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Marca Bahia Notícias

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Opinião: Fora das urnas, ACM Neto “veste-se” como bolsonarista após 8 anos de negação

Por Fernando Duarte

Opinião: Fora das urnas, ACM Neto “veste-se” como bolsonarista após 8 anos de negação
Foto: Divulgação

Após ter sido derrotado para o governo da Bahia em primeiro turno nas eleições 2026, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), finalmente assumiu a pecha de bolsonarista que, pelo menos desde 2018, o PT baiano insiste em taxá-lo. Acuado e sem a necessidade de flertar com o eleitor “Lula-Neto”, tônica que o motivou a tentar manter a neutralidade nos últimos dois pleitos, ACM Neto endossou o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no próximo dia 25, quando o herdeiro de Jair enfrenta Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições 2026.

 

Até aqui, apesar de buscar equidistância do grupo político que sintetizou ao eleitor brasileiro o antipetismo, o ex-candidato ao governo da Bahia tentava se desvencilhar da cristalização como bolsonarista. Há quatro anos, ficou “neutro” mesmo no segundo turno, quando a disputa foi entre Jair e Lula. Para quem acompanha política, era sabida a posição anti-Lula dele. Todavia, não havia manifestação pública e explícita a favor do clã Bolsonaro. A derrota nas urnas no último domingo (4) encerrou essa estratégia.

 

No discurso após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a reeleição de Jerônimo Rodrigues, ACM Neto deu sinais de que faria a adesão formal ao projeto político de Flávio Bolsonaro. “É preciso mudar o Brasil para mudar a Bahia”, disse ele. Era a senha que autorizava não apenas o entorno direto, mas toda a militância ligada a ele assumir publicamente que Bolsonaro seria o candidato do grupo – no primeiro turno, a chapa majoritária dele se dividiu entre declarações de apoio a Ronaldo Caiado (PSD), no caso dele, e a Flávio Bolsonaro, nos casos de João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos).

 

Não chega a ser uma surpresa o posicionamento. Todavia, em um estado tipicamente apoiador do lulopetismo, o ex-candidato ao governo da Bahia foi ponderado na tentativa de não acabar rechaçado como bolsonarista. Agora não mais. E as consequências eleitorais só podem ser medidas em dois ou em quatro anos, a depender de quem saia vitorioso em 25 de outubro. ACM Neto pagou para ver. E a roupa de bolsonarista é bem mais cara do que aparenta. Especialmente quando a oposição a ele inflacionou durante tanto tempo a vestimenta.