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Opinião: Bahia dá 3,8 milhões de votos a mais para Lula e reafirma força do lulismo entre baianos

Por Fernando Duarte

Opinião: Bahia dá 3,8 milhões de votos a mais para Lula e reafirma força do lulismo entre baianos
Foto: Ricardo Stuckert

Em uma eleição extremamente disputada - e cujas pesquisas de intenção de voto flagraram os movimentos, mas não uma virada -, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para o quarto mandato como presidente do Brasil. A diferença para Flávio Bolsonaro (PL) no plano federal foi ligeiramente maior que a margem de cerca de 3,8 milhões de voto que o petista teve na Bahia. Ou seja, mais uma vez os eleitores baianos foram fundamentais para a vitória de Lula.

 

O trio Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jaques Wagner cumpriram a promessa de ampliar a votação do presidente na Bahia. Ainda que Lula não tenha feito qualquer visita ao estado entre os dois turnos, a mobilização local foi suficiente para crescer a votação dele e ainda reduzir o percentual obtido por Flávio na primeira etapa da disputa. Ponto favorável para o grupo, em um contexto em que tradicionalmente a militância poderia perder força após a reeleição do governador em primeiro turno. A Bahia tem maioria petista, mas é, acima disso, lulista.

 

Salvador, inclusive, se tornou centro de um momento caótico da eleição de 2026. A decisão política de usar o sistema de transporte público no processo eleitoral foi um tiro pela culatra - ainda que a gestão de Bruno Reis (União) negue com veemência a interferência para limitar o exercício do voto. O desastre criado por uma decisão atabalhoada e tardia de adiar o fechamento das urnas deve ensejar tentativas de questionar o pleito. No entanto, é improvável que haja uma invalidação do resultado que garantiu um quarto mandato para Lula.

 

Em termos de Bahia, a reeleição de Lula é o melhor cenário para a dobradinha com a gestão estadual. Somada à decisão de aderir ao projeto de Flávio Bolsonaro, ACM Neto (União) deve passar por um processo de retração da ascendência sobre aliados - sem contar a chance do episódio dos ônibus soteropolitanos recair sobre ele. Se a derrota no primeiro turno já foi ruim, os números finais de Lula e Flávio na Bahia impõem ao ex-prefeito e seu grupo político um vexame ainda maior (lembremo-nos do mega ato com o senador do PL na última semana).

 

Apesar da vitória, Lula vai governar com um país dividido e com um Congresso Nacional cuja maioria, até aqui, é contrária a ele. Aos 80 anos e sem perspectivas de mais mandatos, o petista tem oportunidade de mexer em estruturas já consolidadas e que demandam reformas. E, caso a direita consiga recalibrar a própria rota, será também uma boa oportunidade de não mais se subjugar pelo extremismo do bolsonarismo. Neste domingo (25), o Brasil fez uma escolha. E a democracia foi a maior vitoriosa desse processo.