por contratos via pessoa jurídica, com o objetivo explícito de reduzir custos, eliminar direitos trabalhistas e transferir todos os riscos ao profissional.

 

Os efeitos sobre a medicina são evidentes e alarmantes. Dados da Demografia Médica no Brasil 2025 demonstram que, em nível nacional, a proporção de médicos com vínculo formal caiu de 56% para 36% em apenas uma década. No setor público, os vínculos estatutários despencaram de 40,4% para 16,9% entre 2012 e 2023. A Bahia é um dos exemplos mais notáveis dessa tendência: o último concurso público amplo para médicos no estado ocorreu em 2008. São quase duas décadas sem reposição estruturada de quadros, o que não é fruto do acaso, mas de uma decisão política clara, ainda que muitas vezes não assumida.

 

Trabalhar como pessoa jurídica tornou-se, na prática, a única alternativa para grande parte dos médicos baianos. Férias, 13º salário, licença remunerada e contribuição previdenciária regular deixaram de existir, sem que isso se traduzisse em autonomia real. Ao contrário: médicos seguem submetidos a jornadas rígidas, metas e exigências típicas do regime celetista, mas sem qualquer amparo legal. O resultado é um modelo que fragiliza o profissional e compromete a própria organização dos serviços de saúde, onde equipes inteiras podem ser desmontadas de um dia para o outro.

 

Esse quadro se agrava de forma decisiva pelo enfraquecimento institucional do SINDIMED. Uma entidade que já foi protagonista de conquistas históricas, como o Concurso Público Estadual, de 2008, reconhecimento da Gratificação do Incentivo ao Desempenho (GID), em 2009 e o Plano de Cargos Salários e Vencimentos (PCCV) de 2013, hoje atravessa uma profunda crise de confiança com a categoria. A atual gestão tem adotado uma postura sistematicamente conciliatória com gestores e alinhada aos interesses patronais, priorizando acordos de bastidores e a contenção de mobilizações, mesmo diante de violações reiteradas de direitos. Na prática, isso resultou na ausência de greves, assembleias deliberativas e tensionamentos públicos, instrumentos historicamente centrais da ação sindical.

 

Chama atenção, ainda, a discrepância entre a realidade financeira enfrentada pela maioria dos médicos, e a estrutura de remuneração da alta direção sindical, mantida mesmo em um contexto de retração de serviços, fechamento de sedes regionais e perda de capacidade de atendimento à base. Segundo dados constantes em documentos públicos do próprio sindicato, a estrutura remuneratória aprovada para 2026 será de R$919.800 para diretores e R$1.399.056 para serviços jurídicos.

 

Enquanto ex-presidentes do Sindicato dos Médicos da Bahia, afirmamos com responsabilidade e preocupação: Para dezenas de milhares de médicos baianos, a precarização do trabalho avançou enquanto a representação sindical se esvazia. Uma entidade que já gozou de ampla credibilidade hoje enfrenta questionamentos de ordem ética, técnica, e política, inclusive entre seus próprios filiados. Naturalizar esse cenário de fragilização institucional é aceitar a erosão definitiva da medicina como carreira estruturada no estado.

 

Ainda há tempo de reconstruir. Mas isso exige coragem política, retomada do papel histórico do sindicato e a recolocação do trabalho médico no centro do debate público. Colegas, insatisfeitos com a situação da medicina e as condutas da atual gestão do SINDIMED, sigamos unidos. Nos silenciarmos neste momento, não é prudência. É omissão.

 

Assinam:

Alfredo Boa Sorte (ex-presidente do Sindimed)

Antônio do Vale Filho (ex-presidente do Sindimed)

Celso Cotrim Coelho (ex-presidente do Sindimed)

Francisco Magalhães (ex-presidente do Sindimed)

Gil Freire Barbosa (ex-presidente do Sindimed)

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Janeiro Branco e o reforço ao olhar de prevenção

Por Maiumi Souza

Janeiro Branco e o reforço ao olhar de prevenção
Foto: Divulgação

O Janeiro Branco é uma campanha criada para chamar atenção para a saúde mental. Inspirado na ideia de um “ano em branco”, que pode ser escrito de forma mais consciente, o movimento convida à reflexão sobre emoções, relações e modos de viver. Ao longo do mês, o tema ganha visibilidade em campanhas e conversas que reforçam a importância do autocuidado e da atenção ao sofrimento psíquico.

 

Esse movimento é importante. Mas é legítimo perguntar se ele tem sido suficiente. Falar de saúde mental importa, mas não basta quando a conversa se limita a frases prontas ou a orientações individuais. Refletir sem olhar para as condições concretas da vida cotidiana tem alcance limitado. Talvez seja hora de pensar o Janeiro Branco menos como um símbolo e mais como um convite à prevenção real.

 

O sofrimento psíquico não surge do nada. O aumento de casos de ansiedade, depressão, violência e suicídio não pode ser explicado apenas como fragilidade individual ou dificuldade de lidar com a vida. Ele está profundamente ligado ao cotidiano. Insegurança financeira, medo constante de perder o trabalho, sobrecarga de tarefas, responsabilidade excessiva com o cuidado de outras pessoas, sensação permanente de não dar conta e solidão fazem parte da experiência de muitas pessoas. Muitas vezes, o que chamamos de “problema emocional” é o corpo e a mente reagindo a uma vida vivida no limite.

 

A dor sentida não é falha pessoal. O sofrimento não indica falta de esforço, força ou maturidade emocional. Em muitos casos, ele sinaliza que as exigências da vida estão ultrapassando o que é possível sustentar naquele momento. Carregar culpa por isso apenas aprofunda o adoecimento.


Esse peso também não se distribui de forma igual. Algumas pessoas convivem com mais responsabilidades, menos apoio e maior exposição ao estresse cotidiano. Mulheres, por exemplo, acumulam trabalho, cuidados e cobranças emocionais, muitas vezes sem espaço real para descanso. Outras pessoas enfrentam rotinas marcadas por insegurança, perdas frequentes e sensação constante de instabilidade. Ignorar essas diferenças empobrece o debate sobre saúde mental.

 

Além disso, vivemos em um contexto de excesso de informações difíceis, violência cotidiana e incerteza sobre o futuro. Mesmo quando não há um evento traumático específico, a experiência de viver em estado permanente de alerta cobra um preço emocional alto. O desgaste se acumula aos poucos, até se tornar insustentável.

 

Nesse cenário, prevenção não pode significar esperar o colapso para buscar ajuda. Cuidar da saúde mental antes que tudo desmorone não é fraqueza, é responsabilidade. A prevenção acontece em gestos simples e cotidianos: ter espaços de escuta, fortalecer vínculos, reconhecer limites, garantir algum tempo de descanso, permitir lazer possível e procurar ajuda profissional quando os sinais aparecem.

 

Falar em bem viver não é romantizar a vida nem negar dificuldades reais. É reconhecer que saúde mental depende de condições mínimas para existir. Relações que sustentam, rotinas menos exaustivas e ambientes mais humanos fazem parte desse cuidado. Não se trata apenas de esforço individual, mas de criar contextos que não adoeçam continuamente as pessoas.

 

O janeiro Branco pode ser mais do que um mês de frases prontas. Ele pode marcar um compromisso com a prevenção, com o cuidado contínuo e com escolhas mais conscientes sobre como estamos vivendo. Cuidar da saúde mental não é aprender a suportar o insuportável, mas reconhecer que viver não deveria doer o tempo todo, e que olhar para isso é urgente.

 

*Maiumi Souza faz parte do time da Baobá Saúde; é psicóloga, especialista em Gestalt-Terapia e Desenvolvimento Infantil

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Sono, rotina e fertilidade: por que a ciência passou a olhar o casal como uma unidade biológica
Foto: Divulgação

Durante muito tempo, a fertilidade foi avaliada de forma fragmentada, concentrando-se quase exclusivamente em fatores individuais — femininos ou masculinos. No entanto, os avanços da ciência reprodutiva vêm ampliando esse olhar. Hoje, sabemos que a fertilidade é um fenômeno essencialmente relacional, que envolve não apenas a biologia de cada indivíduo, mas também a interação fisiológica, comportamental e emocional do casal.

 

Esse novo entendimento parte do reconhecimento de que o corpo humano funciona de acordo com um ritmo biológico circadiano, com duração aproximada de 24 horas, responsável por regular processos hormonais, metabólicos e reprodutivos. Quando esse ritmo é respeitado, os sistemas do organismo tendem a operar de maneira mais eficiente e equilibrada.

 

O alinhamento entre o tempo biológico e os hábitos de vida — como padrões de sono, alimentação e organização da rotina — exerce influência direta sobre os eixos hormonais envolvidos na reprodução. Pequenos desalinhamentos, quando persistentes, podem gerar impactos relevantes sobre a saúde reprodutiva.

 

Nesse contexto, o sono assume papel central. A melatonina, hormônio secretado predominantemente durante a noite, atua como moduladora hormonal e potente antioxidante. Ela contribui para a maturação dos óvulos e para a proteção dos gametas contra o estresse oxidativo. Já o cortisol, cujo pico ocorre nas primeiras horas da manhã, participa da regulação das gonadotrofinas e da esteroidogênese, processos fundamentais para a ovulação e a espermatogênese. Ambos os hormônios dependem de ciclos de sono-vigília bem organizados.

 

A interrupção frequente ou a irregularidade do sono pode desorganizar a homeostase metabólica, aumentar o estresse nas vias reprodutivas e comprometer o potencial fértil. Estudos epidemiológicos já associam a perturbação do ciclo circadiano a desfechos reprodutivos desfavoráveis, como a redução dos níveis de testosterona e a piora da qualidade do sêmen.

 

Essa compreensão amplia o cuidado para além do indivíduo isolado e convida a olhar o casal como uma unidade biológica. O desalinhamento de horários de sono, vigília, alimentação ou trabalho entre os parceiros pode interferir tanto na frequência e na qualidade da atividade sexual quanto nos sinais hormonais que regulam a ovulação e a produção de espermatozoides.

 

Por outro lado, a sincronia comportamental — com rotinas compartilhadas, horários semelhantes, proximidade emocional e apoio mútuo — favorece um ambiente biológico e psicológico mais propício à concepção. O corpo responde não apenas aos estímulos internos, mas também à qualidade das relações e ao contexto em que está inserido.

 

Alinhar o tempo biológico e comportamental do casal pode, portanto, influenciar diretamente o potencial reprodutivo. A fertilidade não se resume a exames ou técnicas de alta complexidade, mas deve ser compreendida como um sistema integrado, no qual corpo, rotina e vínculo caminham juntos.

 

*Wendy Delmondes é médica especialista em Reprodução Humana

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Câncer de pulmão: rastreamento não deve se limitar apenas a fumantes

Por Larissa Abrahão

Câncer de pulmão: rastreamento não deve se limitar apenas a fumantes
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O câncer de pulmão está entre as principais causas de morte por câncer no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,8 milhão de óbitos são registrados anualmente em decorrência da doença. Embora o tabagismo seja reconhecido como o principal fator de risco — responsável por aproximadamente 80% a 90% dos casos —, evidências mostram que a doença também atinge pessoas que nunca fumaram, o que reforça a necessidade de ampliar o debate sobre rastreamento e diagnóstico precoce.

 

Dados do Registro de Câncer Hospitalar (RHC), referentes a pacientes com mais de 18 anos atendidos pelo SUS, indicam que, em determinadas faixas etárias, especialmente acima dos 65 anos, até 26% dos casos de câncer de pulmão ocorrem em não fumantes. Esses números evidenciam que o perfil de risco é mais amplo do que tradicionalmente se considera.

 

Além do tabagismo, diversos outros fatores estão associados ao desenvolvimento da doença. Entre eles estão a exposição ao gás radônio, o histórico familiar de câncer de pulmão, o tabagismo passivo — que pode elevar o risco em até 25% —, a poluição do ar, exposições ocupacionais a substâncias como asbesto e sílica, além de doenças pulmonares prévias, como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a fibrose pulmonar. Diante desse cenário, limitar o rastreamento apenas a fumantes pode significar a perda de oportunidades importantes de diagnóstico precoce.

 

O rastreamento do câncer de pulmão é feito por meio da tomografia computadorizada de tórax de baixa dose (TCBD), um exame indolor e com baixa exposição à radiação. As recomendações atuais indicam a realização anual do exame em fumantes ou ex-fumantes com idade entre 50 e 80 anos. Para pessoas que nunca fumaram, ainda não existem diretrizes que indiquem o rastreamento populacional de rotina.

 

No entanto, especialistas ressaltam que o rastreamento individualizado deve ser considerado em situações específicas, como em pessoas com 50 anos ou mais, forte histórico familiar de câncer de pulmão, exposição ocupacional intensa a agentes carcinogênicos, histórico de radioterapia torácica em doses significativas ou presença de doenças pulmonares estruturais importantes.

 

No Brasil, o diagnóstico precoce do câncer de pulmão ainda enfrenta desafios relevantes, como o acesso desigual aos exames e a alta prevalência de doenças pulmonares que podem gerar achados inespecíficos. Para avançar, é fundamental integrar estratégias de rastreamento às políticas de controle do tabagismo e investir na capacitação das equipes de saúde, ampliando o olhar sobre os diferentes perfis de risco da população.

 

*Dra. Larissa Abrahão é pneumologista do Centro Integrado do Tórax.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Mais de 15 milhões de brasileiros convivem com doenças reumáticas

Por Ana Teresa Amoedo

Mais de 15 milhões de brasileiros convivem com doenças reumáticas
Foto: Divulgação

Dores persistentes, inchaços e limitações de movimento são os principais sintomas das doenças reumáticas - um grupo de mais de 120 enfermidades que afetam mais de 15 milhões de brasileiros, conforme dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Elas atingem pessoas de todas as idades, principalmente os idosos, e o diagnóstico precoce juntamente com o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações mais graves, como a perda da mobilidade e até incapacidades físicas.


    
No mês em que se comemora o Dia Nacional de Luta Contra as Doenças Reumáticas (30 de outubro), é necessário falarmos sobre conscientização. Isso porque essas doenças são, em sua maioria, autoimunes e afetam estruturas fundamentais do corpo como articulações, músculos, tendões, ligamentos e ossos. Entre as mais comuns estão artrose, osteoporose, fibromialgia, tendinite, lúpus, gota e bursite, sendo a artrose a que mais acomete a população.

 

O avanço da Medicina tem sido decisivo na transformação da vida de pacientes reumáticos. Os imunobiológicos representam uma das principais inovações no tratamento dessas doenças. Esses medicamentos são desenvolvidos com tecnologia de ponta, de forma personalizada, atuando diretamente nos mecanismos inflamatórios do sistema imunológico. Com isso, conseguimos reduzir sintomas, controlar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente.

 

Em Salvador, a Novaimuno é referência no assunto, se destacando no atendimento a pacientes com doenças autoimunes e raras por meio do seu Centro de Terapia Assistida Infusional em Imunobiológicos. A clínica também oferece uma abordagem integrada, com equipe multidisciplinar composta por especialistas em reumatologia, neurologia, dermatologia, gastroenterologia, nutrição e psicologia. O tratamento adequado, somado ao acompanhamento profissional constante, permite que muitos pacientes retomem sua rotina com independência e bem-estar.

 

*Ana Teresa Amoedo é médica reumatologista e sócia da Novaimuno - unidade que integra o Grupo CITA em Salvador | CRM-BA 11237 | RQE 5054

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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